A Nvidia, uma das empresas mais valiosas do mundo devido ao boom da inteligência artificial, também desempenha um papel fundamental na indústria automotiva. Xinzhou Wu, head de automotive da empresa, concedeu uma entrevista exclusiva onde discutiu os rumos do setor em meio à transição para veículos elétricos e autônomos.
Segundo Wu, a indústria automotiva está passando por uma transformação sem precedentes, comparável a uma "reinvenção da natureza fundamental do carro". Ele explica que o conceito de "veículo definido por software" está dando lugar ao que chama de "veículo definido por IA", onde a inteligência artificial reescreve a maior parte do software dos automóveis.
A questão dos recursos computacionais dentro da própria Nvidia foi abordada abertamente por Wu. Ele revelou que precisa competir semanalmente por capacidade de processamento com o setor de IA da empresa, que está em expansão acelerada. "Até o head de automotiva da Nvidia precisa lutar por recursos computacionais", afirmou, destacando que frequentemente precisa da ajuda do CEO Jensen Huang para resolver esses conflitos.
Sobre a polêmica entre usar ou não lidar nos veículos autônomos, Wu foi direto: a Nvidia acredita que o lidar é essencial para a segurança e redundância necessárias para a autonomia Level 4. No entanto, reconheceu que a Tesla, com sua abordagem baseada apenas em visão, está à frente no mercado de assistência ao motorista (L2++).
O executivo também falou sobre a vantagem competitiva da China na eletrificação, explicando que as montadoras chinesas conseguiram começar do zero com arquiteturas de veículos elétricos, sem o peso da infraestrutura de motores a combustão. "Todos estão se adaptando a uma arquitetura de computação centralizada porque é assim que se compete", disse Wu.
Questionado sobre quando a autonomia Level 4 se tornará mainstream, Wu fez uma previsão ousada: "menos de cinco anos". Ele acredita que a tecnologia está amadurecendo rapidamente e que a Nvidia está trabalhando com 80% das montadoras de produção em massa através do ecossistema Hyperion.
Sobre as tensões comerciais entre EUA e China, Wu afirmou que a Nvidia continua fornecendo chips para clientes chineses que estão abaixo do limite de restrições, além de trabalhar com infraestrutura de simulação e modelos de código aberto. A empresa não escolhe vencedores e tenta trabalhar com todos os fabricantes, segundo o executivo.
Fonte: The Verge
