Uma nova era para a infraestrutura dos mercados financeiros brasileiros está prestes a começar. A Rise Finance revelou nesta semana, durante encontro realizado na capital Paulista, uma solução tecnológica que promete reformular a forma como fundos e estruturas de capitais operam no país.
O evento, que aconteceu no dia 29 de setembro, trouxe Victor Freire, líder máximo da empresa nas áreas executiva e tecnológica, para demonstrar ao vivo como a plataforma consegue unificar processos que tradicionalmente exigem sistemas separados. A emissão de valores mobiliários, o registro das operações, a controladoria de ativos, o cálculo de quotas e a liquidação financeira agora compartilham um único registro digital.
A companhia desenvolveu integralmente a tecnologia após identificar uma necessidade concreta em suas próprias operações. Primeiro, construiu a infraestrutura para dar suporte à sua estrutura inicial. Após colocar o sistema em funcionamento real, decidiu disponibilizar a solução para outras organizações com as quais já mantinha conexões comerciais.
Os números impressionam. De acordo com levantamento da própria Rise, com dados apurados em 28 de setembro de 2026, mais de um bilhão de reais já foram emitidos e processados por meio da plataforma. "O mercado de capitais não necessita de mais uma camada de reconciliação. O que ele precisa é que a operação exista uma única vez, com cada participante exercendo seu papel específico. Foi exatamente isso que desenvolvemos internamente e agora estamos abrindo para o mercado", declarou Freire.
A mudança representa um alinhamento com transformações globais na infraestrutura dos mercados. Em agosto de 2026, grandes gestores internacionais passaram a oferecer quotas com representação digital de fundos monetários, recorrendo a provedores estabelecidos para viabilizar a operação.
Vitor Delduque, diretor máximo de relacionamento e cocriador da empresa, explicou a diferença entre o modelo tradicional e a proposta da Rise. No formato convencional, cada participante envolvido em um fundo conserva sua própria versão dos dados da operação, sendo que incompatibilidades são descobertas apenas durante as fases de fechamento e conciliação. Na rede criada pela empresa, a operação é registrada uma única vez: as normas de cada estrutura são conferidas na origem, enquanto cada participante regulado mantém suas atribuições específicas.
A promessa é reduzir o trabalho repetitivo de retaguarda, minimizar falhas operacionais e tornar os processos de liquidação mais ágeis. "A primeira questão que os escritórios nos apresentam não diz respeito à tecnologia, e sim à retaguarda: quanto tempo a equipe dedica a conciliar informações que deveriam estar corretas desde o início. A Rise oferece resposta direta a essa questão", pontuou Delduque.
A organização funciona como fornecedora brasileira de tecnologia, oferecendo uma estrutura completa que abrange desde a origem até a finalização das operações no mercado de capitais. A proposta central permite que cada transação exista uma única vez, com as regras verificadas no momento da criação e as responsabilidades de cada participante claramente definidas.
A solução emprega tecnologia de registro distribuído e contratos com execução automática, organizando-se em três frentes distintas: Rise Finance, que abriga a empresa e suas operações comerciais; Rise Network, que constitui a camada tecnológica; e Rise Private, que faz a ligação entre os dois extremos do mercado. As três divisões operam sob uma única pessoa jurídica.
"A Rise oferece a instituições como gestoras, administradoras, emissoras, securitizadoras e distribuidoras a camada técnica sobre a qual suas operações existem, são registradas, controladas e liquidadas. Nós gerenciamos os trilhos, enquanto cada participante regulado continua sendo titular do seu mandato e responsável pelas atividades que efetivamente realiza. Uma operação, um registro, responsabilidades separadas", detalhou Conrado Grandino, diretor máximo de marketing e cocriador da empresa.
Além de apresentar a solução, o encontro propiciou debates sobre a evolução de novas tecnologias e os obstáculos para sua implementação no sistema financeiro. Para a Rise, o lançamento representa também um avanço na construção de uma rede institucional de ativos digitais, composta por camadas interligadas que aproximam infraestrutura, produtos e governança em um mesmo ambiente.
A visão da organização envolve criar uma estrutura capaz de reunir diferentes participantes do mercado em uma mesma rede, promovendo maior integração entre as etapas das operações e com potencial para ampliar a liquidez e a eficiência. "Por meio dos nossos produtos e serviços, buscamos nos consolidar progressivamente como a infraestrutura padrão do mercado de capitais brasileiro — a camada comum sobre a qual gestoras, administradoras, custodiantes, distribuidoras e reguladores atuam com o mesmo registro. A partir disso, pretendemos avançar para o mercado da América Latina", projetou Delduque.
Em breve, conforme antecipou Delduque, a empresa comunicará a assinatura de parceria com uma das maiores casas de negociação de ativos digitais do planeta. "Os produtos criados por meio da nossa infraestrutura vão ampliar o acesso à liquidez desses ativos para mais de 180 países ao redor do mundo", concluiu o executivo.
Fonte: Livecoins