Como a Lua influencia as marés?

Para entender como a Lua influencia as marés, é importante conhecer os efeitos gravitacionais exercidos por nosso satélite natural — mas não só por ele, já que o Sol também afeta as marés, só com efeito bem menor. É principalmente por causa da gravidade lunar que a água dos oceanos da Terra se acumula no lado do planeta mais próximo da Lua e naquele mais afastado dela, criando as marés altas; enquanto isso, entre elas, ocorrem as marés baixas.

De forma bastante resumida, podemos dizer que as marés são simplesmente o aumento e diminuição do nível da água dos oceanos: quando o nível do mar chega ao ponto mais alto, dizemos que a maré está alta; e, quando desce ao ponto mais baixo, a maré está baixa. Vale lembrar que essas variações também ocorrem nos lagos e rios, mas nesses casos, ela é discreta demais para ser percebida.

A força gravitacional da Lua tem grande influência na formação das marés (Imagem: Reprodução/viledevil/Envato)

De fato, a Lua é a principal responsável pelas marés, mas não é a única responsável para que ocorram. É que, na verdade, as marés também sofrem o efeito da força gravitacional do Sol, só que nosso astro está a cerca de 150 milhões de quilômetros de nós, enquanto a Lua encontra-se, em média, a 384.400 quilômetros da Terra. Por isso, a gravidade da nossa estrela afeta menos as marés do que aquela da Lua.

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A Lua influencia as marés altas e baixas

Antes de entender as marés, é importante considerar a gravidade, a força através da qual um planeta ou outro corpo atrai objetos em direção ao seu centro. Então, quanto mais perto você estiver de um objeto massivo, mais forte será a força gravitacional exercida por ele sobre você. É importante saber disso porque, assim como a Terra, a Lua também exerce força gravitacional, que “puxa” diferentes regiões do planeta conforme ele gira; por isso, o que está mais perto da Lua é mais afetado pela gravidade.

No caso das marés, a parte do planeta que está voltada para nosso satélite natural é a mais afetada pelas chamadas “forças de maré”. Este efeito também ocorre nas porções sólidas do planeta, mas como a água se move mais facilmente, ela é acumulada em direção à Lua, como se tentasse “alcançá-la”. Quando isso acontece, eis que temos uma maré alta, formada pela proeminência da água acumulada em direção à Lua, já que ali a gravidade é mais forte.

Na animação, o observador percebe as marés altas ao passar pela “proeminência” dos oceanos, e as marés baixas, nos pontos mais baixos (Imagem: Reprodução/NASA)

Enquanto tudo isso acontece, a Terra continua girando. Então, no lado afastado do planeta em relação à Lua, a força rotacional do planeta é mais forte que a gravidade lunar, e essa força faz com que a água se acumule ao mesmo tempo em que tenta resistir, formando marés altas. As duas marés altas, em lados opostos, arrastam a água do restante dos oceanos; por isso, entre elas, ocorrem as marés baixas.

Vale lembrar que, embora nosso planeta tenha aproximadamente 70% da superfície coberta por água, isso não significa que esta camada líquida seja distribuída uniformemente por toda a Terra. Como os continentes do planeta têm diferentes relevos, eles impedem que a água dos oceanos acompanhe totalmente o puxão gravitacional da Lua. Por isso, há lugares em que as diferenças entre as marés altas e baixas é drástica, mas em outros, nem tanto.

Outros efeitos nas marés

As marés também são afetadas pela gravidade do Sol. Embora nosso astro seja muito mais massivo do que a Lua — e, portanto, tem gravidade mais forte —, está bem mais distante que nosso satélite natural. Por isso, a força exercida pelo Sol nas marés não chega a metade da força daquele da Lua, mas mesmo assim, os efeitos da gravidade solar existem.

Os efeitos do Sol podem ser percebidos durante as fases lunares “cheia” e “nova”, respectivamente. É que, na fase nova, a Terra, o Sol e a Lua ficam quase alinhados, e a força gravitacional do nosso astro se soma àquela exercida pela Lua na Terra. Com isso, os oceanos se acumulam um pouco mais que o comum; portanto, nestes casos, as marés altas ficam mais altas, e as baixas, mais baixas que a média.

Duas vezes por mês, o Sol, a Lua e a Terra ficam alinhados, e a gravidade combinada cria maiores marés altas, e marés baixas menores (Imagem: Reprodução/National Ocean Service)

Estas são as chamadas “marés grandes”, e ocorrem duas vezes a cada mês lunar. Sete dias depois de uma maré grande, o Sol e a Lua ficam em ângulos retos, que permitem que o acúmulo do oceano causado pela gravidade solar cancele, parcialmente, aquele da gravidade lunar, formando as chamadas “marés mortas”. Neste caso, as marés altas ficam um pouco mais baixas que o normal, e as baixas, mais altas.

É importante destacar que o vento e padrões climáticos também podem afetar o nível do mar. Por exemplo, ventos costeiros fortes podem “empurrar para trás” a água nos litorais, criando marés baixas mais exageradas — e o contrário também vale para ventos soprando na direção das praias, empurrando a água e tornando as marés baixas menos perceptíveis.

Outro efeito que merece destaque é aquele causado pelos sistemas climáticos de alta pressão, capazes de diminuir os níveis do mar e, assim, criar marés mais baixas. Já os sistemas de baixa pressão, trazidos por fortes tempestades e furacões, são capazes de causar marés bem mais altas do que a média.

Como seriam as marés se a Lua desaparecesse?

É certo que, se a Lua simplesmente desaparecesse, as consequências iriam muito mais além de noites mais escuras. Um dos primeiros efeitos da ausência do nosso satélite natural seria logo percebido nas marés: sem a Lua, as marés iriam subir e descer a cerca de 30% da taxa atual de flutuação. Como o Sol também as afeta, elas não deixariam de existir completamente, mas seriam bastante diferentes do que vemos hoje.

Sem a Lua, as marés ainda existiriam, mas seriam bem diferentesdo que vemos hoje (Imagem: Reprodução/Ponciano/Pixabay)

O problema é que as mudanças no nível da água dos oceanos e o ritmo delas causaria efeitos bastante significativos para os ecossistemas costeiros — afinal, existem animais e vegetais que vivem nas zonas entre marés, ou seja, aquelas entre as marés altas e baixas. Com estas mudanças, vários deles poderiam muito bem acabar destruídos, e o fluxo de água, energia, minerais e outros recursos essenciais seria perturbado.

Por exemplo, considere as estrelas do mar, caranguejos e outros seres, os quais dependem das idas e vindas das marés para sobreviver. Se fossem prejudicados pela falta delas e simplesmente ficassem ausentes, os animais terrestres e marinhos que dependem deles para alimentação também seriam afetados. Por isso, poderia haver extinções em massa.

Além disso, os movimentos das marés ajudam a impulsionar as correntes marítimas. Como as correntes distribuem águas quentes e precipitações para os oceanos, elas têm grande influência nos padrões climáticos de todo o mundo; sem elas, as temperaturas regionais e os eventos climáticos poderiam ser muito mais extremos do que aqueles com os quais convivemos hoje.

Fonte: NOAA (1, 2), SciJunks, The Conversation, National Geographic, NASA

Fonte feed: canaltech.com.br

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