Cyberpunk 2077: vale a pena jogar agora?

Há pouco menos de um mês, a CD Projekt Red lançou as versões de Cyberpunk 2077 para PlayStation 5, Xbox Series X e Xbox Series S. As otimizações chegaram mais de um ano após o lançamento original do jogo, em dezembro de 2020 — lançamento este que, como já sabemos bem, foi extremamente conturbado e decepcionante.

Nos últimos 13 meses, o estúdio do aclamado The Witcher 3: Wild Hunt fez o que deveria ter sido feito antes da estreia de Cyberpunk 2077: polir e corrigir os diversos problemas do game, que saiu do forno prematuramente. Após muitas atualizações com melhorias e novidades, podemos considerar que fevereiro de 2022 foi o verdadeiro lançamento do jogo.

Então, será que agora é o momento ideal para viver a experiência futurista criada pelo estúdio polonês? Será que Cyberpunk 2077 encontrou (ou pelo menos está perto de encontrar) o caminho da redenção? A equipe de games do Canaltech jogou a versão mais recente do jogo, em diferentes plataformas, e conta o que achou a seguir.

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Experiência no PlayStation 5 – por Bruna Penilhas

Finalizei Cyberpunk 2077 pela primeira vez em janeiro de 2021, jogando a versão retrocompatível do PS4 no PS5. Particularmente, não achei a experiência horrível, mas também estava longe de ser o jogo que eu havia idealizado por tanto tempo. Embora tenha encontrado apenas dois bugs problemáticos, tendo um deles impedido o meu progresso em uma missão secundária, crashes constantes interromperam a minha experiência — o erro que fecha abruptamente o aplicativo do jogo aconteceu, pelo menos, umas 35 vezes comigo.

Assim como outros jogadores, concordo totalmente que o sistema de progressão deixou a desejar. Cyberpunk 2077 não chegou ao mercado como o profundo RPG que havia prometido ser, mas sim com mecânicas superficiais e pouco impactantes. Não preciso nem mencionar os estranhos sistemas de tráfego e população, né? A repetição questionável de NPCs (personagens não jogáveis) pelo mapa e a falta de carros nas ruas são falhas que prejudicam a imersão em um game de mundo aberto como este.

Por ter jogado no PS5, mesmo sendo a versão retrocompatível, não tive os mesmos problemas gráficos de quem jogou no console da geração passada. O SSD do atual videogame da Sony conseguiu estabilizar a experiência na medida do possível, apesar de rolarem uns engasgos aqui e ali por conta da falta de otimização. Jogar a primeira versão de Cyberpunk 2077 no PS5 impediu que a minha jogatina fosse um completo desastre. Apesar das falhas, consegui apreciar a história e me apaixonei pelas viagens que tive por Night City.

É por isso que estava empolgada para jogar o game mais uma vez quando a atualização para nova geração ficasse disponível. Após testar as melhorias específicas para PlayStation 5 por algumas horas, é seguro dizer que esta é a versão que gostaria de ter jogado no lançamento original. O game está muito mais bonito e estável, não há dúvidas, mas ainda pode decepcionar quem espera encontrar mecânicas de gameplay muito complexas e profundas — acredito que isso nunca mudará, já que provavelmente envolveria a reformulação completa de alguns sistemas.

Quem já possui uma cópia do jogo no PS4 ou Xbox One pode fazer o upgrade gratuito para jogar no PS5 e Xbox Series X|S (Imagem: Divulgação/CD Projekt Red)

No retorno ao mundo de Cyberpunk 2077, não enfrentei crashes ou bugs graves — inclusive, consegui finalizar aquela missão secundária que estava bugada. Visualmente, as melhorias na iluminação, nitidez e texturas são bastante notáveis. As diferenças nos detalhes do rosto do protagonista no menu de customização, por exemplo, é gritante. Saímos de um boneco de plástico estranho para um personagem que realmente parece ter sido feito com a atenção que merece.

Testei os dois modos gráficos disponíveis no PS5: o Modo Performance, que prioriza a taxa de quadros por segundo a 60 FPS e resolução 4K; e o Modo Ray-Tracing, que ativa a tecnologia de traçado de raio e mantém o jogo em 30 FPS. Pessoalmente, não gostei de manter a taxa de quadros mais baixa — parece um grande desperdício, já que os benefícios do ray tracing não proporcionam uma mudança muito significativa no visual. E apesar do Modo Performance ser o equilíbrio ideal, presenciei engasgos durante os momentos em que entrava em uma nova área/bairro do mapa. Um problema incômodo, sim, mas nada extremamente prejudicial.

No geral, o saldo para a minha experiência é positivo. Os novos conteúdos e DLCs também trouxeram um toque especial para a personalização do jogo, apesar de parecerem bobos e dispensáveis para alguns jogadores. Para quem, assim como eu, aprecia uma boa customização, as novas opções de maquiagem e de design para o apartamento de V são ótimas adições que deixam a sua vida por Night City um pouco mais pessoal. O sistema de progressão também foi reformulado, de maneira que deixa a distribuição de pontos um pouco mais significativa para o gameplay.

Sim, acredito que este seja o melhor momento para jogar Cyberpunk 2077 se você tem um PlayStation 5. A CD Projekt Red errou muito, errou feio, mas toda a equipe do jogo parece empenhada em corrigir, aos poucos e sem pressa, esta grande pilha de problemas. E não parece que acabará por aqui, já que mais atualizações e correções devem chegar nos próximos meses, bem como as prometidas expansões e o modo multiplayer, cujo desenvolvimento está congelado para que o jogo base seja melhorado.

Sei e entendo que, levando em consideração o histórico problemático do game, é difícil acreditar que algo bom possa sair disso. Se você já estiver certo que não gostará do game e que ele é um fiasco completo, não há absolutamente mais nada que possa ser feito para mudar a sua ideia. Mas se estiver disposto a dar uma segunda ou até primeira chance, vá de cabeça aberta, sabendo que poderá encontrar um bug ou outro. As belezas e os perigos de Night City estão prontos para abraçá-lo, desde que você esteja disposto a fazer o mesmo.

Cyberpunk 2077 ainda ganhará duas expansões e um modo multiplayer no futuro. (Imagem: Divulgação/CD Projekt Red)

Experiência no Xbox Series X – por Felipe Demartini

A experiência de retornar a Cyberpunk 2077 no Xbox Series X mais de um ano depois de, inclusive, ter publicado a análise do game no Canaltech, foi peculiar. Muito porque retomei o game a partir de um save pela metade da história, o que me deu mais recursos e opções de exploração para realmente conferir o que mudou no game; também porque a missão em que eu estava mostrou bem o contraste que ainda é a principal marca, positiva e negativa, do game.

Para quem jogou, meu reencontro com o mundo aconteceu na missão Riders on the Storm, onde temos que resgatar Saul de um grupo de mercenários junto com Panam. Ela começa à noite, envolve um pouco de aparato tecnológico e, no meio do caminho, tem luzes de neon e uma tempestade de areia. No final, abrimos a porta de uma cabana escura para dar de cara com a iluminação do sol nascendo e, também, em todos esses aspectos, uma demonstração de como o conjunto visual de Cyberpunk 2077 melhorou com o upgrade para os consoles de nova geração.

Mas cuidado ao ficar olhando para o céu, pois Panam pode te atropelar. E é melhor sair da frente dos NPCs nas ruas movimentadas enquanto observa os detalhes, já que eles podem travar em você ou sair voando ao serem atingidos pelos carros. E, claro, cuidado com a polícia, que continua aparecendo sempre nas suas costas, ainda que a maior população de Night City facilite na fuga e transforme os momentos de tiroteio em um caos interessante.

Ainda há um longo caminho para Cyberpunk 2077 e isso fica claro. Restam, também, dúvidas se a CD Projekt Red um dia vai chegar lá, principalmente quando se leva em conta que tudo, desde a jogabilidade até os tiroteios, as missões que não se completam ou os personagens em pose T, seguem como obstáculos para aproveitar a trama, um dos poucos aspectos indiscutivelmente interessantes do game.

Experiência em um PC com configurações altas – por Felipe Goldenboy

Tive uma experiência satisfatória com Cyberpunk 2077 no PC, mas ainda é frustrante que erros básicos aconteçam um ano após o lançamento do jogo. O que mais chamou minha atenção foram os NPCs: vi vários com T-poses (a pose padrão em que os desenvolvedores criam os personagens, em que eles ficam estáticos com os dois braços levantados), aparecendo repentinamente na rua e trombando uns com os outros e com o próprio cenário. Isso aconteceu inclusive no tutorial.

A inteligência artificial dos personagens também continua pífia: muitos não faziam nada quando eu os atacava — mas a polícia, é claro, logo estava no meu pé. Outro caso curioso é que eles demoraram alguns longos segundos para reagir a um tiroteio frenético, que estava acontecendo a poucos metros de distância.

Sim, são apenas bugs estéticos que não afetam o gameplay nem a história; no entanto, tiram o brilho de Night City e estragam toda a imersão no jogo — afinal, isso aqui é um RPG, certo? Quem sabe no ano que vem.

Configurações do PC utilizado:

  • Placa-mãe: MSI B560M PRO-VDH
  • Processador: Intel Core i7-11700k 11ª Geração 3.6 GHz
  • Placa de vídeo: AORUS GeForce RTX 3070 8GB
  • Memória: 32GB DDR4

Experiência em um PC com configurações médias – por Igor Pontes

Tive alguns bugs nas versões anteriores de Cyberpunk 2077. Lembro que o principal deles aconteceu ao realizar uma missão de coletar uma criminosa e entregar para a polícia. Ao tentar colocá-la no porta-malas do carro, a personagem caía dos braços do meu V. A missão acabou concluindo comigo matando a personagem. Os outros erros que tive eram mais focados na parte visual do que qualquer coisa. Agora, com a nova versão, a otimização do jogo melhorou muito e quase não tive problemas visuais enquanto jogava.

Cyberpunk 2077 ainda apresenta bugs em todas as versões, mas performance geral foi melhorada. (Imagem: Divulgação/CD Projekt Red)

O único ponto que chamou a minha atenção foi um bug peculiarmente engraçado: estava a caminho de uma missão quando, do nada, uma porção de grama surgiu na tela no meio do asfalto, como se a natureza estivesse se rebelando contra Night City. Fui tão surpreendido por aqui que acabei batendo minha moto enquanto dava algumas risadas. De resto, o gameplay está melhor em um computador que não tem configurações topo de linha, mas fui capaz de jogar com gráficos na qualidade alta.

Configurações do PC utilizado:

  • Placa-mãe: Asrock A320M-HD
  • Processador: Ryzen 5 2400g 3.60hz
  • Placa de vídeo: GTX 1050ti 4GB
  • Memória: 16 GB RAM DDR4

Fonte feed: canaltech.com.br

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