O sindicato de funcionários do Xbox está se mobilizando contra as demissões em massa anunciadas pela Microsoft e apresentou diversas reivindicações durante coletiva de imprensa realizada na última segunda-feira.
A entidade representativa dos trabalhadores criticou duramente a gestão da empresa, afirmando que os funcionários estão sendo tratados como descartáveis. "Nos recusamos a ser deixados no escuro enquanto a empresa decide realizar uma reestruturação que afeta gravemente a todos", declarou Morgan Goin, designer sênior de encontros da ZeniMax Online Studios. "Por que uma desenvolvedora de jogos se daria ao trabalho de apresentar seu melhor trabalho nessas condições? Trabalho árduo e ótimos jogos não salvam você de demissões na Microsoft."
A coletiva foi organizada pela Comunicação Trabalhadores da América antes das demissões que, segundo fontes internas, devem ser um "banho de sangue". Os sindicalizados lembraram que no ano passado, nove mil pessoas perderam seus empregos em toda a Microsoft, resultando no cancelamento de vários projetos, incluindo o aguardado relançamento de Perfect Dark. O estúdio responsável pelo título, The Initiative, fechou as portas sem nunca ter lançado um jogo.
Os funcionários apresentaram diversas reivindicações à empresa, incluindo aviso prévio sobre demissões, direito de reintegração por dois anos, indenização adequada, opção de demissão voluntária para evitar demissões involuntárias e transferência dos afetados para outros estúdios ou funções dentro da empresa. Também pedem proteções para todos os trabalhadores, não apenas para os sindicalizados.
Durante a coletiva, os palestrantes afirmaram que a Microsoft não havia dado tempo a todos os representantes sindicais para negociar. Segundo um membro da entidade, a empresa deixou uma proposta parada por quatro meses.
Mahreen Fatima, artista sênior de ambientes de Diablo, criticou os investimentos da empresa em inteligência artificial. "A direção aponta para a receita e as margens de lucro para justificar nossos cortes e, na semana passada, aumentou os preços dos consoles para os jogadores pela terceira vez desde 2025. Eles não estão com falta de dinheiro. Veja os bilhões que estão investindo em IA. Eles simplesmente estão optando por não nos proteger."
Goin também mencionou o recente aumento de preço dos consoles, motivado por uma crise de componentes. "Mesmo a empresa afirmando que somos caros demais para manter, ela está aumentando novamente os preços dos consoles para os jogadores, alegando uma escassez de memória RAM que a própria Microsoft agravou."
A editora sênior da Blizzard, Alison Veneto, afirmou que a falta de proteções e as demissões iminentes dificultam o trabalho das pessoas. "Meus colegas de trabalho só querem se concentrar em criar jogos incríveis para os jogadores. Eles não querem passar todos os dias se preocupando se haverá mais uma rodada de demissões."
Andrew Snell, testador de controle de qualidade da Activision, deixou claro que as ações da Microsoft não afetam apenas os funcionários, mas também os jogadores. "Funcionários e jogadores estão do mesmo lado nessa questão e estamos cansados de pagar pelos erros dos executivos."
A Microsoft não confirmou explicitamente demissões ou fechamento de estúdios ao público, mas a nova chefe da Xbox, Asha Sharma, afirmou em um memorando que a empresa realizará uma "reestruturação" a fim de se posicionar melhor para o futuro. Um porta-voz da empresa disse que estão trabalhando com a entidade sindical para chegar a um acordo adequado.
Fonte: IGN Brasil
