Impactos de asteroides em Mercúrio podem ter formado toneladas de diamantes

A onda de pressão causada pelos impactos de cometas e asteroides em Mercúrio, ocorridos a velocidades altíssimas, pode ter transformado o grafite que reveste grande parte da superfície do planeta em diamantes — e, talvez, haja uma grande quantidade deles por lá. É o que concluiu Kevin Cannon, geólogo da Colorado School of Mines, em um novo estudo apresentado na conferência Lunar and Planetary Science.

Conhecido por seus anos curtos e dias longos, as temperaturas em Mercúrio beiram os 426 ºC durante o dia, perdendo apenas para Vênus quando o assunto é calor. Além disso, o planeta teve um passado violento, e foi intensamente atingido por asteroides há 4 bilhões de anos. E, assim como aconteceu com vários outros do Sistema Solar, Mercúrio foi um planeta que passou o início de sua evolução coberto por oceanos de magma que, depois, se resfriaram e solidificaram.

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Ao contrário do que aconteceu em outros mundos, havia uma grande camada de grafite sobre essas rochas derretidas. Em seu estudo, Cannon modelou os efeitos dos impactos das rochas espaciais em até 20 km de profundidade na superfície de Mercúrio ao longo de bilhões de anos.

Ele descobriu que a camada de grafite ali poderia ter mais de 90 m de espessura, e a pressão dos impactos dos asteroides seria suficiente para transformar até 60% do composto em “diamantes de choque”. Portanto, Cannon concluiu que pode haver 16 quadrilhões de toneladas de diamantes por lá.

O passado de Mercúrio e o carbono

Caso existam, os diamantes devem ser minúsculos e provavelmente estão enterrados e dispersos na superfície do planeta. Apesar da grande quantidade de carbono, o autor alerta que os tais diamantes provavelmente são impuros, e dificilmente iria inspirar mineradores espaciais a quererem se aventurar por lá.

“Você vai acabar com uma mistura confusa de grafite, diamante e, talvez, algumas outras fases”, ressaltou Cannon. “Então, você não terá belos cristais que poderia polir e colocar em um anel”.

Os diamantes são formados quando depósitos de carbono são expostos a altas temperaturas e pressões (Imagem: Reprodução/photocreo/Envato)

Outros estudos já chegaram a conclusões parecidas, e cientistas planetários acreditam ter observado manchas escuras na superfície de Mercúrio, obtidas pelas câmeras da sonda Messenger, da NASA. “Se o material de baixa reflexão observado nessas bacias estiver escurecido por causa do grafite, que é o pensamos ser, então as camadas que vimos são espessas”, disse Laura Lark, pesquisadora da Brown University.

Se este for o caso, ela acredita que a quantidade de carbono corresponde àquela esperada de um oceano de magma — o que sugere que, talvez, Mercúrio já fosse rico em carbono desde o começo. Enquanto o planeta estava se formando, elementos metálicos afundaram e deram origem ao núcleo de Mercúrio, revestido por rochas se solidificando. Vários planetas mantêm carbono no manto que envolve o núcleo metálico, mas no caso deste, o carbono parece ter acabado preso nas camadas superiores.

Fonte: Via: Wired

Fonte feed: canaltech.com.br

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