Documentos ligam a Huwaei a processos de vigilância da China, diz jornal do EUA

Há muito tempo, a Huawei tem sido questionada sobre a sua proximidade com o governo chinês. A empresa tem enfrentado dificuldades com a implantação das suas novas redes de telecomunicações 5G em diversos países, considerando a crescente preocupação por parte do ocidente com relação à coleta de informações que poderiam ser revertidas para Pequim, porém a gigante nega.

A empresa comunicou que não desenvolveu ou vendeu sistemas que visassem qualquer grupo específico de pessoas e exigiu que todas as partes do negócio, assim como os parceiros, cumprissem as leis aplicáveis e a ética comercial. Por outro lado, algumas apresentações em Power Point da big tech de telecomunicações indicam que a companhia chinesa cumpre um grande papel nos processos de vigilância da China, segundo o The Washington Post.

O Post analisou mais de 100 apresentações da empresa feitas com o software da Microsoft, na maioria consideradas “confidenciais”. Os documentos detalham como o governo poderia usar tecnologias disponíveis para identificar vozes, rastrear pessoas para fins políticos e monitorar o movimento de detentos dentro de prisões, além de outras táticas de vigilância.

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“A Huawei não tem conhecimento dos projetos mencionados no relatório do Washington Post”, disse a empresa em uma declaração ao jornal. “Como todos os outros grandes prestadores de serviços, a Huawei fornece serviços de plataformas de nuvem que atendem aos padrões comuns da indústria”.

Huawei já vem sendo questionada há anos sobre o assunto

O jornal não conseguiu confirmar a quem as apresentações foram mostradas, mas parte dos slides analisados detalharam táticas de vigilância específicas para agências governamentais, que parecem se referir aos polêmicos “campos de reeducação” de Uigures, na maioria muçulmana, em Xinjiang, na China.

A campanha do governo contra os Uigures atraiu a atenção da mídia internacional, e a Huawei tem sido questionada constantemente se seus equipamentos foram utilizados na repressão (Imagem: Reprodução/Reuters/Lucy Nicholson)

Um executivo da empresa disse em resposta a um relatório do Washington Post em 2020 sobre o teste de um “alarme Uigur” que poderia enviar um alerta à polícia quando identificasse um membro da minoria étnica nativa da região. Os membros da big tech não responderam com transparência a maioria das perguntas sobre como seus produtos são usados em Xinjiang, dizendo que a província não fazia parte do seu plano de negócios.

“Esse não é realmente um de nossos projetos”, disse o chefe global de cibersegurança da gigante chinesa, John Suffolk, quando perguntado por um comitê parlamentar britânico em 2019 sobre os sistemas de monitoramento instalados no local composto por equipamentos da Huawei. “Isto é feito através de uma terceira parte” acrescentou ele.

Os novos detalhes sobre os produtos de vigilância da Huawei vêm em meio a preocupações crescentes na China, e em todo o mundo, sobre os impactos do reconhecimento facial invasivo e outros rastreamentos biométricos.

Mesmo que o Partido Comunista Chinês continue a contar com tais ferramentas para erradicar a dissidência e manter sua regra de partido único, ele tem advertido contra o uso indevido das tecnologias no setor privado.

Em outubro, a Huawei e outras gigantes de tecnologia da segunda maior economia do mundo se comprometeram publicamente a não abusar do reconhecimento facial e de outras tecnologias de monitoramento.

Fonte: The Washington Post

Fonte feed: canaltech.com.br

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