O governo Donald Trump voltou a colocar a produção nacional no centro de sua estratégia ao lançar, por decreto executivo em dezembro passado, a chamada Missão Gênese. O plano pretende aproveitar a liderança americana em inteligência artificial para reforçar ou conquistar vantagem em áreas como robótica avançada, biotecnologia, semicondutores e tecnologias nucleares, tudo com cadeias de suprimento inteiramente autodependentes.
Na visão do presidente, o ideal seria que nenhum componente de qualquer produto dos Estados Unidos fosse fabricado fora do país, nem mesmo por parceiros comerciais de longa data ou nações vizinhas. A ideia de uma oferta completamente doméstica, segundo Trump, é o caminho mais seguro para manter a soberania tecnológica e a competitividade global.
A Associação de Tecnologia do Consumidor (ATC), maior entidade representativa do setor tecnológico nos EUA, já havia alertado que tais objetivos carecem de viabilidade prática. Recentemente, a associação realizou um estudo preliminar para avaliar o impacto financeiro da tentativa de transferir toda a fabricação para o território americano, concluindo que o custo para empresas e consumidores poderia ser considerável, sem ainda apresentar um valor exato.
Os resultados iniciais evidenciam que, mesmo com incentivos fiscais e políticas de apoio, alcançar uma produção 100% doméstica em tecnologia de ponta implicaria investimentos massivos e potencialmente repassados ao preço final dos produtos, o que coloca em xeque a sustentabilidade econômica da proposta.
Fonte: Ars Technica