Review Polar Ignite 2 | Smartwatch incompleto, boa fitness tracker

O Polar Ignite 2, lançado em 2021 pela Polar, é um dos fitness tracker mais aguardados entre os entusiastas do esporte. Com a promessa de ser um relógio completo em funções e feito, especialmente, para quem faz atividades físicas, sua usabilidade pode trazer certa decepção para os usuários.

Com interface confusa e pouco intuitiva, tela pequena e imagens com qualidade mediana e preço bem elevado, ele acaba ficando atrás de outros modelos melhores e mais completos disponibilizados no mercado mundial.

Algumas falhas durante o uso, além de o sensor não ser tão preciso, podem deixar a experiência diária bem desagradável. Pude testá-lo por quase dois dias e venho trazer a minha opinião sobre esse novo acessório. Confira na nossa análise.

Polar Ignite 2 (Imagem: Ivo/Canaltech)

Prós

  • Personalização completa para as atividades físicas

Contras

  • Interface incompleta e incoerente para os dias atuais
  • Painel com baixa sensibilidade ao toque
  • Tela com mau aproveitamento

Design e Construção

O Ignite 2, da Polar, é uma pulseira inteligente para atividades físicas lançada com quatro cores diferentes: dourado/champagne, azul-escuro, rosa/rose gold e preto perolado.

Seu corpo é feito em alumínio com a traseira de plástico, e seu preço aproximado no mercado brasileiro é de R$ 2.450.

A pulseira que acompanha o produto é de silicone, bem confortável. Contudo, se o comprador desejar, existem outras opções na própria loja da fabricante para serem adquiridas à parte.

O processo de troca é bastante simples, bastando o usuário realizar o desencaixe através do “engate rápido” disponibilizado próximo à caixa do relógio.

É possível notar a presença de um único botão físico ao redor do Ignite 2. Este, responsável pelo acesso ao menu principal do acessório. Ele fica localizado no canto inferior do aparelho e por ter perfil baixo, fica menos suscetível a acidentes durante o uso.

  • Dimensões: 43 x 43 x 8,5 mm;
  • Peso sem a pulseira: 21 gramas;
  • Peso total: 35 gramas.
No site da fabricante é possível escolher outras opções de pulseira para o Ignite 2 (Imagem: Ivo/Canaltech)

Sua tela tem 1,2 polegada e infelizmente, um baixo aproveitamento na visualização dos conteúdos. O visual defasado remete aos primeiros smartwatches lançados no mercado, principalmente devido à presença de uma “tarja preta” na parte inferior do painel.

Conceito esse, conhecido no exterior como “flat tire design” (em tradução livre, design de pneu murcho).

Esse termo é usado porque a área útil do relógio é reduzida e tem o formato parecido a ilustração de um pneu sem ar, resultando em menus ligeiramente cortados ou espremidos para adaptar-se ao menor tamanho e formato irregular do display.

A opção da Polar por esse design não apenas deixa o Ignite 2 com estética datada, como também entrega menos usabilidade e mais dificuldade ao usuário do produto.

Esse modelo conta com certificação WR30, sendo resistente a respingos d’água durante seu uso. Isso quer dizer que ele não foi projetado para ser imerso em líquidos, logo, vale prestar bastante atenção enquanto estiver com o relógio no pulso.

Durante o dia, as leituras — feitas pelo sensor “Precision Prime”, da Polar — são feitas periodicamente de forma automática.

Essa versão conta somente com a medição dos batimentos cardíacos, ficando atrás de marcas como a Amazfit, já consagrada no mercado com excelentes produtos capazes de medir tanto frequência cardíaca como oximetria de pulso — e temperatura da pele, em modelos selecionados.

O formato de tela “flat tire design” diminui o aproveitamento da tela do Ignite 2 (Imagem: Ivo/Canaltech)

“O preço do Ignite 2 é totalmente incompatível com o mercado, principalmente se considerarmos seus concorrentes.”

— Amanda Abreu

Acompanhamento Físico

Uma das poucas partes positivas desse modelo é o detalhamento do acompanhamento físico que ele oferece.

Rastreando pouco mais de 130 modalidades diferentes, ele entrega possibilidades que ainda não são vistas mesmo em relógios mais atuais — incluindo os tão referenciados concorrentes da Amazfit e Xiaomi.

O usuário do Ignite 2 consegue personalizar diferentes características de cada um dos esportes suportados pelo relógio. Na “corrida livre”, por exemplo, é possível mudar as seguintes métricas:

  • Unidade de medida da frequência cardíaca: “bpm” ou percentual;
  • Unidade de velocidade: km/h ou min/km;
  • Zonas de frequência cardíaca: permite personalizar a taxa da frequência cardíaca para cada fase do exercício;
  • Telas de treino: é possível selecionar o que vai aparecer no visor do acessório enquanto estiver em atividade.

Lembrando que essas modificações podem ser feitas independente do exercício, tendo cada uma delas características exclusivas para serem alteradas. Nesse quesito, o Polar Ignite 2 é bem completo e impressiona.

Algumas funções como o “teste fitness” são disponibilizadas no Polar Ignite 2 (Imagem: Ivo/Canaltech)

“Uma das características positivas que o Ignite 2 entrega é a personalização ampla das medições de cada esporte.”

— Amanda Abreu

Conectividade

A conectividade é realmente um problema desse acessório. Parear ele pela primeira vez não foi difícil, apesar de o sistema ser pouco intuitivo e sua interface ser totalmente incompatível com os dias de hoje.

Mas não minto, é desagradável olhar a estética do SO e ver pouca preocupação da Polar em deixar algo visualmente confortável.

Isso não seria um “empecilho” caso tudo funcionasse da forma correta, algo que, infelizmente, não acontece nesse modelo. Durante todo o tempo, o relógio fica forçando a sincronização com o celular de forma excessiva e desnecessária.

Mesmo quando não estava sendo feito nenhum tipo de medição, eu percebia que o aplicativo “Polar Flow” estava enviando informações ao smartphone, sem nenhum motivo aparente.

O app próprio também é outro problema, já que passa a sensação de ser algo “abandonado no tempo”. Em comparação com outros sistemas — como o Zepp, aplicativo feito pela subsidiária da Xiaomi, a Huami — é possível notar a gigantesca diferença entre eles.

Cheguei a utilizar o acessório durante uma noite de sono completa, na expectativa que teria os dados registrados para comparação com meu relógio de uso pessoal.

Ledo engano, já que o Ignite 2 sequer percebeu que eu havia dormido com ele no pulso e não armazenou nenhuma informação sobre essa parte no app.

Ao acessar o menu, constava que “nenhum dado foi registrado”, me deixando bastante frustrada com essa parte, principalmente ao lembrarmos que se trata de um produto na faixa de R$ 2.450. Algo bastante considerável.

Os sensores presentes no Ignite 2 não são tão precisos nos resultados. Algo negativo comparado ao seu preço. (Imagem: Ivo/Canaltech)

Bateria e Carregamento

A bateria do Ignite 2 tem boa duração em uso moderado. Após utilizá-lo por quase dois dias, foram consumidos 30% do total.

Apesar de a fabricante informar números um pouco maiores que esse, não considero a experiência que eu tive como algo totalmente negativo.

O carregamento também é bem rápido, já que a bateria tem somente 165 mAh, além de o cabo de energia ser disponibilizado dentro da caixa do acessório.

Como o rastreamento de sono não foi medido durante a noite, não consegui avaliar o consumo da bateria nesse caso, sendo essa a minha única ressalva sobre o relógio nesse quesito.

Concorrentes Diretos

Antes de iniciar esse tópico, acredito que seja importante salientar que, na minha opinião, o Ignite 2 está muito abaixo de qualquer concorrente mais sério do mercado por dois fatores: SO e interface não condizentes com outros acessórios semelhantes, além de o preço ser muito elevado para o que ele entrega.

Entendendo essas considerações, o GTR 3, da Amazfit, é o fitness tracker escolhido como o concorrente direto do modelo da Polar. É possível notar a atenção que a fabricante chinesa deu ao seu novo lançamento.

Bateria com excelente autonomia, painel AMOLED, aproveitamento maior da tela, além de rastrear mais de 150 modalidades de esporte diferentes, frente aos 130 oferecidos pelo Ignite 2. Por fim, o preço aproximado do GTR 3 é de R$ 1.400, algo dentro da realidade para o que esse tipo de acessório oferece.

Conclusão

Posso afirmar que o Ignite 2, da Polar, é um bom fitness tracker, mas ruim ao tentar ser um smartwatch. A interface é confusa e pouco intuitiva em muitos aspectos. A tela, além de ter um recorte que diminui seu aproveitamento, tem qualidade de imagem mediana e passável.

A personalização dos treinos é, na minha opinião, o único ponto positivo do relógio em si. A possibilidade de alteração das zonas de frequência cardíaca, telas de treino e unidades de medida são bem-vindas, principalmente para quem precisa de medições e números mais precisos quando realiza a atividade física.

A opção “modo avião” também é disponibilizada no Ignite 2 (Imagem: Ivo/Canaltech)

Outro detalhe que me incomodou foi a ausência da medição do meu sono, mesmo estando com tudo configurado corretamente. Tentei por duas vezes fazer com que os dados fossem registrados, mas sem sucesso.

O preço também desanima e torna-se discrepante frente a outros modelos de fabricantes mais consagradas — como a Amazfit —, que entregam funções e recursos melhor aprimorados. Concluindo, posso afirmar que o Ignite 2 não é uma das melhores opções disponibilizadas do momento.

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Fonte feed: canaltech.com.br

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