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Estudo revela que impacto de cometa em Mercúrio pode ter originado geleiras polares

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Lucas Soares
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Um estudo recente resolveu parte do enigma sobre a origem do gelo de água escondido nas regiões polares de Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol. Publicado no Journal of Geophysical Research: Planets, o trabalho oferece a explicação mais detalhada já registrada: um único impacto de um cometa ou asteroide pode ter depositado toda a água que hoje permanece aprisionada nas sombras permanentes dos polos, onde as temperaturas podem atingir 430°C durante o dia.

A simulação do impacto

Pela primeira vez, pesquisadores simulam completamente o processo de transporte e retenção de água após uma colisão de grande escala no planeta. O estudo aponta para o impacto que criou a cratera Hokusai, com 97 quilômetros de diâmetro. De acordo com os cálculos, o objeto responsável teria aproximadamente 17 quilômetros de diâmetro e viajado a 30 quilômetros por segundo. Menos de uma hora após o choque, o vapor de água liberado envolveu completamente Mercúrio, gerando uma atmosfera temporária e densa onde antes existia apenas uma exosfera tênue.

Atmosfera temporária protegeu a água

A atmosfera gerada pelo impacto foi tão espessa que protegeu parte considerável do vapor de água da fotólise, processo de quebra de moléculas pela radiação solar. Sem essa proteção, aproximadamente 96% da água seria destruída. No entanto, com a atmosfera temporária形成的, esse índice caiu para 46%, permitindo que 22,4% da massa total de água fosse retida nas chamadas "armadilhas frias", regiões permanentemente sombreadas próximas aos polos.

Essa quantidade equivale a cerca de 2,3 × 10¹³ quilogramas de gelo, representando o limite inferior das estimativas atuais para os depósitos polares de Mercúrio. A simulação também demonstrou que, em um único dia mercuriano, o vapor migrou eficientemente para ambos os polos, com uma distribuição mais uniforme do que se imaginava anteriormente.

A questão da espessura do gelo

Apesar de a massa total ser plausível, o modelo produziu camadas de gelo com no máximo 37 centímetros de espessura, muito abaixo dos vários metros detectados por observações de radar. Os próprios pesquisadores admitem que, para explicar as observações reais, o impactor precisaria ser maior e mais lento do que o considerado nas simulações.

Limitações e direções futuras

O estudo modelou exclusivamente a água, ignorando outros elementos voláteis e processos posteriores, como o "jardinamento por impacto" – a constante mistura da superfície por micrometeoritos que poderia soterrar ou redistribuir o gelo ao longo de milhões de anos. Os autores reconhecem que são necessários mais parâmetros de simulação, incluindo tamanho, velocidade e ângulo de impacto, para refinar os resultados.

Futuras missões espaciais, como a BepiColombo, que entrou em órbita de Mercúrio em 2025, poderão fornecer dados mais precisos sobre a espessura e a composição dos depósitos polares. Essas observações ajudarão a confirmar se foi mesmo um único cometa – ou uma combinação de múltiplos eventos – que trouxe água ao planeta mais próximo do Sol. Enquanto isso, o estudo já demonstra que, em condições extremas, um impacto isolado pode ser suficiente para criar reservatórios de gelo duradouros.

Fonte: https://olhardigital.com.br

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