Jatos solares são semelhantes a tinta em alto-falantes ligados; entenda

O comportamento de uma porção de tinta em um alto-falante ligado foi usado como analogia em um estudo para explicar os filamentos de plasma do Sol. O objetivo dos pesquisadores era demonstrar como o papel do campo magnético solar é semelhante ao das cadeias de polímeros em líquidos como tinta.

Nosso Sol é coberto por plasma, uma matéria ultra-quente composta por partículas carregadas. Essas partículas, por sua vez, respondem aos campos magnéticos (já que elas possuem carga), por isso os cientistas imaginam que os jatos e pontiagudos que surgem na superfície solar sejam criados por esse magnetismo.

Entretanto, pesquisadores ainda não chegaram a um consenso. Por exemplo, um estudo recente sugeriu que o efeito desses filamentos em forma de arco é, na verdade, uma ilusão de ótica (embora não negue que os jatos realmente existam).

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A tinta sobre auto-falantes cria jatos estáveis (Imagem: Reprodução/Dey et al./Nature Physics/PIB)

De acordo com aquele estudo, era esperado que os filamentos de plasma se espalhassem e criassem arcos mais finos e menos brilhantes. Mas o que as imagens do Sol mostram são filamentos que se projetam continuamente em formatos finos e brilhantes. Por isso os autores concluíram que estes arcos sejam simplesmente “dobras” em um grande “véu coronal”, e não resultado da interação com o campo magnético.

Já o novo estudo realizou uma série de experimentos e modelos de laboratório criando gotas de tinta sendo jogadas na superfície de um alto-falante enquanto a música toca. Quando o líquido é impulsionado pelas vibrações produzidas pelo áudio, em uma determinada frequência, ele se torna instável e começa a vibrar no ar.

Se o líquido for composto por longas cadeias de polímeros, como é o caso das tintas usadas, ele será disparado em jatos alongados. Essas cadeias moleculares mantêm os jatos de tinta estáveis — assim como o campo magnético ao redor do Sol pode manter os jatos de plasma.

Como explicou o físico Murthy O.V.S.N., da Universidade Azim Premji, na Índia, ele e sua equipe foram “estimulados pela semelhança visual entre as espículas solares e os jatos de tinta no alto-falante”. Assim, eles investigaram “o papel dos campos magnéticos no Sol usando simulações numéricas de última geração do plasma solar”.

Mais interessante é a conclusão do estudo de que os jatos solares curtos e longos são formados pelo mesmo mecanismo. Há, entre os cientistas, um certo consenso de que cada uma dessas formas de filamentos é gerada por físicas distintas. Se o novo artigo estiver correto, ambos podem ser criados pelas mesmas forças de convecção e magnetismo no plasma.

A pesquisa foi publicada na Nature Physics.

Fonte: Nature Physics, PIB; via: ScienceAlert

Fonte feed: canaltech.com.br

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