A Meta iniciou uma grande reestruturação de sua força de trabalho nesta semana, anunciando a realocação de aproximadamente sete mil funcionários para áreas de inteligência artificial. A mudança foi comunicada dois dias antes de uma nova onda de demissões que afetará cerca de oito mil colaboradores, representando 10% do quadro total de empregados da empresa.
Reorganização estratégica para inteligência artificial
Segundo memorando interno assinado por Janelle Gale, chefe de recursos humanos da Meta, os profissionais serão transferidos para quatro novas organizações internas dedicadas ao desenvolvimento de ferramentas e aplicativos de IA. As equipes utilizarão "estruturas de design nativas de inteligência artificial" e operarão com menos gestores por funcionário comparado a outras áreas da empresa.
Gale afirmou que a reestruturação tornará a empresa mais produtiva e proporcionará trabalhos mais recompensadores aos colaboradores. Os detalhes sobre as novas funções serão enviados pelos líderes executivos na quarta-feira, data em que as demissões também serão oficializadas.
Cortes refletem tendência no setor de tecnologia
A Meta, controladora do Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp, empregava mais de 78 mil pessoas no final de 2025. No mês passado, a empresa informou aos trabalhadores que alguns postos seriam eliminados como parte do esforço para aumentar a eficiência enquanto investe pesadamente no desenvolvimento de inteligência artificial.
Essa tendência não é exclusiva da gigante de Mark Zuckerberg. Na semana passada, a Cisco anunciou a demissão de quatro mil funcionários enquanto concentra recursos em IA. Microsoft, Block e Coinbase também realizaram reorganizações recentes motivadas pela adoção da tecnologia.
A aposta bilionária de Zuckerberg na IA
O CEO da Meta tem apostado o futuro da empresa no desenvolvimento de inteligência artificial. Em janeiro, durante ligação com investidores, Mark Zuckerberg revelou planos de investir entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões (entre R$ 576,1 bilhões e R$ 676,3 bilhões) neste ano, destinando a maior parte desses recursos à criação de novas soluções de IA.
A empresa está construindo data centers para alimentar a tecnologia e competir diretamente com rivais como Google, OpenAI e Anthropic. Enquanto isso, a Meta reduziu significativamente suas operações no metaverso, área que havia sido uma das principais apostas anteriores da companhia.
A pressão para adoção de ferramentas de IA já aparece nas avaliações de desempenho de muitos funcionários. A empresa também anunciou o fechamento de seis mil vagas abertas e o corte de 10% da força de trabalho existente.
Reações e incertezas entre os funcionários
O ambiente entre os colaboradores permanece tenso. Este mês, uma nova política que permite o treinamento de ferramentas de IA com dados dos funcionários gerou indignação quanto a questões de privacidade.
No memorando, Gale orientou os funcionários a trabalharem remotamente na quarta-feira, quando os e-mails de demissão seriam enviados às 4h (horário local). Os profissionais nos Estados Unidos receberão 16 semanas de indenização, acrescidas de duas semanas adicionais para cada ano trabalhado na Meta.
"Sabemos que dias como este são extremamente difíceis, e agradecemos a vocês por apoiarem uns aos outros", declarou a executiva no comunicado interno.
Perspectivas para o futuro da empresa
A dualidade entre investimentos massivos em inteligência artificial e reduções de quadro funcional ilustra o momento de transformação que o setor de tecnologia atravessa. A Meta busca posicionamento competitivo em um mercado cada vez mais dominado por soluções de IA, enquanto otimiza custos operacionais. O desafio agora será equilibrar a transição tecnológica com o impacto social das demissões em massa.
Fonte: https://olhardigital.com.br