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Vogue confirma São Francisco como sede de seu próximo grande evento e reforça ligação com o mundo da tecnologia

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Image Credits:Jerritt Clark/Getty Images — Fonte: TechCrunch
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A revista Vogue revelou que a próxima edição do Vogue World acontecerá em São Francisco, nos Estados Unidos, no ano que vem. O anúncio, feito pela lendária editora-chefe Anna Wintour, foi interpretado por observadores do setor como mais um gesto de aproximação entre a alta costura e os magnatas do setor tecnológico.

No comunicado oficial, Wintour destacou as qualidades da cidade californiana, sem fazer menção direta à indústria que a tornou famosa no mundo inteiro. Segundo ela, São Francisco é um lugar onde convivem comunidades diversas, apaixonadas pelas artes e pela criatividade, e que não tem medo de mudanças. A editora também lembrou o histórico de rebeldia e inovação da região e afirmou que o evento pretende apoiar os talentos criativos locais e contribuir para a afirmação da cidade como um polo cultural em ascensão.

A escolha já era especulada nos bastidores, principalmente depois que Wintour foi vista em reuniões com o prefeito Daniel Lurie. Nos últimos meses, a editora intensificou suas relações com algumas das figuras mais poderosas do Vale do Silício, movimento que atingiu o auge durante o Met Gala deste ano, quando Jeff Bezos e sua esposa, Lauren Sanchez, assinaram como patrocinadores principais da celebração. O evento também contou com a presença de nomes como Sergey Brin, do Google, e Mark Zuckerberg, da Meta — este último pela primeira vez na festa. Empresas como a própria Meta, a Snap e a OpenAI chegaram a adquirir mesas pelo valor aproximado de 350 mil dólares cada.

A presença do público tecnológico foi tão marcante que parte da imprensa passou a se referir à edição como o "baile da tecnologia". Não é a primeira vez que gigantes do setor marcam presença no Met Gala: TikTok, Apple e Instagram já haviam patrocinado edições anteriores. Ainda assim, a edição atual representou um divisor de águas. Para completar o cenário, Lauren Sanchez estampar a capa da Vogue no ano passado, logo após seu casamento com o fundador da Amazon, foi vista por muitos como o endosso oficial da publicação não apenas à nova personagem do mundo da moda, mas à própria indústria tecnológica como um todo.

Mesmo com a repercussão, a decisão de levar o Vogue World para São Francisco levanta dúvidas. O evento já passou por Nova York, Londres, Paris e, mais recentemente, Milão — capitais reconhecidas internacionalmente como referências de estilo. São Francisco, por sua vez, é mais conhecida pela atmosfera descontraída e pelo visual típico de seus moradores: moletons com capuz, coletes da Patagonia e tênis esportivos de preço elevado, quando não se contentam em permanecer de chinelos e camiseta.

Um exemplo emblemático é o do bilionário Alexandr Wang, atual responsável pelos laboratórios de superinteligência da Meta, que participou de uma entrevista pública vestindo uma camiseta desbotada com estampa do console Nitendo e o que pareciam ser calçados do tipo Crocs. Confortável, sem dúvida; chique, decididamente não. Ainda assim, sinais de mudança começam a aparecer. O próprio Mark Zuckerberg, que durante anos apareceu publicamente com camisetas cinza e jeans, tem investido em uma imagem mais sofisticada. Recentemente, ele e sua esposa, Priscilla Chan, foram vistos na primeira fila de um desfile da Prada. A nova campanha dos óculos da Meta reúne uma série de celebridades e se assemelha a anúncios de grifes como Saint Laurent e Balenciaga.

Outras companhias do setor também entraram na onda. A OpenAI e a Palantir lançaram recentemente coleções de produtos que dialogam com o visual minimalista predominante no Vale do Silício — a linha da segunda, vale notar, parece inspirada no estilo de Virgil Abloh, criador da Off-White. Há, de fato, bastante matéria-prima criativa a ser explorada nesse estilo sóbrio do norte da Califórnia. Com sua paisagem natural e clima ameno, a região pode servir de musa para novos experimentos da indústria fashion.

Fato é que, ao eleger a capital mundial da inteligência artificial como nova casa do Vogue World, a revista reafirma uma tendência que já se desenhava: acompanhar o dinheiro, sim, mas também reposicionar-se culturalmente em um cenário dominado por quem dita os rumos da inovação.

Fonte: TechCrunch

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