Sistema de cânions em Marte pode ter quantidade surpreendente de água

Valles Marineris, um sistema de cânions em Marte e considerado o maior do Sistema Solar, parece ter quantidades significativas de água em seu interior. Esta descoberta foi feita pela sonda orbital ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO), da Agência Espacial Europeia (ESA) e da agência espacial russa Roscosmos, que está mapeando o hidrogênio na parte superior do solo do Planeta Vermelho.

Já se sabia da existência de água em Marte, sendo que grande parte dela está congelada nas regiões polares. Contudo, o gelo de água não ocorre na superfície próxima do equador do planeta, já que as temperaturas nestas áreas não são baixas o suficiente para garantir a estabilidade do composto. Assim, outras missões espaciais vêm procurando água perto da superfície em latitudes mais baixas.

Os cânions de Valles Marineris onde há grande quantidade de água “escondida” (Imagem: Reprodução/ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)

Esta água poderia estar presente em gelo cobrindo grãos de poeira no solo e até presa em minerais, e novas buscas renderam a descoberta de pequenas quantidades do composto. Contudo, foi explorada somente a superfície de Marte, ou seja, ainda existia a possibilidade de reservas de água mais profundas, cobertas por poeira — que foi exatamente o que a TGO revelou com o instrumento FREND (Fine Resolution Epithermal Neutron Detector).

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Igor Mitrofanov, autor que liderou o novo estudo e investigador principal do instrumento, explica que o FREND revelou uma área com uma estranha quantidade de hidrogênio em Valles Marineris. “Considerando que o hidrogênio que vemos está ligado a moléculas de água, pelo menos 40% do material próximo da superfície na região parece ser água”, disse. A região à que ele se referiu parece ser do tamanho da Holanda.

A descoberta da água nos cânions de Marte

A descoberta foi o resultado de análises das observações do instrumento FREND, conduzidas de 2018 a 2021 para mapear a presença de hidrogênio no solo de Marte através da detecção de nêutrons. “Os nêutrons são produzidos quando partículas altamente energéticas, conhecidas como ‘raios cósmicos’, atingem Marte”, contou Alexey Malakhov, coautor do estudo. Com estas interações, o solo mais seco emite mais nêutrons do que o mais úmido.

A parte central da imagem indica a região mais rica em água, sinalizada pela letra “C” (Imagem: Reprodução/I. Mitrofanov et al. (2021)

Isso permite que os pesquisadores deduzam quanta água há no solo através das emissões dos nêutrons. “Descobrimos que uma parte central de Valles Marineris está cheia de água — tem muito mais do que esperamos”, observou Malakhov. “É muito parecido com as camadas de gelo permanentes na Terra, onde o gelo persiste permanentemente sob o solo seco devido às temperaturas sempre baixas”.

Os autores acreditam que a água existe como gelo, mas devido às condições de temperatura e pressão próximas do equador, o esperado era que o composto evaporasse por lá. Por isso, existe a possibilidade de que haja alguma condição diferente e desconhecida ocorrendo em Valles Marineris, que esteja ajudando a preservá-la ou até a reabastecendo.

Håkan Svedhem, outro coautor do estudo, acredita que novas observações serão necessárias para os pesquisadores saberem exatamente qual é o estado da água com que estão lidando. Felizmente, futuras missões devem ser enviadas para latitudes mais baixas do planeta, e a descoberta de reservas de água por lá representa uma possibilidade interessante para novas explorações — e pode ajudar também a esclarecer o que aconteceu com Marte, que já foi rico em água no passado.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Icarus.

Fonte: IcarusESA

Fonte feed: canaltech.com.br

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