Projeto de Oxford quer desenvolver futuras vacinas em cerca de 100 dias

Pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, estudam como produzir novas vacinas de vetor viral contra variantes do coronavírus, mas também para outras futuras pandemias, em tempo recorde. O objetivo do projeto é criar uma estrutura que possibilite o desenvolvimento dos imunizantes em cerca de 100 dias.

Para alcançar esta meta, a equipe de Oxford propõe uma mudança radical na velocidade e no volume de produção de vacinas com o vetor de adenovírus. Esta é a mesma tecnologia usada pela vacina Covishield (AstraZeneca/Oxford) contra a covid-19.

Universidade de Oxford estuda como adaptar o aprendizado da covid-19 para a produção de novas vacinas contra outros vírus (Imagem: Reprodução/Ssp48/Envato Elements)

Caso da vacina de Oxford contra a covid-19

No processo de desenvolvimento da fórmula, os pesquisadores usaram um tipo adenovírus — um agente infeccioso encontrado em chipanzés e que não afeta humanos —, conhecido pelo nome de ChAdOx1. Esse adenovírus foi editado geneticamente e foi incluída, em seu material genético, a proteína spike do coronavírus SARS-CoV-2. Posteriormente, esse novo vírus foi cultivado em laboratórios de biossegurança e usado para a produção de doses da vacina.

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Para a equipe de Oxford, seria possível adaptar todas essas etapas para um intervalo mais curto de tempo, algo em torno de 100 dias. Este plano foi proposto pela Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (CEPI) e tem como o objetivo salvar vidas em momentos críticos para saúde pública global, como as próximas pandemias.

Vale lembrar que a experiência com a vacina da AstraZeneca/Oxford possibilitou, até agora, a produção de mais de 2 bilhões de doses do imunizante e estes foram distribuídos para todo o mundo. Outra vantagem é que a tecnologia é simples e outros centros já começam a produzir internamente essas vacinas. No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está prestes a completar o processo de transferência de tecnologia.

Como funcionaria o plano dos 100 dias?

“Quando um novo vírus é identificado, a produção de vacinas é uma corrida contra o tempo. Algumas pessoas pensam que as vacinas com vetor de adenovírus têm fabricação lenta — e isso não é verdade”, explica Sandy Douglas, pesquisador do Instituto Jenner, da Universidade de Oxford.

Pesquisadores buscam desenvolver novas vacinas em cerca de 100 dias, o que pode salvar vidas (Imagem: Reprodução/Photocreo/Envato)

“O processo de fabricação em massa, enchimento de frascos e testes leva praticamente o mesmo tempo para a maioria das vacinas”, lembra Douglas. “O que pode variar é o tempo que se leva para preparar para o início da fabricação. Para uma vacina com vetor de adenovírus, a parte fundamental da preparação necessária é fazer um vírus ‘semente'”, conta.

Por vírus semente, é possível entender como o adenovírus que carrega o material genético do vírus da covid-19, ou seja, aquela parte que é obrigatoriamente diferente para cada agente infeccioso. “Essa é a única coisa que precisa ser mudada para fazer uma nova vacina — por isso, examinamos cuidadosamente como gerar essa ‘semente’ rapidamente”, explica o pesquisador sobre os planos de adaptar a tecnologia.

Para Douglas, “os desenvolvedores de vacinas, agora, precisam se concentrar em como acelerar as outras etapas críticas, especialmente a tomada de decisão financeira inicial e os testes clínicos”. Nesse ponto, o pesquisador explica que nem sempre a demora na produção depende de questões científicas, mas pode ter relação com a falta de recursos financeiros.

Se as fábricas estivessem em estado de prontidão para usar o método de Oxford, a equipe acredita que um bilhão de doses de vacinas poderiam ser fornecidas em até 130 dias após a identificação de um novo vírus. Para comparar, isso representaria um quarto do tempo gasto pelas vacinas contra a covid-19 atuais.

“O mundo precisa da capacidade de produzir um portfólio de diferentes vacinas muito rapidamente em grandes quantidades. Os vetores de adenovírus têm um papel importante a desempenhar”, completa Douglas sobre os próximos desafios que podem alcançar toda a humanidade.

Fonte: Universidade de Oxford  

Fonte feed: canaltech.com.br

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