O que é a plataforma Rumble?

A Rumble é uma plataforma de hospedagem de vídeos que parece uma cópia do YouTube, porém com um discurso teoricamente mais voltado para a liberdade de expresão. O visual é bem semelhante ao serviço do Google, inclusive com a barra lateral de recomendação e a separação por categorias, tais como notícias, virais, finanças, entretenimento, ciência, esportes e podcasts.

Além de permitir que os cadastrados subam vídeos para o sistema, a Rumble também oferece serviços adicionais. Ela possibilita, por exemplo, a criação de players de vídeos personalizados em HTML5 para quem quiser integrar ao seu próprio site. Os materiais ficam guardados no site e oferecem estatísticas de acesso completas.

O visual da Rumble é bem parecido com o YouTube (Imagem: Captura de tela/Alveni Lisboa/Canaltech)

Outro serviço é o licenciamento de vídeos, que garante 50% de participação na receita dos conteúdos publicados sem a cobrança de taxas adicionais. O serviço de monetização parece funcionar de maneira mais simples que os rivais, com “altas taxas de cliques”, conforme a descrição no site.

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A Rumble diz ter mais de 130 mil canais hospedados e cerca de 400 mil vídeos ativos. Além disso, oferece suporte a plugins para empresas e integração total com sites em WordPress.

Em uma breve navegação pela página, é possível notar que a boa parte do conteúdo disponível por lá é associado à extrema-direita dos Estados Unidos. Há muitos vídeos de apoio ao ex-presidente Donald Trump e com críticas duras ao atual mandatário Joe Biden. Por outro lado, há vídeos leves e informativos, como gatos que lutam contra cachorros e histórias sobre a vida de Albert Einstein e Elon Musk.

Chegada da Rumble no Brasil

No dia 2 de março de 2022, a Rumble anunciou que o Brasil seria a próxima parada do serviço. Na época do anúncio, nem houve tanta repercussão, afinal trata-se de um serviço pouco conhecido por essas bandas. Porém, nas últimas semanas, o site ganhou apoio e começou a crescer como uma alternativa “isenta” para propagação de “conteúdo livre”.

A Rumble foi fundada em 2013 como uma maneira de fornecer aos pequenos criadores de vídeo uma maneira de hospedar, gerenciar, distribuir e monetizar seu conteúdo. A empresa precisou enfrentar a concorrência de gigantes do mercado, como YouTube e Vimeo, por isso nunca chegou a decolar.

Na página de informações sobre a empresa, é possível notar alguns dos pilares da atuação do serviço:

  • infraestrutura montada para ser “imune” a cultura do cancelamento;
  • movimento que não reprime, censura ou pune a criatividade e a liberdade de expressão;
  • empresa de capital aberto que permite investimento dos admiradores;
  • luta para “restaurar” uma internet livre e aberta.

A palavra inglesa rumble significa estrondo ou explosão, mas também pode ser empregado com o viés de rumor, expectativa, buzz. Talvez seja esse segundo sentido que tenha mais ligação com a plataforma, embora não dê para negar que o desembarque por aqui vai causar uma grande explosão no mercado, principalmente nas proximidades do período eleitoral.

Uma rede sem moderação

Agora que os grandes serviços passaram a moderar o conteúdo divulgado, a Rumble enxergou a carência de uma parcela do público e se agarrou a uma oportunidade de crescer. Sem intermediação das empresas e das agências de checagem, os usuários ficam livres para publicar o que quiserem sem questionamentos.

A rede nem chegou por aqui e já foi apelidada de “YouTube liberal” porque promete não se intrometer na divulgação de conteúdo, exceto se for falso, difamatório, ameaçador ou criminoso. São 13 tópicos marcados como sujeitos a ações da Ramble — “proibir, recusar, excluir, mover e editar” —, que vão desde fazer propaganda de concorrentes, falar sobre pirâmides financeiras e até incitar ódio.

É por isso que fica a dúvida sobre como será o tratamento dado a vídeos com conteúdos violentos ou mentirosos — como afirmações sem qualquer embasamento científico, comprobatório ou documental. Se um supremacista branco postar um vídeo no qual acusa a população negra de ser inferior, isso seria removido por crime de racismo ou mantido como liberdade de expressão?

O youtuber Monark, por exemplo, já sugeriu em seu Twitter que pretende retomar seu trabalho na Rumble. O ex-fundador do podcast Flow precisou deixar a equipe após ser acusado de fazer apologia ao nazismo, prática considerada crime no Brasil, e teve a monetização do seu canal suspensa pelo YouTube.

Por enquanto, a Rumble ainda não desembarcou oficialmente no Brasil, tanto que o site inteiro está em inglês. O Canaltech enviou um pedido de entrevista para esclarecer alguns pontos importantes, como a data de chegada e como a rede pretende lidar com informações falsas em ano eleitoral, mas não teve resposta até o fechamento desta matéria.

Fonte feed: canaltech.com.br

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