Acordo entre EA e FIFA parece cada vez mais perto do fim

Quando começou a circular um rumor de que a EA estava estudando romper sua antiga parceria com a FIFA, confesso ter pensado que tudo não passava de um blefe. Tal medida obrigaria a editora a mudar o nome de uma das suas franquias mais bem sucedidas, mas logo veio um comunicado oficial confirmando a intenção e, segundo relatos internos, esta parece ser uma viagem sem volta.

Quem teria demonstrado todo o seu descontentamento com a entidade máxima do futebol foi Andrew Wilson, atual CEO da Electronic Arts. Durante uma reunião com funcionários, realizada em novembro de 2021, o executivo chegou a afirmar que a licença com a FIFA estaria atrasando o desenvolvimento dos seus jogos, com o acordo entre as partes impedindo, por exemplo, que a empresa ofereça modos de jogos que vão além das partidas entre equipes formadas por 11 atletas ou alcançar “ecossistemas digitais mais amplos.

Sem que tal declaração tenha sido feita publicamente, ela foi revelada ao site Video Games Chronicle por um funcionário da EA que não quis se identificar, mas considerando as recentes trocas de farpas entre as partes envolvidas, não duvido da sua veracidade.

De acordo com a fonte, Wilson teria dito o seguinte durante o encontro:

Serei mais aberto… mais aberto do que tenho sido com o mundo exterior. Tivemos um ótimo relacionamento com a FIFA ao longo dos últimos 30 anos. Criamos bilhões em valor… É simplesmente enorme. Nós criamos uma das maiores propriedades de entretenimento do planeta.

Eu diria — e isso pode ser um pouco tendencioso — que a marca FIFA tem mais significado como um videogame do que como um órgão que governa o futebol. Não tomamos isso como garantido e tentamos não ser arrogantes. Trabalhamos realmente duro para tentar e fazer a FIFA entender o que precisamos para o futuro.

Andrew Wilson então seguiu afirmando que, exceto pelos anos em que são realizados a Copa do Mundo, a única coisa que a EA recebe da FIFA são as quatro letras estampadas na caixa dos jogos. Porém, como cada vez menos pessoas tem adquiridos jogos fisicamente, elas nem chegam a ter contato com isso.

Segundo o CEO, “num ano de Copa do Mundo, obviamente temos acesso ao torneio, mas num contexto mais amplo do futebol global em uma base anual, a Copa do Mundo é importante, mas não a coisa mais importante.

Para ilustrar sua opinião, o executivo citou como exemplo a Nike. Para ele, jogadores ao redor do mundo adorariam ver marcas que lhes são relevantes cultural e comercialmente estando mais enraizadas no jogo, mas devido à parceria da Adidas com a FIFA, isso não é possível.

Wilson ainda teria dito que tem sido uma guerra conseguir explicar ao pessoal da FIFA as coisas que a EA gostaria de criar, com o argumento sempre sendo que a licença garante que a empresa só pode trabalhar com certas categorias do esporte. Ele enfatizou: “FIFA é apenas um nome na caixa, mas eles impediram a nossa capacidade de ramificar para áreas que os jogadores querem.

O último argumento utilizado pelo CEO foi de que, se a Electronic Arts quiser agir mais rapidamente e entregar as novidades que os fãs pedem num tempo mais curto, a empresa precisará de um nível de liberdade que lhes permita ser “verdadeiramente criativos, inovadores e experimentais no mercado.

Ou seja, sabe todas aquelas reclamações e acusações de que ano após ano a série FIFA falha por não inovar? Pois a justificativa da EA seria as amarras impostas pela Federação Internacional de Futebol. Se isso é ou não verdade, apenas o rompimento dessa parceria poderia comprovar e provavelmente não estamos muito longe de ver isso acontecer.

Segundo Tariq Panja, jornalista do The New York Times, atualmente a licença cedida à EA representa o maior acordo comercial mentido pela FIFA, sendo responsável por levar US$ 150 milhões anualmente aos seus cofres. Com o acordo valendo até o final deste ano, quando será realizada a Copa do Qatar, a entidade estaria pedido US$ 2,5 bilhões para renová-lo por mais uma década, valor que a editora de jogos considera absurdo.

Diante do impasse, o provável é que o FIFA 23 seja o último capítulo da série que começou há 30 anos lá no Mega Drive, com o nome FIFA International Soccer. Se isso realmente acontecer, presenciaremos o fim de uma era, com o principal jogo da modalidade precisando se reinventar, ao menos em relação a sua imagem.

Abandonar um nome tão poderoso que vinha sendo utilizado há tanto tempo e que para muitos acabou se tornando sinônimo de jogo de futebol, certamente não é algo que a EA gostaria de encarar. Nesse momento imagino os profissionais responsáveis pelo marketing da empresa queimando neurônios para tentar reverter essa situação e não tenho dúvida de que independentemente do nome que for escolhido, a chuva de reclamações será pesada.

No entanto, como dito pelo Andrew Wilson, no fim das contas FIFA são apenas quatro letras utilizadas para identificar seus jogos. Então, desde que a empresa mantenha (ou até melhore) a qualidade de suas criações, aqueles que jogam a série continuarão fazendo isso, tenha ela adotado o nome EA Sports Football, EA Soccer, EA Futeba ou qualquer outra maluquice imaginada pelos marqueteiros da empresa.

Fonte feed: tecnoblog.net

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