Giro da Saúde: suspensão de vacina da Janssen; paracetamol e AVC em hipertensos

A semana que passou foi de grande destaque na área de avanços científicos. Eles ganharam o noticiário com descobertas e novas abordagens contra condições que vão desde o Alzheimer até paralisia — passando, claro, pelas vacinas da covid-19. Abaixo, resumimos as notícias mais importantes dos últimos sete dias. Confira!

J&J vai fechar fábrica e suspender, por tempo indeterminado, fabricação de vacina da Janssen (Imagem: erika8213/Envato)

Na última terça-feira (8), fontes informaram ao jornal The New York Times que a Johnson & Johnson decidiu suspender — por tempo indeterminado — a fabricação da vacina da Janssen contra covid-19. Segundo os informantes, a medida é temporária e a empresa deve passar a produzir a fórmula em uma instalação localizada em Leiden, na Holanda. O motivo teria sido o fato de o imunizante não ser “economicamente rentável”.

Não se sabe quando a fábrica holandesa passará a manufaturar as vacinas da Janssen, no entanto, já que concentra esforços em outra vacina, ainda em fase experimental, que nada tem a ver com a covid-19. É esperado, portanto, que o fornecimento de doses da Janssen seja impactado com uma redução significante, na casa das centenas de milhões de doses. Isso pode afetar a distribuição de vacinas em vários países.

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Paracetamol: estudo alerta para chances 20% maiores de AVC e infarto em pacientes com pressão alta (Imagem: HeungSoon/Pixabay)

Na segunda-feira (7), um artigo que saiu na revista Circulation alertou para os riscos de uso de paracetamol em pessoas que sofrem de pressão alta: o remédio está associado a um aumento significativo nas chances de acidente vascular cerebral (AVC) e infarto do miocárdio.

Pesquisadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, analisaram 110 pacientes com histórico de hipertensão que tomavam paracetamol quatro vezes ao dia para dores crônicas, e os dividiram em dois gurpos: um que manteve o remédio, e outro que usou placebo, sem saber. Duas semanas depois, os cientistas notaram que o primeiro grupo teve um aumento significativo da pressão arterial. A conclusão é que o medicamento representa um risco 20% maior para infarto ou derrame em hipertensos.

Reforço da CoronaVac desencadeia 95% de resposta imune contra a variante (Imagem: Reprodução/ Governo de São Paulo)

Em uma pesquisa para avaliar a eficácia e segurança da CoronaVac contra a variante Ômicron, pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências descobriram que o reforço desencadeia uma resposta imune contra a variante em 95% dos imunizados. Entretanto, a resposta é menor quando comparada a outras cepas do coronavírus. O artigo saiu na Nature.

“Nosso estudo revelou que o regime de vacinação de três doses da CoronaVac induz uma resposta imune melhorada, com neutralização significativamente aumentada. Além disso, um subconjunto de anticorpos neutralizantes altamente potentes contra as variantes de preocupação estava presente em pelo menos quatro indivíduos [entre 60 investigados]”, afirmam os autores do estudo.

Após secção total da medula espinhal, homem volta andar, graças a implante elétrico (Imagem: digitalstormcinema/Envato)

Michel Rocatti, um homem que teve sua medula espinhal totalmente seccionada após um acidente de moto, ganhou fama na semana passada após conquistar, novamente, sua capacidade de locomoção, mesmo que temporária. Após ser publicado na revista Nature Medicine, o artigo foi um dos principais destaques da semana, uma vez que relata como um implante elétrico conseguiu fazer o homem voltar a andar.

Abaixo, um vídeo da New Scientist explica o procedimento (em inglês):

Por meio de cirurgia, os médicos ligaram o implante à espinha dorsal de Rocatti e tornaram-o a primeira pessoa do mundo com a medula cortada a voltar a andar. O implante envia sinais elétricos diretamente para as pernas, permitindo a locomoção, mas apenas enquanto a tecnologia permanece ativada, como em sessões de fisioterapia, por exemplo. Com isso, os próprios pesquisadores reconhecem que o implante não deve ser considerado uma cura para lesões na coluna, já que ainda não é prático o suficiente para ajudar no cotidiano — o que demandará anos de pesquisa.

Edição genética impede formação de placas amiloides, responsável pelo Alzheimer (Imagem: twenty20photos/Envato)

E para fechar o Giro deste domingo, outra abordagem científica ganhou destaque na última semana: a fim de combater a doença de Alzheimer, uma equipe de cientistas da Université Laval e do Québec-Université Laval Research Center conseguiram inserir uma mutação genética (in vitro), capaz de proteger contra a doença, em células humanas. A edição genética não prejudica o funcionamento do organismo.

Como o Alzheimer se desenvolve devido a um acúmulo de placas amiloides entre as células cerebrais, os neurônios vão, pouco a pouco, morrendo, o que resulta na neurodegeneração. É por meio da enzima beta-secretase que tais placas são formadas, e a mutação inserida nas células dificulta o trabalho desta enzima. Consequentemente, há uma redução substancial na formação de beta amiloide.

A mutação pode prevenir ou retardar a progressão da doença, mas não funciona para reparar danos neurológicos. Agora, os próximos passos serão longos, uma vez que consistem em refinar a pesquisa até que seja possível avaliar a edição genética em seres humanos. O estudo saiu na revista The CRISPR Journal.

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Fonte feed: canaltech.com.br

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