Crítica Neymar: O Caos Perfeito | Puro suco da dicotomia de ser quem você é

A Netflix tem se especializado em fazer documentários sobre grandes estrelas do esporte. Depois de lançar excelentes produções como O Último Arremesso e Pelé, a gigante do streaming decidiu partir para um lado mais polêmico e “atraente”, indo atrás do que hoje pode ser um dos atletas mais midiáticos em atividade: Neymar Jr.

Em Neymar: O Caos Perfeito, temos o puro suco do ônus e o bônus de ser quem somos. Só que, neste caso, estamos falando de um “monstro”, um negócio de bilhões de euros, dezenas de manchetes maldosas, pilhas de polêmicas desnecessárias, centenas de gols e uma única certeza: talento na acepção da palavra.

Estamos criando um monstro?

— “Nós estamos criando um monstro”
Renê Simões, em 2010, após o jogo Santos 4×2 Atlético-GO

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A polêmica frase do técnico Renê Simões se referindo a Neymar como um “monstro” pode ter sido um divisor de águas na vida do jogador mais talentoso do futebol brasileiro na última década. Mesmo que culminando em uma série de comentários sobre o futuro e até o caráter do atleta, ali tivemos a síntese do que é ser Neymar.

Acertadamente, Neymar: O Caos Perfeito trata a vida do jogador, ser humano e empresa Neymar Jr com muita assertividade e sem exageros. Os principais pontos da carreira e da trajetória do craque são tratadas com respeito e sem firulas, mesmo que, por vezes, tenha sido necessário dar um certo afago ao brasileiro.

Neymar é sempre rodeado de parças, e faz questão disso (Imagem: Reprodução/Netflix)

E aqui vai a opinião de um fã incondicional do futebol e de tudo o que ele representa para a sociedade: pegam demais no pé de Neymar, tanto seus marcadores implacáveis quanto jornalistas maldosos que só pensam em cliques. Ter como régua a vida pessoal do jogador para medir o que ele, de fato, significa, é de uma tremenda sacanagem.

Isso pode ser visto com facilidade, porque quem acompanha a carreira do jogador não pode, com absoluta certeza, creditar seus insucessos dentro de campo ao modo como ele vive fora dele. E, ao menos no documentário, nenhum “pano foi passado”, mesmo em se tratando de um produto que pode ser confundido com uma peça publicitária real.

Se há empatia com atletas como Simone Biles, que abandonou uma Olimpíada por estar psicologicamente esgotada, talvez fosse necessário olhar para Neymar e seu lifestyle como uma zona de fuga para o que é “ser Neymar”.

Neymar como jogador de futsal da Portuguesa Santista (Imagem: Reprodução/Netflix)

Renê Simões mencionou estarmos criando um monstro por supostamente fazermos todas as vontade de “Ney”, mas será que a frase não poderia ser um pouco diferente? Será que não poderia ser “Estamos inventando um monstro”?

Uma marca

Como o próprio pai de Neymar diz, o “Neymar é uma marca, uma empresa”. Não é tão simples ser Neymar, mesmo com todo o dinheiro do mundo, mulheres aos seus pés e fama desmedida. Neymar deixou de ser um mero jogador e, refém do seu talento e tino para confusões, se tornou um grande negócio.

Nesse ponto, Neymar: O Caos Perfeito acerta em cheio. A todo momento é mostrada a vida por trás do jogador, que, segundo o filme, sustenta mais de 200 funcionários — entre copeiras e cozinheiros até seus “parças”, amigos que vivem sob os braços do atleta e “tomam conta” de sua vida.

Relação de Neymar com o filho é boa, dentro do possível (Imagem: Reprodução/Netflix)

A vida pessoal de Neymar, aliás, é retratada de maneira até simplória, com poucos momentos com seu filho, David Lucca, e com seus pais, Neymar e Nadine. Nesse aspecto, uma das maiores falhas da minissérie é a ausência de Bruna Marquezine, ex-namorada do atleta e que, muitas vezes, foi o termômetro do jogador em campo.

Além disso, a relação com seu pai, que também é o gestor de sua carreira, mostra-se bem interessante e diferente de um mero trato entre pai e filho. Se o próprio progenitor enxerga sua cria como uma marca, é porque algo deu errado nesse percurso de mais de 10 anos de carreira.

Já com o pai, virou mais algo como business do que pai e filho (Imagem: Reprodução/Netflix)

E o futebol?

Neymar é tudo isso, mas é, acima de tudo, futebol. Neymar: O Caos Perfeito contextualiza bem o universo futebolístico de Ney desde sua infância, passando pelo ótimo desempenho no Santos, o auge no Barcelona, irregularidade na Seleção Brasileira e a controversa estada no Paris Saint-Germain, clube atual do craque.

Por aqui talvez estejam os principais erros de Neymar e que foram escancarados no documentário, como a saída do Barcelona para o PSG e depois a tentativa de voltar para o clube da Catalunha, além de situações de campo perfeitamente evitáveis, como algumas de suas lesões e o fiasco na Copa do Mundo de 2018, quando o craque virou meme por conta de suas quedas exageradas no gramado.

Neymar em ação pelo PSG (Imagem: Reprodução/Netflix)

As participações de figuras como Messi, Dani Alves e Mbappé foram essenciais para toda a construção do “Personagem”, mas sentimos falta de outras, como o atacante uruguaio Edinson Cavani e o meia inglês Joey Barton, desafetos do brasileiro.

Algo que também merece destaque e certa crítica é que os contrapontos do documentário, ou seja, as partes em que Ney era mais demonizado, vinham de comentários e participações de jornalistas. Seria uma alusão ao que acontece com ele nas manchetes?

Vale a pena?

Neymar: O Caos Perfeito merece ser assistido por todos aqueles que gostam de Neymar e precisa ser consumido por aqueles que o odeiam. Com tom acertado em crítica e afagos, a minissérie revela que é necessário que tenhamos cuidado com o ser humano Ney, mesmo que seja tentador seguir a maré.

Neymar: O Caos Perfeito está disponível na Netflix.

Fonte feed: canaltech.com.br

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