O Brasil está localizado em qual placa tectônica?

A camada mais externa da Terra, chamada litosfera, é fragmentada em 12 grandes blocos, além de vários pedaços menores, que formam as placas tectônicas. Elas são empurradas de lá para cá pelos movimentos internos do planeta, mas o Brasil está localizado em qual placa tectônica?

O território brasileiro se encontra acima da Placa Sul-Americana — não apenas o Brasil, mas também todos os países da América do Sul. É graças à localização do nosso país sobre essa placa que fenômenos como vulcanismo e terremoto não ocorrem por aqui.

O que são as placas tectônicas?

A litosfera, a camada sólida mais externa do planeta, é fragmentada em 12 grandes blocos e alguns outros menores — as placas tectônicas. É acima dessas grandes estruturas geológicas que se encontram todos os continentes e oceanos.

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Principais placas tectônicas da Terra e suas respectivas direções de deslocamento (Imagem: Reprodução/NOAA)

No entanto, o interior da Terra, além de quente, é bem dinâmico. Por isso, essas placas sempre estão sendo empurradas de lá para cá — algumas se chocam outras e formam as cordilheiras, outras se separam e formam o assoalho oceânico.

As placas são deslocadas pela litosfera a partir do processo convectivo que ocorre no manto terrestre — feito basicamente de magma. Diferenças de temperatura produzem os movimentos de convecção: o mais frio sobe e o mais quente desce.

Os limites são definidos pelo modo como as placas se deslocam em relação umas às outras (Imagem: Reprodução/Domínio Público)

Os pontos da litosfera onde ocorrem a divergência (separação) entre as placas são responsáveis por renovar a crosta da Terra. Já nos pontos de convergência (encontro) ocorre a destruição da placa, ou a reciclagem dela.

Os continentes localizados acima dessas placas seguem acompanhando seus movimentos. No caso do Brasil, ele acompanha o deslocamento da Placa Sul-Americana.

Em qual placa tectônica fica o Brasil?

Com aproximadamente 32 milhões de km quadrados, a Placa Sul-Americana abrange todo o continente da América do Sul e a parte oeste do Oceano Atlântico. Ela é a menor das sete maiores placas do planeta.

Mapa da Placa Sul-Americana com suas principais características geológicas e limites com outras placas (Imagem: Reprodução/CPRM/CGMW)

A Placa Sul-Americana se estende da dorsal mesoatlântica (uma área de divergência no meio do Atlântico) até a Cordilheira dos Andes, uma região de convergência entre essa placa e a Placa de Nazca.

Para entender melhor da Placa Sul-Americana, o Canaltech conversou com o geólogo Rubem Porto Junior, professor do Instituo de Geociência da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que explicou a origem da placa e algumas de suas características.

O geólogo explica que a Placa Sul-Americana surgiu com a fragmentação do supercontinente Gondwana. A ruptura começou no Período Triássico, compreendido entre 200-250 milhões de anos atrás, quando as Placas Africana e Sul-Americana começaram a se separar.

A Placa Sul-Americana surgiu com a fragmentação do supercontinente Gondwana, também impulsionada pela dinâmica do interior terrestre (Imagem: Reprodução/Domínio Público)

Gondwana compreendia quase toda porção de terra que hoje forma o hemisfério Sul, como Antártida, América do Sul, África, Madagascar e até a Nova Zelândia. A ruptura começou na parte sul em direção ao norte e deu origem ao Oceano Atlântico.

Após dividir Gondwana, a Placa Sul-Americana se desloca para o oeste. “Este movimento continua devido ao impulso existente no limite divergente”, explicou Porto Junior, que também acrescentou as correntes de convecção como motores dessa dinâmica.

Características da Placa Sul-Americana

A Placa Sula-Americana é dividida em dois tipos: crosta continental e oceânica.

  • Crosta continental: ela é feita basicamente de rochas formadas em uma base mineral sílico-aluminosa. Sua espessura varia, sendo a parte mais grossa nas cadeias montanhosas e a mais fina nos crátons. Sua densidade média fica entre 2,65 e 2,8 g/cm cúbicos;
  • Crosta oceânica: é composta essencialmente de rochas basálticas e uma finada camada de sedimentos. Em comparação à crosta continental, sua espessura é bem menor, variando entre 5 a 8 km. Sua composição a torna mais densa (entre 3 a 3,1 g/cm cúbicos).

“Apesar desta divisão, há muitas variações estruturais e composicionais em cada uma delas”, acrescentou o geólogo Rubem. A crosta oceânica é mais densa do que a continental, quando elas se encontram a oceânica se “coloca” por baixo da continental. A oceânica também preserva melhor e por mais tempo informações geológicas, enquanto a oceânica é permanente reciclada.

Principais crátons continentais presentes no território brasileiro (Imagem: Reprodução/C. Casquet et al.)

Outra característica da placa são os crátons — porções estáveis da crosta continental que não sofrem influências da tectônica das placas. São nessas regiões que os registros mais antigos de crosta são encontrados, com idade pré-cambrianas (de 4,5 bilhões a 542 milhões de anos atrás).

Conforme explicou Rubem, boa parte do território brasileiro está associado a áreas cratônicas. As principais e mais bem definidas são as seguintes:

  • Cráton Amazônico (Norte);
  • Cráton do São Francisco (Centro-Sudeste);
  • Cráton Rio de la Plata (Sul);
  • Cráton de São Luís (Nordeste).

O estudo das áreas cratonizadas é fundamental para entender a evolução geológica da Terra, além de identificar áreas para exploração de materiais essenciais a humanidade. De todo modo, a Placa Sul-Americana é um repositório da história do planeta.

Fonte: USGS, NASA

Fonte feed: canaltech.com.br

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