A grande vitrine de tecnologia da Samsung no meio do ano não trouxe surpresas para quem tem coração fraco. Junto com dois novos relógios inteligentes e uma série de parcerias com empresas de inteligência artificial e fabricantes de chips, a marca asiática apresentou três novos celulares dobráveis: o Galaxy Z Fold 8 Ultra, o redesenhado Galaxy Z Fold 8 e o Galaxy Z Flip 8, que manteve a fórmula já conhecida dos consumidores.
O modelo base, o Z Fold 8, pode ser o destaque entre os lançamentos, com uma tela principal de 7,6 polegadas menos quadrada, mais confortável para leitura e navegação na internet. A Google adota um caminho parecido há alguns anos, é verdade. Mas o aparelho da Samsung que mais me marcou foi aquele que experimentei logo na primeira semana de 2026: o Galaxy Z TriFold. Tratava-se, na prática, de um tablet que cabia no bolso.
Nunca me convenci do formato quadrado da maioria dos dobráveis atuais, que parecem compromissos técnicos disfarçados de escolha prática de tamanho. O Z TriFold se desdobrava em uma tela quase retangular de 10 polegadas, com proporção 4:3, bem diferente da tela praticamente quadrada de proporção 10:9 do Fold 8 Ultra. Nesse formato, o único aplicativo que de fato aproveitava todo o espaço era o Google Maps. Abrir uma tela grande diretamente do bolso dava a sensação de estar experimentando o futuro próximo.
A ideia de tirar o aparelho do bolso, conectar um teclado sem fio e escrever matérias ou responder e-mails em trânsito continua me atraindo. Embora eu possa usar acessórios com os dobráveis atuais de duas telas, o display é pequeno demais para servir de verdade como espaço de trabalho. Sem acessórios, ainda é possível dobrá-los em modo notebook, como faz o Oppo Find N6, mas isso divide a tela entre teclado e display, deixando uma superfície de digitação do tamanho de um celular comum e um display igualmente reduzido. Só de pensar já me dá dor de cabeça.
Também quero descobrir quais atalhos contextuais e fluxos de trabalho dentro da plataforma de inteligência artificial da Samsung tirariam proveito dessa tela maior. Os celulares Android de tela grande estão se aproximando da multitarefa e da divisão de tela de um tablet, e a liderança da Google em inteligência artificial finalmente oferece atalhos e ferramentas concretamente úteis dentro do sistema operacional.
Os problemas — e os motivos pelos quais o TriFold teve vida curta nas lojas — continuam de pé. Os novos dobráveis da Samsung apresentados esta semana ficaram mais caros em todas as versões. Se a Samsung ressuscitasse o TriFold, o preço de venda seria ainda mais estarrecedor. O aparelho custou 2.900 dólares no lançamento, em um período anterior à disparada nos preços da memória. Se os novos dobráveis da marca subiram pelo menos cem dólares, quanto custaria um TriFold 2? E será que o consumidor já está tão acostumado com esses reajustes que mais algumas centenas de dólares pareceriam menos absurdas para os primeiros compradores e fãs de tecnologia dispostos a gastar muito? (Olá, será que já nos conhecemos?)
As duas primeiras gerações da linha Fold foram vendidas por pouco menos de dois mil dólares, mas caíram várias centenas de dólares nos modelos seguintes. O TriFold, caso fosse mantido, poderia receber descontos semelhantes à medida que a tecnologia e a produção ganhassem escala. Talvez. Esperar que um aparelho novo mantenha ou reduza o preço no cenário atual é algo bastante improvável.
O Galaxy Z TriFold chegou oficialmente às lojas dos Estados Unidos em 30 de janeiro de 2026, depois de um lançamento limitado na Coreia do Sul no ano anterior. Em março, a Samsung encerrou a produção. Meses após a estreia mundial, a empresa afirmou que o produto era mais uma vitrine tecnológica do que uma aposta para o próximo dobrável mais vendido do mundo. Nos bastidores, os preços da memória já começavam a disparar, e os aumentos de preço se infiltravam em todo o setor de tecnologia. Era também o primeiro aparelho TriFold da marca, e esses modelos são caros de fabricar, independentemente da procura.
A janela para comprar o TriFold foi minúscula. Ele não foi vendido em muitos mercados, como o Reino Unido, que sedia o evento da Samsung esta semana. Quem quisesse o TriFold teria que recorrer a importadores, arcando com margens e custos adicionais. Era difícil comprar, mesmo para quem desejava. E eu desejava.
Há ainda as preocupações com a durabilidade. Trata-se de um novo tipo de tela dobrável, vulnerável à entrada de poeira e sujeito a reparos caros para quem danificar o display. Alguns dos primeiros compradores do TriFold enfrentaram consertos complicados e salgados, com contas de até 700 dólares para arrumar a tela — o preço de um bom dobrável usado.
Com o primeiro celular dobrável da Apple se aproximando no horizonte, não há informações sobre um possível sucessor do TriFold. Por enquanto, o Fold 8 é a opção mais próxima e prática. Com a mesma proporção 4:3, perfil mais fino e peso de um celular de apenas uma dobra, ele representa a outra metade da equação para o dobrável ideal. Imagino se, usando o mesmo formato mais retangular do Fold 8, a Samsung poderia desenhar um futuro TriFold com tela mais próxima da proporção 16:10, típica de telas de notebook. Eu adoraria ver isso acontecer.
