Rajada rápida de rádio veio de aglomerado globular e surpreende astrônomos

Uma rajada rápida rádio chamada FRB 20200120E veio de um aglomerado globular, local pará lá de inesperado para este tipo de fenômeno, e pode mudar o rumo das investigações a esse respeito. É que aglomerados globulares são uns dos lugares mais improváveis onde se encontrar uma rajada como esta.

A FRB 20200120E já havia sido estudada antes e, por ser uma rajada rápida do tipo repetitiva, os autores de um novo artigo puderam determinar a distância com maior precisão. Assim, eles concluíram que sua origem fica em na galáxia do Bode, também conhecida como M81.

Esta é uma galáxia espiral a 11,7 milhões de anos-luz de distância da Terra. A FRB 20200120E se tornou a explosão de rádio extragaláctica mais próxima conhecida, 40 vezes mais perto de nós do que o sinal recordista anterior.

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Porém, o que realmente chamou a atenção dos astrônomos é que a fonte do sinal parece ser um aglomerado globular da M81. Aglomerados como este são formados por estrelas muito antigas e de baixa massa, e isso contraria o que se deduzia até agora sobre as rajadas rápidas de rádio.

A primeira detecção de uma rajada rápida de rádio foi em 2007, e até hoje ainda não se sabe exatamente o que as causa. Mas sabemos como reconhecê-las: são explosões extremamente energéticas, visíveis apenas em detectores de rádio e duram apenas algumas frações de segundos.

Conceito artístico de um magnetar, um candidato a fonte de rajadas rápidas de rádio (Imagem: Reprodução/ESO/L. Calçada)

Devido a essas características, os cientistas cogitam que as rajadas são causadas por magnetares e pulsares de milissegundo, dois dos tipos mais fascinantes de estrelas de nêutrons. O problema é que estrelas muito antigas e de baixa massa não se transformam em estrelas de nêutrons.

É muito raro que um aglomerado globular como este, na galáxia M81, forme outros tipos de estrelas, mas não é impossível. Os pesquisadores apontam que há alguns exemplos de aglomerados onde há pelos menos um pulsar de milissegundo. Isso pode ocorrer porque os aglomerados globulares são tão cheios de estrelas que elas podem colidir umas com as outras, produzindo objetos mais massivos.

O que tudo isso significa é que não há dados suficientes para se chegar a alguma conclusão definitiva. Pode ser que existam vários mecanismos que geram as rajadas rápidas de rádio, além dos processos de magnetares e pulsares. Também é possível que neste aglomerado há um desses objetos raros. Ou pode haver muitas outras possibilidades ainda não cogitadas.

Seja como for, por ser repetitiva, a FRB 20200120E é uma grande oportunidade de analisar esse tipo de sinal com calma. O estudo foi publicado na revista Nature.

Fonte: Nature; via: ScienceAlert

Fonte feed: canaltech.com.br

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