Missões da China para a Lua e Marte se destacam com resultados científicos

As missões Tianwen-1 e a Chang’e 5, ambas da China, estão rendendo grandes resultados científicos — tanto que os dados e resultados destas missões exigiram uma sessão especial da conferência Lunar and Planetary Science Conference (LPSC) para serem apresentados. Lançadas em 2020 com destino a Marte e à Lua, respectivamente, as duas missões vêm despertando amplo interesse na ciência planetária realizada pelo país.

A Tianwen-1 foi lançada em 2020, levando um orbitador e um rover com destino a Marte. Já a Chang’e 5 viajou com destino à Lua e coletou cerca de 1,7 kg de amostras do nosso satélite natural, trazendo-as à Terra para análises e diferentes aplicações em instituições científicas e universidades — no ano passado, 17 g das amostras foram distribuídos a 13 instituições de pesquisa.

Cápsula com amostras da Lua coletadas pela missão Chang’e 5 (Imagem: Reprodução/Our Space/ Wang Jiangbo)

Durante o evento, uma equipe apresentou um estudo conduzido por cientistas norte-americanos, chineses e europeus, que destacou como a relativa juventude das amostras permite refinar as idades estimadas das superfícies no Sistema Solar através da contagem de crateras em regiões específicas.

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Para Yuqi Qian, autor de um dos estudos apresentados na conferência, a Chang’e 5 deu início a uma nova era da ciência planetária e lunar da China. “Nós temos dezenas de universidades e institutos afiliados à Academia Chinesa de Ciências que começaram a trabalhar em ciências planetárias, com várias novas faces”, disse.

Alguns dos resultados da Tianwen-1

Lançada em 2020, a Tianwen-1 foi a primeira missão interplanetária da China. O rover Zhurong, parte da missão, pousou em Marte no início do ano passado, na região de Utopia Planitia; já no início de fevereiro, o veículo já havia se deslocado pela distância total de 1,5 km. Enquanto isso, o orbitador Tianwen-1 estava transmitindo dados do rover para a Terra, mas mudou sua órbita em 2021 e vem se dedicando a objetivos científicos próprios.

“Selfie” do rover Zhurong, em Marte (Imagem: Reprodução/CNSA)

Durante a conferência, cientistas de universidades de Hong Kong e institutos em Wuhan e Wei relataram que, ao contrário do que se observa na superfície de Marte, a subsuperfície do Planeta Vermelho pode oferecer a energia e o líquido para seres vivos — e estes seres podem ter existido por lá no passado ou até mesmo no presente.

Eles produziram um artigo focado em vulcões de lama. Na Terra, essas formações geológicas podem expelir materiais de alguns quilômetros de profundidade, e podem ter materiais orgânicos significativos. Já em Marte, formações parecidas por perto do rover Zhurong podem oferecer uma forma única de acessar sedimentos profundos.

O rover está equipado com câmeras de terreno, câmeras multiespectrais e um detector de composição de superfície, que permite coletar dados da química e minerais presentes ali; enquanto isso, o radar permite observar até 100 m abaixo da superfície. Portanto, os autores acreditam que o rover Zhurong pode descobrir mais sobre o que há no interior da superfície do planeta.

Os artigos foram publicados no site da Lunar and Planetary Science Conference.

Fonte: Lunar and Planetary Science Conference (1, 2); Via: Space.com

Fonte feed: canaltech.com.br

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