Conheça o jogo de US$ 400 milhões que ainda não foi lançado

Você lembra do longínquo ano de 2012? Naquela época, em que um dólar beirava os R$ 2, chegavam às lojas sucessos como Far Cry 3, da Ubisoft, e Dishonored, da Bethesda. No mesmo período também era anunciado Star Citizen, cujo financiamento coletivo já arrecadou mais de US$ 420 milhões de dólares (cerca de R$ 2,4 bilhões, em conversão direta) até a publicação desta matéria. O problema é que o game ainda não foi lançado.

Star Citizen está em desenvolvimento pelo estúdio independente Cloud Imperium Games, sendo o projeto de videogame com maior financiamento da história, com mais de 3,4 milhões de contribuintes. Trata-se de um MMO (multiplayer massivo online) de simulação espacial em que você poderá (algum dia) explorar o universo, batalhar com outras pessoas e ajudar a construir uma civilização no espaço.

Após quase uma década, Star Citizen ainda está em fase Alpha, a fase inicial de desenvolvimento de um produto (Foto: Divulgação/Cloud Imperium Games)

O game contaria também com uma campanha single-player, mas passou a ser um jogo separado, chamado Squadron 42. O título também não tem nada de lançamento, mas, pelo menos, tem um trailer bem bonito. O vídeo conta com a presença de atores de Hollywood, como Mark Hamill (Star Wars), Gary Oldman (Harry Potter), Gillian Anderson (Arquivo X) e John Rhys-Davies (O Senhor dos Anéis). Assista (em inglês):

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Inicialmente, Star Citizen seria lançado em 2014, quando o jogo bateu sua última meta de US$ 65 milhões de dólares arrecadados; porém, o diretor, Christopher Roberts, achou melhor adiá-lo para fazer algumas melhorias. De lá para cá, esse adiamento se transformou em anos.

Roberts chegou a comparar o lançamento dos seus jogos com o de Cyberpunk 2077, da CD Projekt Red, que chegou às lojas repleto de falhas técnicas. Referindo-se à campanha solo, ele disse que “ficará pronto quando ficar pronto, e não será lançado apenas para marcar uma data, mas sim quando toda a tecnologia e conteúdo estiverem concluídos e quando o jogo estiver polido e rodar bem”.

Isso não impediu que Star Citizen acumulasse reclamações, polêmicas e promessas ao longo dos anos. O Canaltech resume essa história a seguir.

Nas fotos, Star Citizen faz bonito (Foto: Divulgação/Cloud Imperium Games)

Estúdio vende naves que ainda não existem no jogo

Em 2020, a Cloud Imperium passou a informar os fãs sobre o andamento da produção a cada duas semanas. Roberts chegou a explicar que os recursos prometidos no jogo “não eram um sonho impossível”, e que o estúdio não levaria outros “10 a 20 anos” para implementá-los.

Mesmo assim, a empresa foi denunciada neste ano por um fã à Advertising Standards Authority (ASA, Autoridade de Padrões de Publicidade em tradução livre), a agência que regula publicidade e propaganda no Reino Unido — algo como o Conar no Brasil. A reclamação dizia que o estúdio estava enviando e-mails publicitários para vender itens que não existiam ainda.

Segundo o site Eurogamer, os e-mails diziam o seguinte:

“Última chance para pegar o Gatac Railen! Não perca a chance de obter o Gatac Manufacture Railen. Esta nave-conceito alienígena deixará a loja do jogo na segunda-feira.”

Embora Star Citizen não esteja pronto, estúdio vende itens por preços salgados (Foto: Captura de tela: Felipe Goldenboy/Canaltech)

A ASA não abriu uma investigação completa, mas deu um “puxão de orelha” na Cloud Imperium, aconselhando-os a inserir um aviso de transparência nos e-mails. Funcionou: no fim das ofertas, eles dizem — em letrinhas miúdas — que os itens “estarão disponíveis como conteúdos jogáveis em uma atualização futura”, e que a venda deles “ajuda a financiar o desenvolvimento do Star Citizen”.

Consumidores estão pedindo reembolso de Star Citizen

Quem se sentir lesado terá um pouco de dificuldade para pedir o reembolso. Em 2016, o estúdio removeu dos termos de serviço os trechos que falavam sobre a elegibilidade ao reembolso. Isso aconteceu após o site Polygon publicar uma pesquisa mostrando que 25% dos contribuintes tinham interesse em receber o dinheiro de volta.

Um deles foi o desenvolvedor Ryan Allen, que apoiou Star Citizen no início de 2013. No total, ele gastou U$ 930 com naves que não existem. “Eu acreditava totalmente no jogo, mas após tanto atraso, só queria meu dinheiro de volta”, afirmou.

Após uma troca de e-mails, o reembolso havia sido negado. A justificativa do estúdio foi que isso estaria disponível apenas para quem comprou o jogo e não ficou satisfeito em até 14 dias. Allen precisou expor a situação em fóruns da internet e levar o caso para organizações governamentais dos Estados Unidos para ter seu problema resolvido. “Foi como noite e dia”, disse.

Star Citizen: “ficará pronto quando ficar pronto” (Foto: Captura de tela: Felipe Goldenboy/Canaltech)

Star Citizen está na versão Alpha, somente para PC — ainda não há previsão de lançamento para a versão completa. Será que esse game verá a luz do dia em algum momento? Fica o mistério.

Fonte: Cloud Imperium (1, 2), DotEsportsEurogamer, Polygon

Fonte feed: canaltech.com.br

Veja também

Menu