As maiores estrelas de Hollywood, acostumadas a faturar milhões com filmes de grande orçamento, agora estão investindo em um formato bem mais modesto: os microdramas. Essas são produções curtas e roteirizadas, feitas especialmente para serem assistidas em telephones moveis. Cada episódio dura apenas alguns minutos e costuma trazer tramas dignas de novelinhas, com reviravoltas dramáticas e ganchos que prendem o espectador até o próximo capítulo, frequentemente incentivando pagamentos para continuar assistindo. O formato surgiu na China e rapidamente conquistou público ao redor do mundo. A empresa de pesquisa Omdia calcula que a receita dos Estados Unidos com microdramas deve chegar a um bilhão e meio de dólares neste ano. Diversos aplicativos surgiram para aproveitar essa tendência, como o ReelShort e o DramaBox. Até mesmo o TikTok entrou no mercado ao lançar seu próprio aplicativo, o PineDrama, no início deste ano.
Agora, profissionais de Hollywood começam a participar ativamente desse segmento, seja atuando em novas séries, criando suas próprias empresas ou investindo em plataformas. A lógica é compreensível: estúdios de cinema buscam formas mais baratas e rápidas de produzir conteúdo, enquanto muitos atores e equipes técnicas ficam sem trabalho. Ao mesmo tempo, o TikTok, os Reels do Instagram e os Shorts do YouTube absorvem cada vez mais a atenção do público, transformando os microdramas em um mercado cada vez mais atrativo.
Entre os nomes conhecidos que estão aproveitando essa oportunidade está James Franco. O ator aparece em "Love, Lies & Frank", exibição exclusiva no aplicativo Shortical. Franco interpreta o diretor de uma agência de publicidade que se envolve em tramas criminais e lobisomens. A premissa segue a fórmula comum dos microdramas, com cenas absurdamente dramáticas e um romance proibido. O projeto é notável por ser uma das primeiras microséries produzidas sob o novo acordo vertical do SAG-AFTRA, um contrato sindical específico para microdramas de baixo orçamento, oferecendo uma prévia de como o formato pode criar novas oportunidades para atores e outros profissionais de Hollywood. A participação de Franco também chama atenção por marcar sua tentativa de retorno após acusações de má conduta sexual e um acordo judicial em 2021.
Issa Rae pode ser uma das estrelas mais naturais para abraçar essa febre dos microdramas. Ela criou e estrelou em 2011 a série para internet "The Misadventures of Awkward Black Girl", que ajudou a impulsionar sua carreira. Em maio, a empresa de Rae, a Hoorae Media, firmou parceria com o PineDrama, do TikTok, para lançar "Screen Time", um thriller sobre um encontro duplo que toma um rumo sombrio quando uma pessoa misteriosa sequestra a televisão e obriga os casais a confrontarem seus segredos. A série rapidamente se tornou um sucesso, acumulando quase setenta e cinco milhões de visualizações na primeira semana e se tornando a série vertical de melhor desempenho no TikTok e no PineDrama na época. Depois, ultrapassou cento e cinquenta milhões de visualizações.
Jesse Tyler Ferguson, conhecido por seu papel em "Modern Family", também está entrando no negócio com "Theater Kids Vs. Zombies", uma comédia musical em produção para a plataforma de storytelling vertical aTwist. A premissa é exatamente o que o título sugere: um grupo de estudantes de teatro percebe que sua escola está tomada por zumbis e descobre que sua melhor chance de sobrevivência é encenar um musical. A participação de Ferguson pode ser significativa, pois a série não se parece muito com as fórmulas de romance e novelinha que dominam os microdramas, investindo em comédia e na cultura dos estudantes de teatro.
Taye Diggs não apenas estrelou um microdrama como também está se aprofundando no negócio. Em janeiro, foi anunciado como protagonista e produtor executivo de "Off Limits & All Mine" na plataforma CandyJar. Ele interpreta um milionário viúvo que se envolve em um romance proibido com a filha adulta de seu melhor amigo. Mais notavelmente, Diggs lançou sua própria plataforma de storytelling vertical chamada Microhouse Films, que visa dar a cineastas maior controle sobre como produzem e monetizam seus projetos. Oito projetos fizeram parte do lançamento inicial da plataforma, incluindo "Tides of Temptation", uma série criada em colaboração com o canal Lifetime. O movimento é importante porque, em vez de apenas saltar na tendência dos microdramas, Diggs está ajudando a construir o próprio espaço.
O envolvimento de Kim Kardashian destaca outra forma pela qual celebridades estão entrando nesse mercado. Embora a famosa ainda não tenha atuado em um microdrama, ela já aplicou dinheiro no negócio ao investir na GammaTime ao lado de sua mãe, Kris Jenner, e outros investidores-anjo.
Fonte: TechCrunch

