Erosão de supermontanhas teria contribuído para a evolução da vida na Terra

Supermontanhas maiores do que os Himalaias teriam desempenhado um importante papel para a evolução da vida em dois momentos da história da Terra, há milhares de anos. É o que diz um novo estudo liderado pela Australian National University que rastreou a formação dessas cordilheiras e a possível relação do desgaste delas com o abastecimento de nutrientes nos oceanos.

Os geólogos acreditam que o desgaste dessas supermontanhas ao longo de milhares de anos forneceu uma grande quantidade de nutrientes para que a vida explodisse nos oceanos. Essas cordilheiras separaram antigos supercontinentes.

Os Himalaias se estendem por até 2.500 km (Imagem: Reprodução/Domínio Público)

O principal autor do estudo, Ziyi Zhu, disse que hoje não há nada que se compare com o tamanho dessas cordilheiras, que se estendiam por até quatro vezes a mais do que os Himalaias.

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O desgaste delas teria alimento dois dos maiores eventos evolutivos da Terra: primeiro, o surgimento das primeiras células complexas, há 2 bilhões de anos; e depois a explosão cambriana, na qual a vida marinha se multiplicou rapidamente por volta de 541 milhões de anos atrás. À medida que a erosão destruía as supermontanhas, os nutrientes lançados ao mar teriam acelerado a evolução.

Montanhas são o resultado da colisão entre placas tectônicas. Elas podem se erguer por quilômetros de altura, mas tão rápida quanto esta dinâmica é a erosão provocada pelos ventos, chuvas e outros fatores naturais que desgastam a paisagem.

Evolução das supermontanhas

Para entender a evolução dessas supermontanhas, os pesquisadores analisaram minerais deixados para trás. Por exemplo, cristais de zircão, que se formam sob altas pressões abaixo dessas cadeias de montanhas, podem fornecer informações sobre quando e onde foram formadas.

O supercontinente Gondwana ligava as porções de terra que hoje formam a África, América do Sul, Austrália, Antártida e Índia (Imagem: Reprodução/Domínio Público)

A primeira cadeia de montanhas já era conhecida, chamada Supermontanha Transgondwana. Ela cruzava o vasto supercontinente Gondwana que unia a África, América do Sul, Austrália, Antártida e Índia — entre 650 a 500 milhões de anos atrás.

A segunda cordilheira existiu entre 2 bilhões e 1,8 bilhão de anos atrás, conhecida como Supermontanha Nuna. A cadeia também teria se estendido por até 8 km no supercontinente anterior ao Gondwana, chamado Nuna (ou Colúmbia).

Os desgastes das supermontanhas lançaram grandes quantidades de ferro e fósforo ao mar através do ciclo da água. A formação da Supermontanha Nuna, por exemplo, coincide com o aparecimento das primeiras células eucarióticas — células com núcleo que evoluíram para plantas, animais e fungos.

Em extensão, as supermontanhas se assemelham à cordilheira dos Andes, no lado ocidental da América do Sul, com cerca de 8 mil km de comprimento (Imagem: Reprodução/NASA)

Enquanto isso, a erosão da Supermontanha Transgondwanan aconteceu no momento em que a vida se multiplicava rapidamente nos oceanos. Estudos anteriores descobriam que a formação de montanhas parou de 1,7 bilhão a 750 milhões de anos atrás, quando a vida marinha desacelerou a evolução.

Os pesquisadores ressaltaram que ainda são necessárias mais pesquisas para confirmar todas essas relações, mas destacaram que o novo estudo fornece boas evidências de como os pontos mais altos da Terra teriam alimentado a vida a quilômetros de distância nos oceanos.

A pesquisa foi apresentada no periódico Earth and Planetary Science Letters.

Fonte: Earth and Planetary Science Letters, Via ANU, Space.com

Fonte feed: canaltech.com.br

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