Uma pesquisa revolucionária publicada na revista Nature está mudando a forma como os cientistas entendem o papel do córtex cerebral no processo do sono. Durante décadas, a comunidade científica considerou essa região do cérebro como uma estrutura passiva, que apenas respondia aos sinais enviados por regiões mais profundas do órgão. No entanto, um novo estudo liderado pelo neurocientista Geoffrey Terral, do Albert Einstein College of Medicine em Nova York, demonstra que essa visão pode estar completamente equivocada.
Geoffrey Terral trabalha em parceria com Renata Batista-Berto, que dirige o laboratório onde a pesquisa foi conduzida. Juntos, os pesquisadores identificaram uma população específica de células cerebrais localizadas no córtex que desafiam completamente as teorias anteriores. Essas células representam aproximadamente um por cento dos neurônios inibitórios do córtex, mas sua importância é muito maior do que sua quantidade sugere. Quando os cientistas ativaram essas células em camundongos, os animais adormeceram quase imediatamente.
O resultado dessa pesquisa sugere que o córtex cerebral não apenas observa os ritmos lentos característicos do sono profundo, mas também é capaz de originá-los de forma independente. "Nosso trabalho demonstra que o córtex não apenas percebe esse ritmo, mas também pode iniciá-lo por conta própria, e isso é suficiente para promover o sono", explicou Terral. A descoberta abre novas perspectivas para o entendimento dos mecanismos do sono e pode contribuir para o desenvolvimento de tratamentos para distúrbios do sono no futuro.
Fonte: Ars Technica