O plano de reestruturação da gigante de pagamentos digitais PayPal, conduzido pelo presidente executivo Enrique Lores, pode culminar em uma operação sem precedentes: a própria venda da empresa. A possibilidade surgiu em julho, quando a processadora de pagamentos Stripe e o fundo de investimentos Advent International ofereceram cerca de 60 dólares e 50 centavos por ação, o que representaria um valor total de mercado de 53 bilhões de dólares, conforme informações publicadas na época pelo Wall Street Journal. Na ocasião, a PayPal recusou a proposta, mas as conversas aparentemente nunca foram encerradas e um acordo poderia ser selado nas próximas semanas, de acordo com novas apurações do mesmo veículo, que cita fontes não identificadas.
A empresa de pagamentos digitais não comentou o relatório. Um porta-voz da Stripe limitou-se a afirmar que a companhia "não comenta rumores ou especulações". As negociações acontecem em um momento crítico para a PayPal, que tenta reverter uma trajetória de resultados abaixo do esperado. Lores assumiu o comando da empresa em março, após uma longa passagem pela Hewlett-Packard. Em abril, o executivo deu os primeiros passos de seu plano de reestruturação, que incluiu uma remodelação no alto escalão e a divisão das operações em três modelos de negócio distintos: soluções de pagamento e PayPal, serviços financeiros para consumidores (incluindo o Venmo) e serviços de pagamento e criptomoedas.
Um mês depois, Lores disse aos investidores que a PayPal voltaria a priorizar os "fundamentos", entre eles o objetivo de "tornar-se novamente uma empresa de tecnologia". O plano de recuperação também contempla medidas de redução de custos, com a expectativa de diminuir o quadro de funcionários em 20% ao longo dos próximos dois a três anos. Fundada em 1998 por um grupo de entrepreneurs que se tornariam figuras proeminentes do Vale do Silício, incluindo Peter Thiel, Elon Musk, Max Levchin e Luke Nosek, a PayPal enfrentou dificuldades nos últimos anos após um período de crescimento explosivo durante a pandemia, impulsionado pelo boom do comércio eletrônico.
Fonte: TechCrunch

