Massacre: a saga em que o Professor X se tornou supervilão na Marvel

O Professor X tem tido bastante destaque ultimamente. Seja por conta de sua possível participação no grupo secreto Illuminati, em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura; ou pela famosa animação noventista que foi confirmada no cânone do Universo Cinematográfico Marvel (MCU, na sigla em inglês) e terá continuação pela própria Marvel Studios; ou pelo fato de Charles Xavier andar muito mais proativo e diferente na atual fase dos X-Men nos quadrinhos.

Com isso, muita gente que não acompanhou na época, no começo dos anos 1990, não compreende muito bem o que aconteceu em uma fase em que ele se tornou um supervilão chamado Massacre — ok, sejamos justos, não foi bem o Professor X, mas era essa a ideia divulgada no período. E é isso que o Canaltech vai te explicar mais abaixo.

Como sempre, é preciso contextualizar um pouco aquele período, para que todos possam entender a decisão de a Marvel Comics tornar o Professor X em uma criatura que colocou todo o Universo Marvel em perigo e, no final do confronto, aparentemente matou todos do Quarteto Fantástico e dos Vingadores.

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Professor X e os X-Men desgastados nos anos 1990

Já comentei aqui em várias matérias de quadrinhos o cenário decadente do mercado de super-heróis nos anos 1990. Resumidamente, o setor estava saturado e sem criatividade, o que levou as editoras Marvel e DC a tomar atitudes drásticas — a própria Casa das Ideias abriu processo de falência na época, o que a levou a vender várias de suas propriedades para estúdios de cinema. Vale destacar que, naquele período, filmes de superseres vestindo colantes coloridos eram sinônimo de fracasso, com raras exceções.

A única propriedade da Marvel que continuava fazendo sucesso massivo nas bancas eram os X-Men. Por isso mesmo, a editora explorou ao máximo as revistas que tinham um “X” na capa. Esses títulos se multiplicaram nas lojas, enquanto heróis como Capitão América, Homem de Ferro, Thor, e os Vingadores, em geral, não emplacavam boas fases; e o Quarteto Fantástico definhava.

Professor X andava meio doente à frente dos X-Men de Jim Lee (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Inicialmente, isso gerou ótimas histórias dos X-Men e desenvolveu bastante o background dos mutantes na cronologia da Marvel. Mas, no final da década, essa superexposição cobrou seu preço: a cronologia virou uma bagunça; e alguns personagens, como Wolverine, ficaram tão desgastados, que essa onda começou a se esgotar.

É preciso também explicar um detalhe importante que rolou nos bastidores. Os artistas Jim Lee e Rob Liefield ajudaram bastante a criar histórias e personagens que venderam milhões de exemplares de revistas ligadas aos X-Men do final dos anos 1980 até o começo dos 1990. Mas, descontentes por não serem remunerados adequadamente por tamanho sucesso, eles abandonaram a Marvel.

A X-Force de Rob Liefield também fazia muito sucesso na época (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Tanto Lee quanto Liefeld passaram a integrar a Image Comics, editora que inicialmente nasceu para reunir estúdios de vários artistas infelizes com os pagamentos de royalties da Marvel e da DC. Ambos criaram seus próprios títulos, que até conquistaram seu público e fizeram relativo sucesso. Mas eles ainda eram muito ligados aos X-Men.

Em uma tentativa de renovar os desgastados X-Men e trazer de volta o sucesso para os Vingadores e o Quarteto Fantástico, a Marvel, então, criou um evento que funcionasse como um “soft reboot”. E assim nasceu o supervilão Massacre, com poder de destruir a realidade e ameaçar todos os supergrupos da Casa das Ideias.

Como o Professor X se tornou o vilão Massacre

Na saga Atrações Fatais, de 1993, Magneto tinha criado uma comunidade fora da Terra, onde ele vivia com outros mutantes que já não mais acreditavam na possibilidade de convivência pacífica com os humanos. O governo dos Estados Unidos, porém, não via com bons olhos esse grupo orbitando o planeta; então, as autoridades se uniram para criar uma barreira que os impedisse de retornar.

Magneto ficou furioso e mexeu com a própria estrutura eletromagnética da Terra, derrubando a energia elétrica de todo o planeta, por tempo suficiente para matar milhares de pessoas — principalmente àquelas que precisavam de máquinas para viver em hospitais. Os X-Men, liderados pelo Professor X, foram confrontar Magnus em seu asteroide-comunidade.

Magneto foi impiedoso com Wolverine (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Vale destacar que, nesta época, Charles Xavier vinha se recuperando de problemas em seu corpo e mente — ele até tinha ido se tratar no espaço com tecnologia Shi’ar. Durante a luta, Magneto foi atacado ferozmente por Wolverine, e respondeu arrancando todo o adamantium de seu esqueleto, deixando Logan próximo da morte.

Xavier, em uma atitude extrema, usou seus poderes para “desligar” a mente de Magneto. Mas… isso teve um preço: enquanto o Professor X estava no cérebro de Magnus, toda a raiva, a dor, e o desejo de vingança “contaminaram” o subconsciente do mentor dos X-Men. Essa “energia hostil”, combinada com as frustrações do próprio telepata, geraram uma personalidade distinta, extremamente poderosa e perigosa, chamada de Massacre.

Professor X “desligou” a mente de Magneto (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Essa entidade não apareceu imediatamente durante o confronto. Ela ficou adormecida em Xavier. Posteriormente, com a histeria antimutante escalando pelo mundo; e com a chegada do letal Vírus Legado ameaçando os Filhos do Átomo, a mente do Professor X foi cedendo. Massacre ganhou poder internamente, o suficiente para se tornar uma criatura fora do corpo do telepata.

Massacre era uma combinação brutal e ameaçadora com os poderes combinados do Professor X e de Magneto. Inicialmente, ele até tinha planos de unir humanos e mutantes, mas de uma forma mais agressiva. Só que isso não deu certo e o supervilão decidiu apenas destruir o planeta inteiro.

O que aconteceu depois de Massacre

A saga de 1996 reuniu todos os maiores defensores da Terra, incluindo os Vingadores, assim como o Quarteto Fantástico, e até outros heróis e vilões ligados aos dois grupos, a exemplo de Namor e Doutor Destino. Eles foram aparentemente destruídos por Massacre, vencido pelo esforço conjunto dos supertimes.

Heróis e até vilões contra Massacre (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Só que, aí estava a “pegadinha” da Marvel para promover seu “soft reboot”. Ela usou o poderoso filho de Reed Richards, Franklin Richards, para explicar que o menino criou um universo alternativo para abrigar as pessoas que estavam morrendo nas mãos de Massacre.

A iniciativa Heróis Renascem, que veio depois, não deu muito certo (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Assim nasceu o projeto Herois Renascem, em que os Vingadores e o Quarteto Fantástico e os personagens ligados aos dois grupos foram parar em um “realidade de bolso”, para serem remodelados e atualizados por artistas liderados pelos dois nomes que haviam feito um bom trabalho com os X-Men: Jim Lee e Rob Liefield, que recrutaram quadrinhistas de seus estúdios da Image para fazer o trabalho.

Bem, essa iniciativa não deu muito certo. E depois os Vingadores e o Quarteto Fantástico, assim como tudo que fez parte desse universo alternativo, retornaram à Terra principal. E as reformulações que deram certo vieram somente na década seguinte. Mas isso é tema para outro dia.

Fonte feed: canaltech.com.br

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