Crítica Através da Minha Janela | Sem força, sem foco, sem graça

Uma coisa é fato: Cinquenta Tons de Cinza despertou o interesse por romances eróticos não somente na literatura, como também no cinema. Anos depois, a Voltage Pictures escolheu arriscar trazendo o subgênero para o mundo adolescente com After, baseado nas fanfics de Anna Todd.

Agora, a Netflix tenta (mais uma vez) engatar o sucesso com o espanhol Através da Minha Janela, pouco menos de dois anos após o problemático 365 dias — que mostra novamente que a produção hot é um tremendo fracasso em suas mãos.

Um dos principais filmes da Netflix em fevereiro, Através da Minha Janela é dirigido por Marçal Forés e adaptado da fanfic da autora Ariana Godoy, do Wattpad (exatamente como aconteceu com After e suas sequências). Aqui conhecemos Raquel, uma jovem cujo ponto alto da rotina é observar seu atraente vizinho pela janela.

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Passar dos 20 minutos já é uma vitória

A primeira cena de Através da Minha Janela consiste numa apressada câmera sobrevoando a cidade em que o longa se passa, adentrando a janela de uma sala de aula. Uma tentativa fracassada de dar referência à abertura de Psicose, de Hitchcock, acaba, na realidade, sendo um spoiler da correria que será o desenrolar dos acontecimentos a seguir.

Raquel: uma garota de vida sem graça obcecada pelo vizinho (Imagem: Divulgação / Netflix)

Com quase 120 minutos de duração, o longa de Forés acaba sendo uma verdadeira prova de resistência para chegar ao fim do primeiro ato. Não dá pra dizer ao certo qual o problema aqui: o roteiro fraquíssimo, a montagem desconfortável ou a direção como um todo. Através da Minha Janela peca na ordem dos fatos de maneira tão escancarada que se torna confuso acompanhar um filme cuja história deveria ser contada de forma simples.

A princípio, o espectador é apresentado à protagonista e ao seu vizinho, que é de uma família rica e de nome bastante conhecido — porém não o suficiente para arcar os gastos de um Wi-Fi decente, visto que Ares e seus irmãos preferem roubar o sinal de Raquel.

Todos os utensílios do clichê adolescente, até mesmo a sua versão de Maddy Perez, de Euphoria (Imagem: Divulgação / Netflix)

Com um romance obcecado (e como a protagonista mesmo diz, doentio), Raquel observa Ares há muito tempo, sabendo exatamente como é sua rotina, quem são seus amigos e quais são seus interesses particulares. Assim como todo enemies to lovers, os dois se estranham no começo, mesmo com a enorme tensão sexual entre eles.

Apesar de mal introduzido, o incômodo aqui não é na apresentação dos personagens ou na rotina de Raquel, e sim como as coisas se desenrolam. É esclarecido logo no início que Ares não faz a menor ideia da existência de sua vizinha, mas 20 minutos após a fala o casal já é visto fazendo sexo no quarto da garota.

O estereótipo de Bad Boy (Imagem: Divulgação / Netflix)

É sem a menor preocupação com a fluidez do texto e emendando as tomadas uma nas outras como quem costura uma colcha de retalhos que Através da Minha Janela resulta em torturantes 120 minutos. Sem mais e nem menos.

A fórmula do sucesso?

Todos os clichês de romances adolescentes estão por aqui: a garota quietinha, o bad boy, o jogo de sedução, os coadjuvantes que servem de degrau e o ciúmes que o universo das fanfics insiste em romantizar. Apesar de parecer muito uma fórmula de sucesso, Através da Minha Janela esbarra em tudo o que torna o clichê ruim e acaba garantindo seu lugar na prateleira logo ao lado de 365 dias.

Através da Minha Janela: ruim e preguiçoso (Imagem: Divulgação / Netflix)

Há boas intenções, mas a Netflix ainda não conseguiu garantir o seu After, que, embora seja fraquíssimo e repleto de defeitos, ainda tem alguma coisa que conquistou o público adolescente e o fez desdobrar-se em uma franquia de quatro filmes.

Através da Minha Janela está disponível na Netflix.

Fonte feed: canaltech.com.br

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