Uma pesquisa publicada na revista PLoS ONE revelou que os Beatles são o grupo musical mais mencionado em publicações científicas de todo o mundo. O estudo identificou mais de três mil referências às músicas dos quatro músicos de Liverpool na literatura acadêmica, superando qualquer outro artista.
Gabriel Budel, coautor do trabalho e pesquisador da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, destacou o lado criativo dos cientistas. Segundo ele, algumas dessas citações são verdadeiramente geniais. Um exemplo citado é um artigo sobre a covid longa que trouxe o título "The lung and winding road" (o pulmão e a estrada sinuosa), modificando levemente uma letra clássica dos Beatles.
Outro caso interessante mencionado pelo pesquisador é um estudo sobre computação quântica que transformou a canção "Here Comes the Sun" em "Here comes the SU(N)", criando um jogo de palavras com grupos matemáticos. Budel afirmou que o autor do trabalho claramente estava tendo um dia muito produtivo.
A tradição de incluir letras de músicas em artigos científicos não é exclusiva dos Beatles. Em 2014, pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, revelaram que mantinham uma aposta de longa data envolvendo a inserção de letras de Bob Dylan em seus trabalhos. A primeira ocorrência documentada foi uma revisão publicada na revista Nature em 1997, intitulada "Nitric Oxide and inflammation: The answer is blowing in the wind" (Óxido nítrico e inflamação: a resposta está no vento), citando diretamente a famosa canção de Dylan.
Essa prática gerou um estudo posterior, em 2015, que investigou a presença das letras de Dylan em toda a literatura biomédica. As músicas mais frequentemente referenciadas foram "The Times They Are A'Changin'" e "Blowing in the Wind".
Fonte: Ars Technica