A empresa Amazon Web Services deixou de utilizar acordos de confidencialidade em seus projetos de centros de dados. A decisão foi anunciada pelo diretor executivo Matt Garman por meio de uma publicação em blog. A medida ocorre em meio a uma investigação lançada pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos sobre as práticas de sigilo de grandes empresas de tecnologia.
A mudança faz parte de uma série de compromissos assumidos pela companhia. Entre eles, está a promessa de cobrir os custos de modernização da infraestrutura de serviços públicos para evitar aumentos nas contas de energia dos moradores locais. A empresa também se compromete a trabalhar com autoridades municipais para direcionar contribuições de impostos a iniciativas comunitárias, contribuir com organizações sem fins lucrativos locais, criar empregos na região e projetar centros de dados com eficiência energética e hídrica.
Como parte dessa estratégia, foi lançado o programa comunitário denominado "Built Together", no qual serão investidos dez bilhões de dólares em iniciativas comunitárias em todo o território norte-americano. O objetivo geral da publicação é combater percepções negativas sobre os projetos de centros de dados.
Garman abordou mitos frequentemente citados, como o grande consumo de água, o aumento das tarifas de energia e o impacto ambiental dos geradores de emergência. Ele alertou que mais de cem moratórias contra centros de dados estão em consideração no país e que, se aprovadas, poderiam prejudicar a competitividade tecnológica dos Estados Unidos. O executivo afirmou que a expansão desses projetos possui importância geopolítica e que há relatos de tentativas de desinformação proposital por parte de outros países.
A decisão de abandonar os acordos de confidencialidade surge cerca de seis meses depois que a Microsoft anunciou medida semelhante. Poucos dias antes, o representante Jamie Raskin, membro do Comitê Judiciário da Câmara, iniciou uma investigação sobre Amazon, Google, Meta e Oracle pelo uso desses acordos. A investigação revelou que os acordos de sigilo da Amazon impediam autoridades locais de divulgar informações classificadas como proprietárias ou confidenciais, gerando incerteza sobre o que poderia ser compartilhado. Além disso, a empresa utilizou empresas de fachada para ocultar sua participação em projetos propostos. A publicação do diretor executivo não comentou sobre essa prática ou o uso de codinomes secretos para os projetos.
Fonte: DCD