Está chegando a época das viagens de verão, mas os preços altos dos combustíveis tornam essas jornadas um investimento pesado. A maioria de nós ainda depende de veículos com motor a combustão, o que significa pagar mais — e de várias formas, incluindo o impacto ambiental. Mas há uma solução simples: diminuir a velocidade ao volante.
É claro que isso significa levar mais tempo para chegar ao destino. Mas vale a pena entender a física por trás dessa escolha. Vamos considerar uma viagem de 48 quilômetros em uma rodovia onde o limite de velocidade é 112 km/h. Se você manter essa velocidade, a viagem levará cerca de 25,7 minutos. Aumentando para 120 km/h, você economiza apenas 1,7 minuto. Parece pouco, não é?
O consumo de combustível conta uma história diferente. Talvez você pense que a economia é melhor em highways do que em cidades, e está certo — mas não porque a velocidade seja maior. A vantagem está em manter uma velocidade constante. Na cidade, você está sempre freando e acelerando, e isso exige muita energia para colocar o carro em movimento novamente.
Na estrada, se considerarmos apenas a condução em velocidade constante, quanto mais rápido você vai, mais combustível é necessário para percorrer a mesma distância. Isso acontece por causa das forças que atuam em um carro em movimento.
Existem três forças horizontais: a força de atrito estático entre os pneus e o asfalto, que impulsiona o veículo para frente; a força de atrito de rolamento dos pneus sobre a estrada; e a resistência do ar, também chamada de arrasto aerodinâmico. As duas últimas empurram para trás, resistindo ao movimento do carro.
Quando o carro mantém velocidade constante, as forças que empurram para frente devem ser exatamente iguais às que empurram para trás. O atrito de rolamento não varia muito com a velocidade, mas a resistência do ar não apenas depende da velocidade, como é proporcional ao seu quadrado. Se você dobra a velocidade, o arrasto do ar quadruplica.
Isso significa que, em velocidades mais altas, o lado direito da equação de forças fica muito maior, exigindo uma força maior do lado oposto para manter essa velocidade. E isso requer que o motor queime mais combustível, resultando em menor eficiência.
Em resumo, a autonomia do veículo diminui em velocidades maiores porque a resistência do ar cresce muito mais rápido do que a velocidade. Então, se você estiver a 32 quilômetros do posto de gasolina mais próximo, a melhor estratégia é diminuir a velocidade, mesmo que leve mais tempo — assim você usa menos combustível para cobrir a mesma distância. Quanto mais devagar você vai, mais longe consegue chegar, pelo menos até cerca de 80 km/h, onde o arrasto do ar não é mais um fator significativo.
Quanta variação existe na autonomia conforme a velocidade? Cada carro é diferente, mas o Departamento de Energia dos Estados Unidos estima que, a cada 8 km/h acima de 80 km/h, a eficiência do combustível cai 7%. Vamos a um exemplo prático: se o seu carro faz 12,7 km por litro a 112 km/h, a 120 km/h ele faria 11,8 km por litro, e a 104 km/h faria 13,7 km por litro.
Agora vamos juntar tudo isso. Se você dirige mais rápido, economiza tempo, mas usa mais combustível, o que custa mais caro. Vamos usar uma viagem de 48 quilômetros, considerando que a gasolina custa R$ 20 por litro. Se você dirige a 112 km/h com eficiência de 12,7 km/L, usa 3,8 litros, o que custa cerca de R$ 76. Aumentando para 120 km/h, usa 4,1 litros, um custo adicional de apenas R$ 6.
Mas lembre-se: você está economizando apenas 1,7 minuto, ou 0,028 hora. Dividindo o custo adicional pela economia de tempo, temos uma "penalidade" de cerca de R$ 214 por hora economizada.
Agora imagine uma viagem de 800 quilômetros no fim de semana de Dia da Independência. Se você mantém o controle de velocidade em 112 km/h, serão 7,14 horas de viagem. Reduzindo para 96 km/h, você adiciona cerca de uma hora ao percurso.
Mas sua eficiência de combustível vai aumentar de 12,7 para 14,9 km por litro. Isso significa que você usará 9,5 litros menos para percorrer a mesma distância, economizando R$ 190. De outra forma: dirigir na faixa lenta é como pagar R$ 17 por litro de combustível em vez de R$ 20.
Você provavelmente procuraria essa diferença de preço, não é? E ainda por cima, reduziria suas emissões de CO2 em mais de 22 quilos durante a viagem.
Então meu conselho? Alivie o acelerador, ajude o planeta e aproveite a paisagem.
Fonte: Feed: All Latest
