Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (19/03 a 25/03/2022)

Outro sábado chegou, acompanhado de mais um compilado de imagens astronômicas reunidas pela NASA no site Astronomy Picture of the Day. Aqui, você encontrará uma imagem fascinante de uma estrela fotografada pelo telescópio James Webb, após a conclusão de uma etapa importante do alinhamento de seus espelhos — até a equipe do observatório ficou surpresa com a foto!

Além disso, a seleção de imagens desta semana trouxe uma galáxia de aparência peculiar, que ficou com um de seus braços distorcidos após interações gravitacionais com uma vizinha. As fotos de fenômenos na Terra não poderiam ficar de fora e, desta vez, temos um registro de belíssima aurora ocorrida após uma ejeção de massa coronal, junto de uma composição de milhões de imagens produzidas no ano passado.

Confira:

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Sábado (19) — Estrela pelos “olhos” do James Webb

Estrela 2MASS J17554042+6551277 fotografada pelo telescópio James Webb (Imagem: Reprodução/NASA, STScI, JWST)

Esta é a estrela 2MASS J17554042+6551277, fotografada pelo telescópio espacial James Webb após o fim de uma etapa crítica do processo de alinhamento de seus espelhos. Após alinhar os segmentos do espelho primário do novo observatório para formar uma superfície única e contínua, a equipe o focou na estrela. Assim, o registro foi produzido como um teste, para verificar o resultado do procedimento.

Apesar de ser a “estrela” da foto — com o perdão pelo trocadilho —, repare que a 2MASS J17554042+6551277 não apareceu sozinha na imagem; além dela, há várias galáxias brilhantes, que também acabaram fotografadas graças à altíssima sensibilidade dos instrumentos do telescópio. O James Webb registrou a foto em um comprimento de onda de 2 mícrons, dentro da porção infravermelha do espectro eletromagnético; já a coloração vermelha foi adicionada para melhorar o contraste.

As estruturas “pontiagudas” na estrela vêm do espelho primário do telescópio: juntos, os 18 segmentos hexagonais imprimem um padrão de difração fraco, que faz com que as estrelas brilhantes fiquem segmentadas, como os flocos de neve — e, segundo a equipe do James Webb, o fato de as “pontas” da estrela terem aparecido tão nitidamente mostra que os espelhos foram perfeitamente alinhados.

Domingo (20) — Pôr do Sol durante o equinócio

Pôr do Sol na direção oeste, durante o equinócio de 2015 (Imagem: Reprodução/Roland Christen)

Em 2015, durante o equinócio de março, o fotógrafo registrou o Sol se pondo na direção oeste — e, apesar de a foto ter sido feita nos Estados Unidos, seria possível ver o pôr do Sol no oeste em quase qualquer lugar do planeta (as exceções são as regiões dos polos). É que, graças à inclinação da Terra, duas vezes por ano o Sol nasce no leste e se põe no oeste; nisso, os dois hemisférios do planeta recebem quase a mesma quantidade de luz solar.

É daí que vem o nome do fenômeno: a palavra “equinócio” é formada pelos termos “aequus” e “nox” que, em latim, significam “igual” e “noite”, respectivamente. Para os nossos ancestrais, o dia e a noite até pareciam ter a mesma duração durante o equinócio, mas hoje se sabe que este não é o caso: na verdade, há pequenas variações e o dia fica até um pouco mais longo que a noite — tanto que, em latitudes médias, há cerca de 8 minutos a mais de luz.

Como a inclinação de 23,5º da Terra é a responsável pelas estações do ano, o equinócio indica que nosso planeta chegou ao ponto de sua órbita em que seu eixo não está inclinado em relação ao Sol. Assim, o hemisfério sul inicia os dias de outono, seguidos do inverno, enquanto o norte começa a primavera e, depois, o verão.

Segunda-feira (21) — O céu de 2021

Keograma formado por fotos feitas a cada 15 minutos, ao longo de 2021 (Imagem: Reprodução/Cees Bassa (Netherlands Institute for Radio Astronomy)

No ano passado, uma câmera instalada em uma cidade da Holanda tirou fotos completas do céu diariamente, a cada 15 minutos. A imagem acima reúne estas fotos em um único keograma, um tipo de visualização criada por cientistas para observar auroras boreais através de imagens que capturavam o céu inteiro. A vantagem de utilizá-los é que permitem representar as mudanças que ocorreram ao longo de um dia, através de uma câmera fixa.

Formado por mais de 2 milhões de imagens, este keograma mostra janeiro na parte superior, e dezembro, na inferior. As áreas com cor azulada mais clara representam os períodos do dia, enquanto a região central, mais escura, é formada por fotos feitas durante a noite — ao observar esta área, você perceberá algumas faixas claras na diagonal, que representam o brilho da Lua cruzando o céu noturno.

A parte central do keograma, onde a faixa escura se estreita, indica o solstício de verão, marcado por dias mais longos; em paralelo, as partes mais escuras da faixa sinalizam o solstício de inverno. Já algumas áreas ficaram claras devido ao céu encoberto na Holanda. Por fim, o equinócio ocorrido no início de 2021 também aparece aqui; para encontrá-lo, procure na parte superior da imagem.

Terça-feira (22) — Aurora boreal

Aurora boreal formada após uma grande ejeção de massa coronal; há quem enxergue a forma de um pássaro nela (Imagem: Reprodução/Göran Strand)

O mês de março começou com atividade solar: no início do mês, nosso astro liberou uma grande ejeção de massa coronal (CME). Trata-se de grandes bolhas gasosas expelidas pelo Sol ao longo de algumas horas, que disparam nuvens de prótons, elétrons e íons em direção à Terra. Enquanto parte delas segue viagem pelo Sistema Solar, algumas encontram o campo magnético do nosso planeta e produzem auroras boreais espetaculares, como a desta foto.

As auroras ocorrem porque, quando os íons interagem com a magnetosfera (a região ao redor da Terra dominada pelo campo magnético), parte deles fica presa na ionosfera, o nome dado à parte superior da atmosfera terrestre marcada pela ionização. Ali, os íons colidem com diferentes átomos, como o nitrogênio e o oxigênio, e a energia do encontro é liberada na forma das luzes coloridas que vemos.

Como as auroras precisam da atividade solar para acontecerem, é possível que outros fenômenos intensos, como aquele responsável pela aurora fotografada, continuem acontecendo em função do momento em que o Sol está. Nosso astro passa por ciclos de 11 anos formados pelo mínimo e máximo solar, períodos de menor e maior atividade, respectivamente. Atualmente, o Sol está a caminho de iniciar o máximo solar.

Quarta-feira (23) — Nebulosa da Bolha

A Nebulosa da Bolha mede aproximadamente 7 anos-luz de extensão (Imagem: Reprodução/NASA, ESA, Hubble/Mehmet Hakan Özsaraç)

Esta nebulosa pode até ter formato que lembra o de uma bolha cósmica colorida e delicada, mas não se engane: em seu interior, há evidências de processos violentos. Acima do centro da nebulosa, mais para o lado esquerdo, há uma estrela do tipo O. Além de ser 45 vezes mais massiva que o Sol, ela é quente e algumas centenas de milhares de vezes mais brilhante que nosso astro.

O gás da estrela está tão aquecido que escapa para o espaço através do vento estelar, se movendo a milhões de quilômetros por hora; nisso, o gás encontra o gás interestelar mais frio à frente, formando a parte externa da bolha. Já na superfície dela, o gás se expande para fora e encontra regiões frias de gás em apenas um lado da bolha, o que faz com que a estrela pareça estar fora do centro dela.

A Nebulosa da Bolha mede aproximadamente 7 anos-luz de extensão e fica na constelação Cassiopeia, a 7.100 anos-luz da Terra. Ela foi descoberta em 17897 pelo astrônomo William Herschel, e aparece aqui em uma imagem composta e reprocessada posteriormente, produzida a partir de dados coletados pelo telescópio espacial Hubble.

Quinta-feira (24) — Galáxia distorcida

A galáxia Arp 78 ficou com um braço distorcido após interações gravitacionais (Imagem: Reprodução/International Gemini Observatory / NOIRLab / NSF / AURA/T.A. Rector (Univ. Alaska Anchorage), J. Miller (Gemini Observatory/NOIRLab), M. Zamani & D. de Martin)

A cerca de 100 milhões de anos-luz, além das estrelas e nebulosas da Via Láctea, fica a galáxia Arp 78. Também catalogada como “NGC 772”, esta galáxia chama a atenção por um dos braços de sua espiral, que se destaca por ser mais proeminente — perceba que ele parece se estender em direção ao lado esquerdo nesta imagem, produzida pelo telescópio Gemini Norte, instalado no Havaí.

Esta característica é fruto de interações gravitacionais ocorridas entre NGC 772 e sua vizinha NGC 770, uma galáxia anã elíptica. As interações das marés gravitacionais ocorridas entre a NGC 772 e sua pequena companheira acabaram distorcendo e estendendo um de seus braços; no fim, a galáxia ficou com a aparência assimétrica que vemos na foto.

Devido à aparência pouco usual, a galáxia NGC 772 apareceu no Atlas das Galáxias Peculiares, que reúne algumas das galáxias mais curiosas e inusitadas no universo escolhidas cuidadosamente pelo astrônomo Halton Arp. O atlas contém 338 galáxias de diferentes formas, selecionadas e reunidas ali para os astrônomos terem acesso a um material composto por algumas das estruturas mais peculiares destes objetos.

Sexta-feira (25) — A Nebulosa da Medusa

A Nebulosa da Medusa é uma nebulosa planetária, formada pela morte de uma estrela de pouca massa (Imagem: Reprodução/Damien Cannane)

Os filamentos gasosos brilhantes desta nebulosa já nos dão uma ideia do nome popular dela. Catalogada como “Abell 21”, a Nebulosa da Medusa é uma antiga nebulosa planetária a cerca de 1.500 ano-luz de nós, na constelação Gemini, os Gêmeos. E, assim como aconteceu com a figura mitológica que inspirou seu nome popular, este objeto também passou por uma transformação dramática.

A nebulosa planetária é a etapa final na evolução de estrelas de baixa massa, como o Sol. Quando consomem todo o hidrogênio em seu núcleo, essas estrelas expandem suas camadas e se tornam gigantes vermelhas. Nisso, a maior parte das camadas externas é expelida, deixando para trás somente um núcleo que se tornará uma anã branca. Este núcleo libera ventos rápidos que empurram a atmosfera expelida e, assim, formam nebulosas planetárias.

Perceba que, no fim das contas, o termo “nebulosa planetária” não tem relação alguma com planetas. É que essa expressão foi cunhada pelo astrônomo William Herschel, que identificou estes objetos logo após descobrir o planeta Urano. Ao observar uma névoa esverdeada envolvendo-os, ele os achou parecidos com o planeta, e acabou definindo o nome que é utilizado até hoje.

Fonte: APOD

Fonte feed: canaltech.com.br

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