Crítica Euphoria | Zendaya brilha ainda mais na temporada 2

Grande parte das séries e filmes que se passam na vida de adolescentes contam histórias com humor, romance e rivalidade, que sempre acabam tudo bem. Algumas exceções, no entanto, optam por trazer temáticas mais pesadas, como se entrassem na cabeça de cada jovem que, no ápice de sua imaturidade, acredita que a vida nunca vai mudar.

Euphoria, série original da HBO, é uma prova disso. A trama, que estreou ainda em 2019, se passa na vida de Rue (Zendaya), uma adolescente que se perde no vício das drogas após a morte do pai. A produção escolhe falar sobre o universo da protagonista, entre vários outros, de uma forma que chega até a ser poética, mas bastante sombria, do jeito que a HBO gosta de fazer.

A segunda temporada de Euphoria continua explorando o vício de Rue (Imagem: Divulgação/HBO)

Atenção: esta crítica pode conter spoilers da segunda temporada de Euphoria!

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A primeira temporada de Euphoria terminou destacando o relacionamento entre Rue e Jules (Hunter Schaffer), que parecia ser sinal de uma leveza para os próximos episódios, ainda que estivesse em ruínas. No entanto, o vício em drogas estava de mal a pior, sendo uma questão que não deve sair tão cedo da vida da protagonista, assim como acontece na vida real, e vimos um pouco disso no episódio especial da série que saiu no final de 2020.

Os novos episódios da série, portanto, se aprofundam no “fundo do poço” de Rue, deixando o relacionamento que todos queríamos que fosse leve e tranquilo em segundo plano. A nova temporada, mais uma vez, mira em explorar o talento de Zendaya e não economiza em diálogos e monólogos intensos. Em meio a gritos, discussões e desespero, a agonia de estar presa em algo incontrolável “contamina” o espectador e provoca desconforto.

A temporada 2 de Euphoria mostra que os coadjuvantes são tão bons quanto Zendaya (Imagem: Divulgação/HBO)

Confiança

Somente primeiros 11 minutos de Euphoria já mostra que o criador da série, Sam Levinson, sabe muito bem qual é a sua proposta com a trama e que ela funciona. As cenas iniciais são facilmente identificáveis como uma produção da HBO, trazendo uma história do passado de Fezco (Angus Cloud), que tem um papel importante no que Rue é hoje. A primeira temporada se tornou um sucesso de críticas e público, fazendo com que Zendaya se tornasse a atriz mais jovem a ganhar o prêmio de melhor protagonista na história da premiação. Dessa vez, a ambição é claramente maior.

A segunda temporada de Euphoria aposta no que já deu certo e pouco se aventura no novo, o que não é um defeito por ser uma primeira sequência. Por serem poucos episódios em cada temporada, ainda não é hora de se reinventar para não se tornar algo cansativo. Como diz o ditado, “em time que está ganhando não se mexe”. As diferenças entre a primeira e a segunda temporada estão, no entanto, na intensidade das questões. Agora que já conhecemos os personagens, eles podem ser aprofundados sem medo.

Os novos episódios também prepararam um bom espaço para os atores coadjuvantes se destacarem tanto quanto Zendaya se destacou na primeira temporada. Aqueles que pareciam medianos, mostram que trazem uma entrega tão boa quanto, se não no mesmo nível. A sequência não hesita, inclusive, de trazer a mesma intensidade dos temas sérios aos que, em comparação, seriam mais fúteis, mantendo assim o ritmo de euforia, palavra que dá nome à trama, que transparece do começo ao fim.

Novamente, a trama se apega em trazer desconforto a quem está assistindo (Imagem: Divulgação/HBO)

Esperança

Assistir à Euphoria é quase que como presenciar uma crise de ansiedade em suas diversas formas, trazendo uma angústia tão viciante que não dá vontade de parar. É como qualquer tipo de vício, quando sabemos que faz mal, mas não conseguimos interromper o processo, uma vez que a série não foi feita para ser confortável a quem está assistindo, principalmente a quem possa se identificar.

Então, os episódios finais da temporada fazem uma leve transição entre a desesperança de que Rue nunca vai se curar, que aqueles que estão a sua volta nunca irão superar suas questões pessoais, entre a leveza de ver a própria vida sendo interpretada diante de seus olhos e talvez trazer o sentimento de que são fases da vida. Os momentos finais da temporada podem até desopilar o espectador, mas dessa vez levando o desconforto aos próprios personagens, talvez como se fosse uma forma de tentar transicioná-los para a maturidade.

A nova temporada de Euphoria é muito sobre Rue, e pouco sobre Jules, o que pode decepcionar alguns fãs. Ao contrário dos primeiros episódios, a personagem, uma das mais interessantes, parece ter gasto todo o seu potencial e se tornado coadjuvante. Talvez, caso essa percepção seja mais ampla, será algo a ser considerado em uma possível terceira temporada. Ainda assim, a participação de Jules na série é crucial para o destino de Rue, e em breve pode ser indispensável.

Jules se torna uma coadjuvante na segunda temporada (Imagem: Divulgação/HBO)

Euphoria retorna à HBO confortável em sua missão de nos desconfortar, e suas cenas de tirar o fôlego, com certeza, renderão mais reconhecimento à produção, principalmente à Zendaya. O primeiro episódio da segunda temporada estreia neste domingo, dia 9, com os episódios sendo lançados semanalmente na HBO Max.

Fonte feed: canaltech.com.br

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