Startups brasileiras não abraçam a diversidade

Setor muito associado à inovação e à modernidade, o mercado de startups é, na verdade, conservador e pouco inclusivo, quando o assunto é diversidade. É o que mostra, por exemplo, a pesquisa Mapeamento do Ecossistema Brasileiro de Startups, produzida pela ABStartups com apoio da Deloitte (que entrevistou 2,5 mil startups entre agosto e setembro do ano passado).

O levantamento aponta que quase 97% das empresas ouvidas disseram apoiar a diversidade, o que é muito bom. Porém, o discurso não se reflete na prática. Afinal, mais de 60% dos entrevistados afirmaram não possuir processo seletivo voltado para a inclusão de grupos minoritários, 90,3% não contrataram pessoas com deficiência, 90% não possuem transsexuais entre seus colaboradores, 31,2% declaram não ter nenhum funcionário preto ou pardo, quase 20% afirmam não ter funcionárias mulheres e 62,3% não incluem idosos em seus quadros.

E quando o assunto é a participação feminina na liderança desse tipo de empresa, o cenário é igualmente preocupante. Segundo uma pesquisa feita com 154 startups brasileiras pela BVA Advogados, em parceria com empresas como AWS e Domo Invest, apenas 6% das empresas entrevistadas têm mulheres entre os sócios.

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Esses números incomodam e podem ser ainda piores se fizermos esse recorte nas empresas que operam especificamente no setor financeiro, no qual atuo. Sou cofundadora de uma fintech de crédito, mulher, homossexual e trabalho numa área basicamente masculina e heterossexual.

O que fazer?

Não basta o setor de startups se dizer a favor da diversidade. É preciso colocar isso em prática, adotar de fato a inclusão como um dos pilares do negócio, promover ações concretas com resultados que apresentem crescimento representativo na inclusão. E isso não é apenas uma questão de justiça social. Também é uma questão de competitividade. É indiscutível que uma equipe mais diversa traz para a empresa diferentes olhares e promove melhores resultados para o negócio. Todos ganham.

Precisamos para ontem ter programas exclusivamente dedicados a contratações de minorias, implementar a cultura de diversidade em seus mais variados aspectos, trabalhando desde a questão comportamental de todos os colaboradores até tornar os ambientes aptos a receberem pessoas diversas.

É urgente ter o nosso olhar voltado para os recortes sociais de forma geral. Na busca por mais lideranças femininas, questões raciais, LGBTQIA+, profissionais acima de 50 anos, inclusão de PCDs. Tudo precisa estar em nosso radar para que o setor de startups faça jus ao reconhecimento de ambiente inovador e inclusivo.

Diversidade não é só uma questão de justiça social, mas também um diferencial nos negócios (Imagem: fauxels/Pexels)

Um exemplo de ações dentro de uma perspectiva urgente como essa é abrir mão de algumas exigências mais técnicas e focar o olhar para potenciais, comportamentos, como se faz em contratações com foco em Soft Skills. Trabalhamos dentro desta ótica na fintech em que atuo e, por isso, posso dizer que é possível praticar a inclusão.

Também sou responsável pelo Comitê de Empatia na empresa e, por meio dele, realizamos palestras e consultorias com pessoas de vários recortes sociais, a fim de saber como a empresa e seus colaboradores podem se preparar para receber colaboradores diversos. Além disso, promovemos processos seletivos com vagas preferenciais com foco na diversidade, ações que dão muito resultado. Mas ainda temos que fazer muita coisa para nos tornarmos uma empresa 100% inclusiva. E o setor de startups, como um todo, tem um caminho bem mais longo a seguir quando o assunto é diversidade.

*Artigo produzido por colunista com exclusividade ao Canaltech. O texto pode conter opiniões e análises que não necessariamente refletem a visão do Canaltech sobre o assunto.

Fonte feed: canaltech.com.br

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