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Tribunal britânico analisa pela primeira vez quitação de dívida corporativa em bitcoin

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Bandeira do Reino Unido com moedas em destaque — Fonte: Livecoins
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A justiça da Inglaterra analisou no sábado um caso que pode mudar a forma como dívidas corporativas são quitadas no país. O julgamento envolveu uma disputa entre o empresario britanico Hamze Haji Hussain e o investidor Markus Harald Fix, que trabalharam juntos em projetos de comercio internacional durante dois anos.

A ação judicial cobrava o pagamento de 7,8 bitcoins como reembolso de despesas corporativas conjuntas. Os dois homens collaboraram em negocios de liquidação de pagamentos na África e no comercio de ouro na região do Golfo Pérsico entre 2021 e 2023. Hussain afirmou ter pago diversas despesas da empresa com seu proprio dinheiro fiduciário durante o periodo da sociedade, e Fix teria concordado em devolver metade desses custos por meio do envio de criptoativos na cotação de mercado da época.

O credor apresentou mensagens antigas como prova de que ambas as partes tinham aceitado o formato de pagamento em bitcoin no contrato. O réu não compareceu à audiência principal, deixando a corte sem uma defesa oficial para contestar os fatos apresentados. Por esse motivo, a autoridade jurídica aceitou a validade da cobrança.

Contudo, o juiz demonstrou hesitação em emitir uma ordem de pagamento baseada exclusivamente no saldo em bitcoin, temendo criar precedentes perigosos. A volatilidade das criptomoedas representa um desafio significativo para as regras judiciais britânicas, pois a cotação do bitcoin sofre variações bruscas em relação à moeda local ao longo do tempo. Esse fator cria um impacto financeiro amplo nas decisões sobre a data exata da conversão dos valores em disputa.

As leis antigas da Inglaterra dividem as propriedades pessoais entre posses materiais e direitos de ação sobre obrigações de terceiros. As criptomoedas fogem dessas categorias tradicionais por dispensar a forma física e o controle por parte de entidades centrais. A comissão de leis do país reconhece os criptoativos como uma categoria nova e flexível de propriedade pessoal, mas o juiz do caso preferiu ordenar a conversão do saldo devido para libras esterlinas.

A decisão frustrou os planos de credores que buscavam receber o ativo original. Além disso, a conversão para moeda governamental retira o risco de variação de preços assumido pelas partes no momento do acordo comercial. Quando uma empresa aceita receber em bitcoin, o interesse recai sobre a posse do proprio ativo digital.

A maioria das disputas globais envolvendo criptoativos costuma denunciar fraudes ou roubos promovidos por quadrilhas organizadas. Este processo indica uma mudança com a adoção organica das criptomoedas nas rotinas corporativas de cidadãos comuns. O desfecho dessa disputa não gerou um precedente para a quitação judicial de dívidas no formato direto de criptoativos, mas o mercado aguarda novos casos que possam forçar os tribunais a adaptarem as regras ao avanço da economia digital.

Fonte: Livecoins

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