Cientistas determinam uma redução de CO2 atmosférico em curto prazo

A queda nos níveis de emissão de dióxido de carbono (CO2) atmosférico observadas em 2020 está diretamente relacionada às paralisações globais provocadas pela pandemia de covid-19 naquele ano. É a primeira vez que cientistas conseguem determinar uma mudança tão sutil na atmosfera da Terra e apontar sua causa, ressaltando a importância dos satélites que monitoram o clima global.

Trabalhos anteriores já haviam apontado as paralisações globais de 2020 com a pequena queda nas emissões globais de CO2. No entanto, o novo estudo, liderado pelo Goddard Space Flight Center, da NASA, é o primeiro a identificar se a redução do gás poluente foi provocada por um fator natural ou humano.

O OCO-2 é o primeiro satélite de sensoriamento da NASA dedicado a monitorar o ciclo do CO2 atmosférico (Imagem: Reprodução/NASA)

A descoberta foi possível graças ao Orbiting Carbon Observatory-2 (OCO-2), da NASA, um satélite que mediu as quedas de CO2 atmosférico a partir do espaço. Cobrindo o globo diariamente, OCO-2 oferece um volume de dados de alta precisão, apontando os efeitos das atividades humanas quase em tempo real.

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O estudo também combinou os dados do OCO-2 as análises e modelagens fornecidas pelo Goddard Earth Observing System (GEOS), da NASA. No hemisfério norte, as concentrações de CO2 caíram de fevereiro a maio de 2020 e subiu no verão — uma redução anual estimada de 3% a 13%.

Esse método permite identificar as mudanças desse gás poluente em um ou dois meses após elas acontecerem. Em escala global, essa leitura oferece informações de maneira rápida, apontando se as emissões humanas ou naturais de CO2 estão variando.

Determinando uma mudança sutil

O CO2 é um dos gases de efeito estufa (GEE) presentes na atmosfera da Terra. Sua concentração varia a partir de diversos processos, desde a respiração das plantas às atividades humanas que queimam combustíveis fósseis. Em relação ao período pré-industrial, sua concentração aumentou quase 49%.

A cobertura abrangente do OCO-2 permite traçar quais são as fontes de emissão natural e quais são de natureza humana (Imagem: Reprodução/NASA)

Em 2020, quando o mundo permaneceu em casa por conta da pandemia de covid-19, foi registrada uma queda acentuada nos níveis de emissão de CO2, mas a meteorologista Lesley Ott, coautora do estudo, explica que “queda acentuada” em relação a esse gás poluente precisa ser contextualizada.

Segundo Ott, o CO2 pode permanecer por até um século na atmosfera e, por isso, uma mudança em curto prazo pode não ser significativo para o ciclo global do carbono — uma dinâmica de liberação e absorção do gás que envolve processos humanos e naturais. A queda de 2020, portanto, é apenas uma peça desse quadro.

Apesar do desafio que é analisar um sistema tão complexo como o terrestre, hoje a tecnologia oferece ferramentas de alta precisão para identificar pequenas flutuações nas emissões de CO2. Os satélites da NASA foram fundamentais para determinar a queda relacionada à pandemia.

As conclusões do novo estudo concordam com outras estimativas realizadas de maneira independente, ressaltando que as reduções de 2020 estão relacionadas aos humanos.

Uma análise mais detalhada

Enquanto a pesquisa determinou uma redução de 3% a 13% nas emissões de CO2 do hemisfério no norte, no hemisfério sul essa estimativa não ficou tão clara. Segundo os pesquisadores, essa imprecisão se deve a anomalia climática conhecida como Dipolo do Oceano Índico (IOD, na sigla em inglês).

O IOD é um cíclico deixa as águas mais frias do que o normal ao sudeste da Ásia, e mais quente (fase positiva) no leste do Índico. Entre o fim de 2019 e início de 2020, uma intensa fase positiva do fenômeno favoreceu a temporada de colheita na África subsariana e contribuiu com os incêndios recordes na Austrália.

Esses dois eventos afetaram diretamente o ciclo do carbono, dificultando a detecção das reduções de CO2 relacionadas à pandemia. Ainda assim, a equipe destacou o potencial do GEOS/OCO-2, capaz de identificar essas flutuações naturais do gás poluente no hemisfério sul.

O estudo foi apresentado no periódico científico Science Advances.

Fonte: Science Advances, Via NASA

Fonte feed: canaltech.com.br

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