O Smithsonian, uma das mais importantes instituições culturais dos Estados Unidos, tornou-se o mais recente palco da batalha cultural travada pela administração Trump. Em um movimento quealanhou amplas repercussões no cenário educacional e museológico do país, a Casa Branca divulgou em julho um extenso documento de 162 páginas contendo severas críticas à forma como o Museu Nacional de História Americana conduz suas exposições.
O relatório oficial sustenta que a instituição teria sido vítima do que denominou de "captura ideológica", processo através do qual a missão original de oferecer uma educação histórica imparcial teria sido substituída por um ativismo político extremamente radical. A avaliação crítica afirma que essa suposta transformação representa uma tentativa de reformular a narrativa histórica do país conforme uma perspectiva política específica.
O alvo central das críticas governamentais é a exposição denominada "O Doutor Franklin Eletricista", aberta ao público em novembro de 2021. A mostra examinava as contribuições pioneiras de Benjamin Franklin para a ciência elétrica, mas também trazia à tona um aspecto controverso da trajetória do célebre pai fundador: o fato de que ele mantinha pessoas escravizadas em sua residência antes de se tornar um ativista contrários à escravidão.
O texto explicativo da exposição afirmava categoricamente que "as notáveis realizações científicas de Benjamin Franklin foram, em parte, possibilitadas pela escravidão". A curadoria do museu ainda especulava que Franklin poderia ter utilizado pessoas escravizadas em seus experimentos com eletricidade, embora sem identificar especificamente quais indivíduos teriam participado dessas atividades.
A mostra, que encerrou suas portas físicas em 2025, permanece acessível de forma virtual. Em um trecho do material explicativo, os curadores apontam que Franklin realizava experimentos nos quais se submetia a choques elétricos e utilizava familiares e amigos como parte de suas pesquisas, embora raramente especificasse quem o auxiliava. O documento ainda sugere que criados com contratos de servidão e pessoas escravizadas em seu hogar poderiam ter sido igualmente envolvidos nesses procedimentos.
A hipótese apresentada pela exposição representa uma conjectura impactante: a ideia de que um dos pais fundadores mais venerados da nação poderia ter exposto pessoas mantidas contra sua vontade a choques potencialmente dolorosos. Tal afirmação ressoou fortemente tanto entre os críticos quanto entre os defensores da exposição, alimentando o intenso debate sobre como as instituições museológicas devem apresentar figuras históricas complexas e seus legados problemáticos.
Fonte: Ars Technica