Crítica Pam & Tommy | Série tem história curiosa e incômoda sobre privacidade

Na década de 1990, quando ainda estávamos descobrindo a internet, pouco se imaginava sobre o alcance que ela proporcionaria a textos, vídeos e fotos. Naquela época, a web era, como dizem, uma terra sem lei, que parecia inalcançável aos olhos da justiça.

De fato, não existiam leis de impunidade para o que fosse compartilhado online, até porque poucas pessoas tinham acesso, e uma das primeiras vítimas disso tudo foram o casal Pamela Anderson, atriz e modelo, e Tommy Lee, baterista da banda Motley Crue. A história dos dois é contada na minissérie Pam & Tommy, que mostra como uma fita roubada acabou com uma história de amor e deixou marcas não só neles, mas em todo o mundo.

Atenção: esta crítica contém spoilers da série Pam & Tommy!

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Em Pam & Tommy, produção original do Hulu que estreia no Brasil no Star+, o espectador conhece a história de como uma sex tape roubada mudou os rumos do uso da internet e como era importante reconhecer os crimes cibernéticos. Pamela Anderson estava no auge da carreira, interpretando a personagem C.J. na série Baywatch, conhecida no Brasil como S.O.S. Malibu.

Tommy Lee já colhia os frutos do sucesso da banda Mötley Crüe nos anos 1980, enfrentando a chegada de uma nova era no rock, que foi dominada pelo grunge. O casal se conheceu por acaso e, segundo o que é mostrado na série, foi amor à primeira vista. Pamela e Tommy pularam diversas etapas do processo de conhecer alguém e logo se casaram, até que toda essa magia de encontrar o parceiro para a vida foi interrompida por um crime.

O vídeo íntimo foi espalhado na internet e gerou milhões de dólares (Imagem: Divulgação/Hulu)

Caracterização

Antes mesmo de mergulharmos nesta louca história de amor, a primeira impressão ao assistir à série Pam & Tommy é em relação à caracterização dos personagens, interpretados por Lily James (Pamela) e Sebastian Stan (Tommy). Tanto Pamela como Tommy sempre se destacaram, seja pelo biotipo dela ou pelas tatuagens dele, o que pode ter tornado essa tarefa mais fácil.

Os atores também conseguiram incorporar trejeitos e formas de falar sem deixar os personagens caricatos demais. Em alguns momentos, pode até parecer que as atuações foram forçadas, mas basta compará-las com os artistas na vida real para entender que o trabalho foi bem feito.

A interpretação, portanto, é crucial para que a série seja levada a sério, já que os protagonistas contavam com uma “química” tão erótica que poderia parecer intencional para o bem dos holofotes.

O casal contava com visuais e trejeitos bastante caricatos (Imagem: Divulgação/Hulu)

Mudanças

Mais do que contar a história de uma fita caseira gravada por um casal em seus momentos mais íntimos, Pam & Tommy escolheu como abordagem mostrar como esse evento mudou o curso do mundo do entretenimento, tornando-se um estudo de caso sobre a impunidade perante à invasão de privacidade e crimes cibernéticos.

Para fazer parte desse enredo, a série conta com Seth Rogen como Rand Gauthier, um prestador de serviços que roubou um cofre com a fita para se vingar de Tommy.

A primeira parte da minissérie, então, se dedica a todo o processo de descoberta do material, as formas que é possível monetizar esse conteúdo e faturar uma fortuna. Enquanto isso acontece, mergulhamos em uma década que é completamente diferente da atual e que, se tivesse acontecido hoje, com os recursos que temos, as coisas aconteceriam de outra forma.

Já a segunda parte da trama mostra as consequências do crime cometido por Gauthier, seja na imprensa ou na vida pessoal do casal. E é justamente aqui que descobrimos se tratar de uma história mais preocupante do que parecia ser na época, e logo vem a pergunta: será que era necessário fazer essa série?

O vazamento trouxe consequências sérias para o casal (Imagem: Divulgação/Tommy Lee)

Machismo

Nos anos 1990, pouco se falava sobre machismo, sendo também uma década que a revista Playboy e suas “coelhinhas” estavam em evidência, com Pamela Anderson sendo uma delas no início da carreira. A sexualização extrema das mulheres no mundo do entretenimento não era problematizável e a questão fez com que a atriz fosse mais prejudicada no caso do que Tommy.

Na série, Pamela fala algumas vezes que as consequências são diferentes para Tommy por ele ser homem. Enquanto ele é adorado pelo público por ter aparecido em um vídeo fazendo sexo com a esposa, ela é criticada e a sua fama de mulher “fácil” apenas por ter ficado conhecida, inicialmente, pela sua imagem.

Essa realidade traz cenas desconfortáveis de assistir, seja pelos momentos em que ela implora para ter mais falas em Baywatch do que desfiles, como pela forma com que é tratada pelos advogados quando o casal vai à Justiça pedir ajuda.

Esses desconfortos até nos fazem questionar a existência da série e se era necessário mexer nessa ferida. Pamela Anderson declarou recentemente não ter gostado da produção de Pam & Tommy, alegando que foi doloroso saber que a história seria contada dessa forma. Lily James também disse que pensou em desistir do papel em alguns momentos.

Apesar disso, não há como negar que a história é marcante e que ela pode ter colaborado para as leis que existem hoje.

Pamela foi uma grande vítima do machismo na época (Imagem: Divulgação/Hulu)

Pam & Tommy é uma série que consegue contar uma história interessante e com personagens caricatos de forma séria, mas empolgante. O vazamento da fita não foi só um simples crime contra a integridade de duas pessoas, mas uma ação complexa e perigosa, e tudo isso torna a minissérie interessante e, no sentido mais respeitoso da palavra, divertida.

Pam & Tommy estreia no dia 2 de fevereiro no Star+ em oito episódios.

Fonte feed: canaltech.com.br

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