Crítica La Casa de Papel | Parte final cumpre com seu propósito e emociona

Após longos meses de espera, finalmente pudemos conferir o fechamento da história dos ladrões de La Casa de Papel, produção espanhola original da Netflix. A série, que estreou em 2017 na plataforma de streaming, conquistou o seu espaço sem muito esforço, apenas por contar com uma trama envolvente, personagens cativantes e muita ação atrás de críticas políticas e sociais.

La Casa de Papel chegou ao fim após cinco temporadas, esta última sendo dividida em duas partes, uma saindo em setembro e a outra em dezembro. O fechamento, que poderia apenas ser o sucesso ou o fracasso, conseguiu encerrar um ciclo de forma emocionante para os fãs de todo o mundo, que em breve poderão conferir outras tramas derivadas.

A série chegou ao fim após uma jornada de quase cinco anos (Imagem: Divulgação/Netflix)

Atenção: esta crítica contém spoilers de La Casa de Papel!

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Desde a primeira temporada de La Casa de Papel, a série esclareceu que os planos de roubo do Professor (Álvaro Morte) não eram apenas para honrar a memória do pai, mas para questionar a política e a economia enfraquecida da Espanha. Então, o protagonista sabia exatamente o que poderia acontecer na hora de executar as missões, criando diversas possibilidades para cada sucesso ou falha que pudessem ocorrer durante assaltos, o que acabou rendendo em diversas reviravoltas ao longo da trama.

O final não ficou longe disso. Ainda no início da quinta e última temporada, o assalto ao Banco Central da Espanha estava mais fora de controle do que o que foi o roubo à Casa da Moeda, e em diversos momentos tudo parecia que seria perdido. Mas Professor, claro, adquiriu conhecimento suficiente para descobrir os pontos fracos dos seus rivais e como poderia persuadi-los a fazer o que ele queria, o que encerrou a missão dos ladrões como ganha, apesar de alguns colegas não terem sobrevivido.

Berlim e o filho tiveram uma atenção especial na última parte (Imagem: Divulgação/Netflix)

Ação e emoção

A última parte da quinta temporada de La Casa de Papel conseguiu equilibrar ação com emoção na medida certa. Na emoção, vimos desde flashbacks do passado e as memórias de Berlim (Pedro Alonso), até um reforço dos momentos de união dos personagens e a cena de cantoria da canção “Bella Ciao” no ritmo de samba, como se fosse uma homenagem aos tão intensos fãs brasileiros.

No quesito ação, a série não decepcionou e conseguiu manter o ritmo de caos, com destaque aos momentos em que Sierra (Najwa Nimri) aceita que agora está em um novo lado e leva a sua bebê, literalmente recém-nascida, para fugas perigosas. Vemos também o sentimento da própria inspetora em relação ao Professor crescer, pois foi preciso deixar o orgulho de lado e aceitar a sua única saída, e quando isso acontece é a única vez em que vemos ela de forma tão vulnerável.

Os momentos finais de La Casa de Papel nos deixaram duas perdas dolorosas: Nairóbi (Alba Flores) e Tóquio (Úrsula Corberó). Enquanto o de Nairóbi tivemos uma temporada de distância para superar, a de Tóquio era mais recente, pois a tragédia aconteceu na primeira parte. Então, sua presença em flashbacks na sequência foi crucial para que o público não esquecesse de sua importância para os personagens e para o andamento de ambos os assaltos.

Tóquio foi uma das perdas mais tristes da temporada (Imagem: Divulgação/La Casa de Papel)

Professor: gênio e herói

Cada um dos personagens de La Casa de Papel tem o seu mérito, mas não há como negar de que a glória da série se deve ao Professor. Álvaro Morte conseguiu incorporar uma pessoa sábia, decidida e que se preocupa mais com o seu grupo do que com ele próprio ou o sucesso da missão. O ator até fez uma publicação nas redes sociais reconhecendo a honra do personagem, dizendo que seus heróis preferidos sempre foram o Batman e o Super-Homem, até conhecer o Professor.

A quinta temporada veio para provar que ele, de fato, conta com superpoderes por conseguir liderar um grupo à distância mesmo quando corre perigo, mostrando ser capaz de manter a sanidade em meio ao caos e quando tudo parece estar perdido, e ainda lidando com a morte de Tóquio, a quem nutria bastante sentimento.

A vitória e o adeus

A série ainda deixaria o seu legado intacto se as coisas não dessem certo no final. Felizmente, nossos heróis preferidos conseguiram cumprir a missão e ainda contar com o apoio da polícia, já que a mente complexamente inteligente do Professor conseguiu contornar todos os empecilhos e provar o seu ponto: o sistema da Espanha é falho. Quando parece que eles estão prestes a perder a guerra, o personagem consegue convencer os seus inimigos que ou ambos os lados ganham, ou os dois lados perdem, deixando as autoridades sem saída. A escolha, então, foi fazer com que os dois lados ganhassem. Se o outro lado fosse escolhido, a situação ficaria ainda mais complicada para a justiça, já que os ladrões foram consagrados pela população como heróis, ficando ao lado deles.

La Casa de Papel chegou ao fim comprovando todos os seus questionamentos e não desapontando os fãs. A série reconheceu a importância da sua história não só para o entretenimento, como para um todo, e seu legado nunca vai ser esquecido. Enquanto a série original chega ao fim, em breve poderemos explorar ainda mais o universo da trama com o spin-off sobre Berlim e com a versão sul-coreana da trama.

A última temporada de La Casa de Papel está disponível completa na Netflix.

Fonte feed: canaltech.com.br

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