Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (29/01 a 04/02/2022)

Mais um sábado, mais um compilado das imagens astronômicas da semana, selecionadas por especialistas da NASA.

Desta vez, a Lua é um dos principais destaques dos materiais selecionados: há um vídeo que mostra as fases do nosso satélite natural ao longo do ano, uma imagem composta da Lua ao lado de Vênus, enquanto ambos mostram uma mesma fase, e até um clique dela iluminada pela luz refletida pela Terra.

Outros objetos não poderiam ficar de fora, claro. Assim, as imagens desta semana incluem registros também de um repleto de galáxias elípticas, um filamento de plasma surgindo no Sol e até uma imagem do interior da Via Láctea, com algumas estruturas desconhecidas para os astrônomos.

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Confira:

Sábado (29) — Aglomerado de galáxias

O aglomerado Fornax, a cerca de 62 milhões de anos-luz de nós (Imagem: Reprodução/Marco Lorenzi, Angus Lau, Tommy Tse)

Que tal conhecer um dos aglomerados galácticos mais ricos a até 100 milhões de anos-luz de nós, como este que aparece na imagem acima? Este é o aglomerado Fornax, localizado a cerca de 62 milhões de anos-luz, distância, quase 20 vezes maior que aquela entre a galáxia Andrômeda e a Via Láctea — e, mesmo assim, ele é considerado um dos mais próximos do Sistema Solar.

Quase cada um dos pontinhos amarelos brilhantes vistos aqui são uma galáxia elíptica membro do aglomerado. As galáxias elípticas são consideradas as mais frequentes no universo, e como contêm estrelas mais antigas e menos gás, os cientistas acreditam que elas estão se aproximando do fim de suas vidas. Geralmente, elas são encontradas ao redor de aglomerados e de grupos de galáxias.

Dentre as elípticas da foto, há duas que se destacam: a NGC 1399 e a NGC 1404 chamam a atenção pelo seu brilho, e aparecem do lado esquerdo da imagem. Já na parte direita, está a galáxia espiral NGC 1365, que tem um buraco negro supermassivo em seu interior alimentado por um fluxo estável de matéria.

Domingo (30) — Plasma no Sol

Arcos de plasma registrados pelo observatório SOHO (Imagem: Reprodução/NASA, ESA, SOHO-EIT Consortium)

Este registro do Sol foi feito em 1999 pelo observatório SOHO, da NASA, que flagrou algo curioso. Perceba que, na parte superior da nossa estrela, há uma grande formação curva. Trata-se de uma proeminência formada por uma grande nuvem de plasma denso e relativamente frio, suspenso com a ajuda dos campos magnéticos da nossa estrela, que retêm os gases ionizados.

Neste dia, o plasma aquecido estava escapando para o espaço enquanto uma proeminência saía da ação do campo magnético, que a deixava presa a algumas centenas de milhares de quilômetros acima da superfície do Sol. Nesta imagem, as áreas mais quentes aparecem nos locais mais claros, quase brancos, enquanto as mais escuras indicam temperaturas mais baixas.

Além de serem fascinantes, os eventos que ocorrem no Sol são monitorados atentamente pelos cientistas, já que são capazes de afetar os sistemas de comunicação e energia em nosso planeta. Em março de 1989, por exemplo, a província do Quebec, no Canadá, sofreu um blecaute completo. A causa? Bem, uma tempestade solar tão poderosa que, em apenas alguns minutos, liberou a energia de milhares de bombas nucleares detonadas juntas.

Segunda-feira (31) — Nebulosa Carina em detalhes

Porção ao norte da Nebulosa Carina (Imagem: Reprodução/Roberto Colombari)

Não é à toa que a formação acima é conhecida como “Grande Nebulosa de Carina”. Localizada a cerca de 8.500 anos-luz na constelação de Carina, esta nebulosa é uma enorme região formadora de estrelas que se estende por mais de 300 anos-luz, sendo maior e mais brilhante que a Nebulosa de Órion. Nesta imagem, vemos os detalhes da parte norte dela.

Nesta região, há algumas formações enevoadas visíveis — entre elas, estão os filamentos circulares presentes no canto inferior esquerdo da foto. Estes filamentos cercam a estrela WR223, considerada uma estrela Wolf-Rayet. Este nome é dado às estrelas massivas que perderam completamente o hidrogênio externo de suas estruturas, e estão realizando a fusão de hélio ou de elementos pesados em seus núcleos.

Já no centro da imagem, um pouco à esquerda, está a Nebulosa de Gabriela Mistral. Esta é uma nebulosa de emissão formada por gás brilhante ao redor do NGC 3324, um pequeno aglomerado estelar aberto. Por fim, um pouco acima em relação ao meio da foto, está o aglomerado NGC 3293; à direita dele, está a nebulosa Loden 153, uma discreta nebulosa de emissão.

Terça-feira (1) — As fases da Lua

Ainda estamos no início de 2022 e, caso você já queira saber (e ver) as fases lunares deste ano, o vídeo acima dá uma boa ideia do que esperar. Esta animação foi produzida com base em imagens e dados de altitude obtidos pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, da NASA, para mostrar todas as 12 lunações (ou seja, ciclos completos, com todas as fases) do nosso satélite natural, observadas do hemisfério norte.

Durante as lunações, a luz do Sol é refletida pela superfície da Lua de diferentes ângulos, iluminando as formações lunares de diferentes formas. Conforme orbita a Terra, seguindo uma trajetória levemente elíptica a parte do disco lunar que recebe luz solar vai ficando cada vez mais visível; depois, ocorre o oposto, e a visibilidade vai diminuindo.

Como a órbita da Lua é uma elipse e não um círculo perfeito, a distância que nos separa dela varia ao longo do ano — ou, mais especificamente, de 356.400 km a 406.700 km. A cada órbita, a menor distância para a Terra recebe o nome “perigeu”, enquanto a maior é chamada “apogeu”. Como fica mais próxima da Terra durante o perigeu, a Lua aparenta ser maior.

Quarta-feira (2) — Retrato do centro da Via Láctea

O coração da Via Láctea, registrado em ondas de ráido (Imagem: Reprodução/ Ian Heywood (Oxford U.), SARAO/Juan Carlos Munoz-Mateos (ESO)

Pode não parecer, mas este emaranhado de cores e formatos mostra um pouco do que há no coração da Via Láctea. Esta é uma região difícil de ser observada com telescópios ópticos, já que a luz visível detectada por estes instrumentos é bloqueada pela poeira interestelar. Por outro lado, há comprimentos de onda, como as emissões rádio, que permitem observar o que existe por lá.

É exatamente isso que aparece na foto, um grande retrato do centro da Via Láctea produzido pelo radiotelescópio MeerKAT, instalado na África do Sul. A área registrada se estende por algo equivalente a quatro vezes o tamanho da Lua cheia, e inclui algumas fontes de emissões bastante conhecidas — no centro da foto, por exemplo, está Sagitário A*, o buraco negro supermassivo no interior da nossa galáxia.

Contudo, algumas destas fontes continuam representando uma grande incógnita para os astrônomos. Entre estas estruturas misteriosas, estão algumas centenas de filamentos magnéticos que se estendem por cerca de 150 anos-luz, organizados em pares. Não se sabe ao certo de onde eles vieram, mas algumas possibilidades já foram descartadas: é pouco provável que sejam resultado de remanescentes de supernovas.

Quinta-feira (3) — Vênus e a Lua

Vênus e Lua, ambos registrados na fase crescente (Imagem: Reprodução/Juan Luis Cánovas Pérez)

Pois é, não é somente a Lua que tem fases. Esta foto mostra que Vênus, o terceiro objeto mais brilhante do céu (os primeiros são, respectivamente, o Sol e a Lua), também as mostra de tempos em tempos. Às vezes, as fases venusianas podem proporcionar registros impressionantes como este acima, que mostra tanto o planeta quanto a Lua durante a fase crescente, ocorrida no fim de janeiro.

Naquele dia, os discos visíveis de ambos estavam aproximadamente 12% iluminados, conforme subiam acima do horizonte. Os registros foram feitos separadamente com diferentes ampliações (até porque Vênus estava com apenas 1/30 do tamanho da Lua no momento da foto), e são formados por sequências de quadros de um vídeo, produzido com um pequeno telescópio.

Conforme a Lua orbita a Terra, vemos diferentes porcentagens de sua superfície iluminadas pelo Sol, que formam as fases. Já no caso de Vênus, há algumas diferenças: o planeta orbita o Sol em uma órbita menor que a da Terra; assim, quando do outro lado do do Sol em relação à Terra, ele fica totalmente iluminado na fase “cheia”. Conforme se aproxima de nós, o tamanho aparente do planeta aumenta e a fase muda para crescente.

Sexta-feira (4) — Lua da Terra e luas de Júpiter

Lua, Júpiter e alguns de seus satélites naturais registrados em Cancún, no México (Imagem: Reprodução/Robert Fedez)

Fevereiro começou com uma noite espetacular em Cancún, no México: no dia 2, a Lua crescente brilhou no céu acompanhada de Júpiter, o único planeta visível no céu naquela noite — e ambos foram capturados em uma única exposição, feita logo após o Sol se pôr. O gigante gasoso aparece no canto superior direito da foto, e a Lua, no lado esquerdo.

Apesar de a Lua ter somente um pouquinho do seu disco iluminado pelo Sol, conseguimos ver o restante de sua superfície graças à luz refletida pela Terra. Esta luz viaja pelo espaço, e parte dela encontra o solo lunar, que reflete uma parte da luminosidade de volta para nossos olhos; enquanto isso, grande parte da luz refletida acaba absorvida pelo solo do nosso satélite natural.

Por fim, se você observar atentamente a parte da imagem em que Júpiter aparece, verá que há alguns pontinhos brilhantes próximos do planeta; ali, estão as luas Ganimedes, Io, Europa e Calisto. Elas são conhecidas como “luas galileanas” por terem sido observadas pelo astrônomo italiano Galileu Galilei, e seus nomes representam figuras mitológicas relacionadas a Júpiter.

Fonte: APOD

Fonte feed: canaltech.com.br

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