Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (05/02 a 11/02/2022)

As imagens astronômicas selecionadas pela NASA nesta semana estão repletas de objetos fascinantes. Você encontra aqui uma visualização tridimensional de um sistema estelar que poderá explodir em alguns milhões de anos, uma galáxia que parece ter um grande guarda-chuva sobre seu centro e até uma vizinha da Via Láctea, que está “escondida” atrás de poeira — tanto que ela acabou conhecida pelo apelido “galáxia oculta”.

Mas claro que as imagens de fenômenos da Terra não podiam ficar de fora também. Por isso, o compilado incluiu também um registro incrível, que mostra o brilho das auroras de um lado no céu, e do outro, pilares de luz. Por fim, você encontra um retrato da Terra, feito durante a missão Apollo 17.

Confira:

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Sábado (05) — As estrelas de R Aquarii

R Aquarii é um sitstema binário, formado por uma anã branca e uma gigante vermelha (Imagem: Reprodução/NASA/CXC/SAO/R. Montez et al./NASA/ESA/STScI/Judy Schmidt)

A cerca de 650 anos-luz do nosso planeta, há uma dupla de estrelas presas em uma espécie de dança cósmica violenta. Elas formam o sistema binário R Aquarii, que aparece aqui em dados de raios X, coletados pelo telescópio Chandra (em roxo) e na luz visível e quase infravermelha, observada pelo Hubble (em vermelho e azul).

Uma destas estrelas é uma gigante vermelha que já está chegando ao fim de sua vida. Ela é conhecida como uma estrela variável Mira, ou seja, já perdeu quase metade da matéria que a forma e, conforme pulsa, chega a brilhar tanto que fica mil vezes mais luminosa que o Sol. Já sua vizinha é uma anã branca, uma estrela “morta” que esgotou suas reservas de combustível nuclear. Conforme a gigante vermelha expele material, a anã branca o coleta.

Esta matéria é acumulada em sua superfície, e causa explosões termonucleares que ejetam o material para o espaço. Estas explosões já foram observadas nas últimas décadas — e há evidências delas nas estruturas na imagem acima, que se estendem por quase 1 ano-luz. As áreas em roxo mostram o brilho das ondas de choque, conforme o jato emitido pela anã branca atinge o material por perto.

Domingo (06) — Lembrança da Apollo 17

A Terra, registrada pelos astronautas da missão Apollo 17 (Imagem: Reprodução/NASA, Apollo 17 Crew)

No dia 7 de dezembro de 1972, a NASA lançou a missão Apollo 17, a última missão do programa Apollo a levar astronautas à Lua e a última viagem espacial tripulada para qualquer destino além da órbita terrestre. Enquanto o comandante Eugene A. Cernan, o piloto do módulo de comando Ronald E. Evans e Harrison H. Schmitt, piloto do módulo lunar, seguiam com destino ao nosso satélite natural, eles conseguiram essa belíssima visão do nosso planeta.

A foto icônica mostra uma área que se estende do Mar Mediterrâneo e vai até as calotas polares no sul da Antártida. Além disso, há uma grande cobertura de nuvens no hemisfério sul, enquanto quase todo o litoral africano segue visível, com destaque para a Península Arábica, na porção nordeste da África. Esta imagem é considerada uma das mais amplamente distribuídas do mundo.

Esta foto marcou também a primeira vez que a trajetória de uma das missões do programa permitiu fotografar o gelo do polo sul do nosso planeta. A imagem representa também a primeira vez em que um ser humano conseguiu registrar a Terra em sua totalidade. Não é possível ver a forma esférica do nosso planeta a menos que você esteja a alguns bons milhares de quilômetros de distância, algo que somente os tripulantes do programa Apollo conseguiram.

Segunda-feira (07) — Guarda-chuva cósmico

Este “guarda chuva” é, na verdade, um fluxo de estrelas (Imagem: Reprodução/ CFHT, Coelum, MegaCam, J.-C. Cuillandre (CFHT) & G. A. Anselmi (Coelum)

Já imaginou um guarda-chuva formado por estrelas? É quase o que vemos na imagem acima, com a diferença de que este “guarda-chuva espacial” é formado por um fluxo de estrelas arrancadas de uma galáxia satélite — ou seja, uma pequena galáxia que está gravitacionalmente presa a uma maior, sua “anfitriã”.

No caso desta foto, a galáxia principal é a NGC 4651, uma galáxia espiral de tamanho parecido com a da Via Láctea. Seu guarda-chuva estelar parece se estender por 100 mil anos-luz acima do disco dela, e é considerado o resultado de algumas interações violentas ocorridos no passado. Uma galáxia pequena parece ter se encontrado várias vezes com a NGC 4651, até que acabou rompida.

As estrelas que sobraram provavelmente vão cair de volta, tornando-se membros de uma galáxia combinada ainda maior; mas, sem pressa, já que ainda deverá levar alguns milhões de anos para acontecer. A imagem foi feita pelo telescópio Canada-France-Hawaii Telescope (CFHT), instalado no Havaí.

Terça-feira (08) — Dois fenômenos, uma foto

À esquerda, o brilho de uma aurora boreal; à direita, as cores verticais dos pilares de luz (Imagem: Reprodução/Alexandre Correia)

De um lado, temos uma aurora; do outro, pilares de luz coloridos. Fica até difícil decidir qual deles o mais bonito, não é? No caso da parte esquerda da imagem, vemos auroras, um fenômeno que tem início com as partículas expelidas pelo Sol. Ao chegarem por aqui, algumas delas encontram o campo magnético do nosso planeta e chegam à atmosfera, interagindo com os diferentes gases dela e formando as auroras coloridas e brilhantes que conhecemos.

Já à direita, está o resultado das luzes no solo refletidas por milhares de pequenos cristais de gelo em nuvens de alta altitude, formando os pilares de luz. Como os cristais são principalmente achatados, os pilares ocorrem em colunas na direção vertical, refletindo a coloração da iluminação em solo e criando essa luminosidade impressionante. Geralmente, os pilares de luz ocorrem quando o tempo está bem frio.

Se você reparar bem, perceberá ainda que há várias estrelas brilhando no céu, como as da constelação de Órion, o Caçador — e, claro, no meio disso tudo, está o astrofotógrafo acenando para a foto. Este registro foi capturado em Kautokeino, na Noruega.

Quarta-feira (09) — Modelo de Eta Carinae

A apenas 10.000 anos-luz da Terra, há um sistema estelar binário com cerca de 100 vezes a massa do Sol. Este sistema é uma espécie de “bomba relógio”, pronta para explodir em uma supernova em alguns milhões de anos — e, quando isso acontecer, a Terra será inundada por raios gama perigosos, capazes de destruir a atmosfera terrestre. A estrela em questão é Eta Carinae, considerada por alguns a mais perigosa próxima do nosso planeta.

Formada por um sistema de pelo menos duas estrelas, ela já deu sinais da explosão que a aguarda em 1840, quando emitiu uma explosão poderosa o suficiente para torná-la a estrela mais brilhante do céu noturno por algum tempo. Depois que tudo se acalmou, ela não foi destruída, mas deixou para trás uma estrutura conhecida como “nebulosa Homúnculo”.

Esta estrutura cerca a estrela, e estudá-la é uma forma de os cientistas conseguirem informações importantes sobre a explosão que ocorreu. Ela aparece na visualização tridimensional acima, produzida com dados da luz visível, ultravioleta e de raios X, coletados por diferentes observatórios espaciais da NASA.

Quinta-feira (10) — A estrela T Tauri

Estrela T Tauri, acompanhada da Nebulosa Hind (Imagem: Reprodução/Dawn Lowry, Gian Lorenzo Ferretti, Ewa Pasiak e Terry Felty)

Um pouco acima do centro desta imagem, há uma estrela com brilho alaranjado. Trata-se da T Tauri, a estrela que ajudou a dar o nome utilizado hoje para designar a classe das estrelas com menos de dez milhões de anos, enquanto ainda não se tornaram estrelas de sequência principal. Ao lado dela, está a NGC 1555, a Nebulosa Variável Hind.

Esta é uma nebulosa iluminada pela estrela T Tauri, o que a torna, portanto, uma nebulosa variável, cujo brilho muda de acordo com as variações da estrela que a ilumina. Ambas ficam a aproximadamente 650 anos-luz, nos limites da nuvem molecular Taurus, e mostram variações significativas no brilho — e, curiosamente, essa variação não ocorre, necessariamente, ao mesmo tempo.

As estrelas T Tauri são consideradas estrelas parecidas com o Sol e jovens, que ainda estão nas etapas iniciais de sua evolução. No caso da T Tauri, ela faz parte de um sistema múltiplo, e é possível que a Nebulosa Hind tenha algum outro objeto estelar bem jovem em seu interior. Esta é uma imagem composta, que mostra uma área que se estende por aproximadamente 8 anos-luz.

Sexta-feira (11) — A galáxia oculta

A galáxia IC 342, conhecida como “galáxia oculta” (Imagem: Reprodução/Daniel Feller

Escondida em meio às estrelas, gases e nuvens de poeira do plano da Via Láctea, há a galáxia IC 342. Ela está relativamente próxima de nós, mas como fica em áreas repletas de poeira próximas da região equatorial da nossa galáxia, é difícil observá-la; por isso, ela acabou conhecida pelo apelido “Galáxia Oculta”. Se não houvesse estas estruturas escondendo-a, a IC 342 provavelmente seria visível até mesmo a olho nu.

A poeira dificulta a determinação precisa da distância desta galáxia em relação a nós, mas as estimativas modernas a colocam em algum ponto entre 7 milhões de anos-luz e 11 milhões de anos-luz. Ela foi descoberta em 1892 pelo astrônomo William Frederick Denning, e é considerada um dos membros mais brilhantes do grupo galáctico IC 342/Maffei.

Considerado o mais próximo do Grupo Local, aquele do qual a Via Láctea faz parte, o IC 342/Maffei faz parte do superaglomerado galáctico Virgem, e é considerado um grupo binário. É que as galáxias que o integram estão concentradas, principalmente, em duas posições: ou elas estão ao redor da IC 342, ou ao redor de Maffei 1, a outra galáxia mais brilhante do IC 342/Maffei.

Fonte: APOD

Fonte feed: canaltech.com.br

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