Novos golpes usam iFood em “restaurantes fantasmas” e cobranças abusivas

Os golpes que exploram aplicativos de entrega de o iFood já estão se tornando lugar-comum, assim como os alertas sobre eles, o que está levando os criminosos a investirem em novas práticas para evitar detecção. Em novas variações de fraudes, os bandidos estão usando cadastros falsos em nome de restaurantes que não estão na plataforma e abusando do sistema de cancelamento de pedidos como forma de obter valores e clonar o cartão dos clientes do app.

O primeiro caso já tem até nome, sendo chamado por aí de “golpe da empresa fantasma”. É uma forma de abusar da própria plataforma, com o uso de cadastros em nome de restaurantes conhecidos, mas que não estão no iFood, como forma de ganhar dinheiro sem entregar pedidos. O usuário não tem como saber se o registro é legítimo ou não, enquanto o formato do próprio aplicativo dificulta a realização de estornos.

Ligações alegando problemas com entregadores ou com os próprios pedidos são os principais métodos de engenharia social usados para obter valores de forma fraudulenta (Imagem: Divulgação/iFood)

Quem usa sabe que, em caso de atrasos na entrega, a preferência do iFood é pelo contato do usuário com o próprio restaurante. Isso vale, principalmente, nos casos em que o estabelecimento tem sua própria rede de motoboys e não utiliza a do aplicativo, que também dá acesso a sistemas de rastreamento e chat. No restante do tempo, o cliente está “no escuro” e percebe tarde demais que, além da fome, pode ter dificuldades para reaver o dinheiro.

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Os golpes foram assunto na imprensa local de Campo Grande (MS), mas em casos ligados ao aplicativo 99 Food. Falando a jornais da região, usuários relataram ficarem sabendo do golpe apenas ao ligarem no restaurante solicitando informações sobre o atraso dos pedidos. O número cadastrado no app costuma ser falso, e ao descobrir o legítimo, o cliente também fica sabendo que a solicitação, na verdade, é falsa, já que o estabelecimento nem mesmo está cadastrado na plataforma.

Relatos nas redes sociais, entretanto, datam desde 2019 e indicam a presença de restaurantes cadastrados de forma fraudulenta no iFood. Felizmente, na maioria das situações, também há um retorno sobre a devolução de valores ou estornos por parte do aplicativo.

Golpista cobrou R$ 8 mil por uma pizza encomendada no iFood

Um abuso semelhante dos sistemas do iFood acontece em uma segunda variação de golpe conhecido, aquele em que o entregador solicita o pagamento de valores adicionais presencialmente, mesmo quando o usuário já acertou os valores pelo app. O roteiro é parecido, com uma ligação ou mensagem em nome do estabelecimento alegando problemas com o processo de delivery, mas tranquilizando o cliente de que o pedido seria entregue — mediante novo pagamento, claro.

Maquininhas de cartão com visores bloqueados ou quebrados impedem a vítima de ver os valores e possibilitam que montantes altos sejam passados sem serem percebidos (Imagem: Divulgação/Celcoin)

A diferença, aqui, é que o motoboy envolvido na fraude é capaz de efetivamente cancelar a entrega, após a ligação que tenta se passar pelo iFood. O entregador afirma, em seu app, que o cliente se recusou a passar o código de confirmação, uma medida recente de segurança implementada pela plataforma, enquanto, do outro lado, o usuário vê apenas a confirmação de que o pedido foi cancelado, dando aparência de legitimidade à alegação feita pelo telefone e, também, à ideia da entrega “por fora”.

Aconteceu nesta semana, inclusive, com o apresentador do Canaltech, Wagner Wakka, durante um pedido de pizza em São Paulo (SP). “Recebi uma ligação de um número que seria do iFood, se passando por uma atendente do [restaurante], dizendo que o pedido seria ‘derrubado’, mas que um novo motoboy faria a entrega”, contou, afirmando ter achado a situação estranha, mas seguindo adiante.

Mais estranheza quando o entregador chegou e pediu a inserção do cartão na maquininha, em vez do pagamento por aproximação — uma tentativa, possivelmente, de clonar o chip. Wakka relata ter sentido o representante bem ansioso, colocando o preço e pedindo a senha de forma rápida e deixando o local assim que a compra foi confirmada.

“Notei o golpe quando estava voltando para o apartamento e já pedi o bloqueio do cartão. Minutos depois, recebi a notificação sobre o bloqueio de uma compra de R$ 8 mil reais”, contou o apresentador. Ele ainda entrou em contato com o estabelecimento para informar o ocorrido, o que permitiu confirmar o cancelamento do pedido, feito pelo próprio motoboy durante a rota de entrega.

O Canaltech entrou em contato com o iFood sobre os casos relatados, solicitando mais informações sobre medidas de proteção que impeçam abusos nos sistemas da plataforma, como os cadastros falsos ou o cancelamento de pedidos de forma indiscriminada. A empresa não havia respondido até a publicação da reportagem.

Como se proteger de golpes no iFood

A preferência pelo pagamento no aplicativo é um dos principais caminhos para se proteger durante o uso do iFood e outros aplicativos de delivery. É importante ter em mente que, uma vez pago o pedido, não existe a necessidade de acertar nenhum valor adicional com o entregador ou o estabelecimento, por isso, desconfie de qualquer sugestão desse tipo.

Caso ocorram problemas no pedido, prefira entrar em contato por meio do chat do próprio aplicativo e, também, cancelar e refazer a ordem por lá, em vez de aceitar entregas por fora. Sempre desconfie de contatos em nome dos estabelecimentos ou dos entregadores, já que estes são os principais métodos de engenharia social usados para induzir as vítimas a realizarem pagamentos.

Ainda no pagamento online, dê preferência aos cartões virtuais, disponibilizados pela maioria das operadoras e bancos brasileiros. Os números alternativos permitem garantir a segurança do plástico principal, sem que seja preciso o cancelar em caso de fraudes ou clonagem, e podem ser cancelados diretamente pelos apps, sem que outras faturas sejam atingidas.

Caso a opção seja por pagar na entrega, prefira usar o cartão por aproximação e sempre confira o visor da maquininha, se certificando de que o valor correto foi inserido antes de digitar a senha. Caso o visor do equipamento esteja encoberto ou quebrado, evite completar a operação e prefira outros métodos para acertar os valores.

Já a questão dos restaurantes fantasmas é um pouco mais complexa. Caso se interesse por um estabelecimento, dê uma olhada nas avaliações feitas pelos clientes que, normalmente, indicarão a ocorrência de problemas, e evite pedir em locais que não tenham uma boa nota. Vale a pena, ainda, pesquisar fora do iFood, em sites oficiais e redes sociais, sobre a presença ou não do comércio na plataforma.

Em todas as situações em que o usuário for vítima de um golpe, o ideal é entrar em contato com o banco o mais rapidamente possível para contestar compras realizadas e cancelar cartões fraudados. O entregador também pode ser denunciado no iFood, assim como eventuais estabelecimentos com cadastros irregulares ou fraudulentos, enquanto boletins de ocorrência também podem ser necessários para reaver valores.

Fonte: Mídia Max

Fonte feed: canaltech.com.br

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