O Conselho Executivo do Banco Central Europeu revelou nesta segunda-feira, 24 de junho, detalhes sobre os mecanismos de proteção de dados que serão incorporados à nova moeda digital europeia. Segundo Piero Cipollone, membro do comitê gestor da instituição, o euro digital oferecerá um nível de privacidade significativamente superior ao das transações bancárias convencionais que conocemos atualmente.
A questão da proteção de informações pessoais tem se mostrado a principal inquietação dos habitantes dos países que compõem a zona do euro no que diz respeito à digitalização de sua moeda. Em sua explanação, Cipollone esclareceu que o Eurosistema não terá capacidade para identificar quem são os participantes de uma operação realizada com a nova moeda digital. Embora os bancos comerciais possam ter acesso a essas informações para garantir o cumprimento das normas de combate à lavagem de dinheiro.
De acordo com as projeções apresentadas pelo Banco Central Europeu, a nova moeda digital deverá ser disponibilizada ao público apenas em 2029. O lançamento marcará uma nova era nos meios de pagamento do continente europeu, oferecendo aos cidadãos uma alternativa moderna que respeitará sua privacidade.
Em pronunciamento anterior, Christine Lagarde, presidente do BCE, havia enfatizado que o euro digital não pretende substituir o dinheiro físico em circulação. Cipollone reforçou essa posição durante sua apresentação, destacando que a moeda digital será um complemento ao papel-moeda existente, especialmente em situações onde o dinheiro físico não é aceito, como em compras realizadas pela internet.
Como prova do compromisso com a manutenção do dinheiro físico, o dirigente lembrou que a instituição acabou de iniciar uma consulta pública para definir o visual das futuras cédulas de euro. Essa iniciativa demonstra que não há planos de eliminar as transações em dinheiro.
Sobre a questão da privacidade nas transações digitais, Cipollone explicou que o euro digital foi concebido para funcionar também sem conexão à internet. Nessas situações, as operações ocorrerão diretamente entre os usuários, com os dados das transações ficando disponíveis exclusivamente para o pagador e para quem recebe o pagamento. Em ambos os cenários, tanto em ambiente digital quanto offline, o Eurosistema não conseguirá vincular cidadãos específicos às transações realizadas.
O membro do BCE completou sua explicação comparando com os sistemas bancários atuais, onde todos os detalhes de uma transferência são compartilhados com todas as instituições envolvidas na operação. Com a nova moeda digital, haverá uma proteção significativamente maior dos dados pessoais, garantindo o máximo nível de privacidade que a tecnologia disponível atualmente pode proporcionar.
Fonte: Livecoins

