Os fascinantes mundos abertos dos jogos

Uma das coisas que mais gosto nos games é poder explorar seus mapas e eventualmente encontrar situações que passarão despercebidas por boa parte das pessoas. É por isso que os jogos com mundos abertos costumam me agradar tanto e uma história sobre o Fallout 3 me fez pensar no assunto.

De acordo com um usuário do Reddit conhecido como Gluttonforcrime, no espetacular RPG criado pela Bethesda existe uma cena que só pode ser ativada se respeitarmos uma inusitada condição ao encontrarmos um sujeito chamado Griffon: estarmos usando uma peruca.

Podendo ser encontrado no Museu de História de Washigton D.C., o personagem é um ghoul que atua como uma espécie de vendedor de óleo de cobra, oferecendo aos outros água radiativa em garrafas de Aqua Pura e prometendo que o líquido curará os mutantes. Para ajudar na divulgação do produto, o sujeito usa uma peruca e se formos falar com ele usando o mesmo adereço, nos será dada a oportunidade de afirmar que temos um cabelo parecido. O NPC então responderá:

Aheh. Um… sim, olha só. Nós praticamente temos o mesmo corte de cabelo. Quais as chances de isso acontecer? Aheh.

Agora pense o seguinte: estamos falando de um jogo em que as ameaças estão espelhadas por toda parte, sendo fundamental nos equiparmos com qualquer coisa que possa garantir a nossa sobrevivência. Então, quem andaria pelos ermos usando uma peruca e não uma das muitas proteções para cabeça que podem ser encontradas pelo mapa?

O que quero dizer é que a chance de alguém ativar essa sequência de diálogos é muito pequena, mas mesmo assim alguém da equipe responsável pelo Fallout 3 dedicou um tempo para criar a cena e como não achar isso absolutamente fascinante?

Pois são justamente esses detalhes, esses pequenos segredos espalhados em títulos assim que tem feito com que eu me apaixone cada vez mais por jogos com mundos abertos. Poder encará-los várias vezes e mesmo assim nos depararmos com algo que deixamos passar batido nas experiências anteriores é algo incrível, uma maneira de proporcionar um nível de imersão que só é possível em obras que nos deem tamanha liberdade.

Um exemplo que gosto de citar é de quando joguei o The Witcher 3: Wild Hunt pela primeira vez. Ainda no início da campanha eu estava cavalgando de um ponto a outro do mapa quando vi uma cabana longe da estrada. Curioso como sempre, resolvi ir até o casebre para ver se encontraria algo interessante por lá e ao abrir a porta, percebi que não estava preparado para o que havia dentro.

Lá encontrei o corpo de um homem e de duas crianças, o que me fez pensar que eles haviam sido atacados. Porém, segundo um bilhete deixado pelo adulto, ele resolveu matar os filhos e tirar a própria vida por temer a guerra que estava acontecendo nas redondezas.

Como a minha memória não é lá muito confiável, talvez a situação não tenha sido exatamente desse jeito e como nunca mais encontrei aquele lugar, não consegui registrar o momento. Porém, o que presenciei de fato naquela cabana não é o mais importante, mas sim que, até por não se tratar de uma missão, certamente aquela cena passou despercebida por muita gente.

Por sinal, aquele jogo da CD Projekt Red está repleto de situações que servem para mostrar como os mundos abertos podem ser fantástico. Com várias das suas missões nos dando opções para serem concluídas, poderemos ter experiências bastante diferentes uns dos outros, o que explica porque é tão fácil imergir em seu universo.

E assim como muitas pessoas têm feito nos últimos dias, eu sou mais um que tem dedicado bastante tempo a explorar o Elden Ring. Por ser um apaixonado pelos jogos da série Souls, estava bastante ansioso por esta criação da FromSoftware, mas mesmo sabendo que ele se passaria num mundo aberto, confesso que não estava preparado para a sua grandiosidade.

Típico jogo repleto de segredos, é impressionante notar que por mais que nos dediquemos a ele, sempre parece haver algo escondido, algo que muitos só encontrarão se tiver algum tipo de ajuda.

Isso aconteceu comigo em relação ao Cajado de Meteorito, uma das melhores armas para quem busca utilizar magias. Como meu personagem era não muito forte neste quesito, estava sofrendo bastante no início da campanha e por isso resolvi investir nessa parte. Porém, eu ainda precisava de uma arma que me permitisse fazer os disparos mágicos e após uma pesquisa, vi que o tal cajado era uma boa escolha.

O problema é que ele se encontra num lugar de difícil acesso, bastante complicado de ser alcançado por vias normais. A saída? Recorrer a um portal que nos levará para as imediações, evitar alguns inimigos e o ar venenoso do pântano e assim conseguir o cajado.

Eu até poderia encontrar a arma jogando sem o auxílio de um guia, mas isso provavelmente só aconteceria quando eu tivesse avançado bastante em minha jogatina, fazendo com que o cajado nem fosse muito útil. Para minha sorte, alguém já havia encontrado o caminho das pedras e compartilhado seu conhecimento, fazendo assim com que o meu pregresso fosse bastante facilitado.

Mas enquanto esses tutoriais que nos levam aos mais variados itens podem ser de grande ajuda, acredito que boa parte do charme do Elden Ring está mesmo em descobrirmos as muitas surpresas que ele guarda. E se não bastasse tanta coisa para se encontrada na superfície, há ainda um complexo sistema de túneis no subsolo, nos dando a impressão de que nunca conseguiremos descobrir tudo o que o jogo tem a nos oferecer.

Contudo, reconheço que quando se trata de jogos com mundos abertos, nem tudo são flores. Na maioria das vezes é estranho perceber que passamos a maior parte do tempo realizando missões bobas, mesmo com o mundo estando prestes a acabar ou simplesmente ignorando o nosso objetivo principal.

Neste sentido, um jogo que considero funcionar bem é o Grand Theft Auto V, pois mesmo tendo as missões que nos fazem progredir na história, não existe aquela urgência típica de títulos assim. Mesmo a possibilidade de alternar entre os três protagonistas nunca me passou a impressão de eu ter perdido o foco.

Outro problema está na vontade de querer fazer tudo, de explorar cada centímetro do mapa. Para pessoas como eu, existe sempre o temor de que se não fizermos todas as missões que o jogo tem a nos oferecer ou se não vasculharmos cada canto do cenário, perderemos algo importante ou deixaremos passar algum detalhe interessante.

Some a isso a grande quantidade de horas necessárias para chegar ao fim de um desses jogos com mundos abertos e tais pontos negativos podem fazer com que cedo ou tarde percamos a vontade de continuar suas campanhas. Ainda assim, continuo adorando a liberdade que esses títulos me dão, lamentando mesmo apenas a falta de tempo para me dedicar mais a eles.

Fonte feed: tecnoblog.net

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