A extinta plataforma de negociações de Bitcoin conhecida como Mt. Gox comunicou na última sexta-feira que prorrogará o período para realizar os pagamentos devidos aos seus antigos credores. Nobuaki Kobayashi, que atua como síndico da recuperação judicial da empresa, explicou que uma parcela significativa dos inúmerdos afetados ainda não conseguiu finalizar os trâmites obrigatórios para ter acesso aos valores a que tem direito, o que motivou a decisão.
Na época de seu auge, em 2013, essa corretora chegou a dominar mais de 70% de todo o volume global de negociações da principal criptomoeda do mercado. Entretanto, uma série de falhas graves em seus sistemas de proteção e a posterior insolvência levaram a companhia à falência. Diante da expressiva valorização que o Bitcoin experimentou ao longo dos últimos anos, a administração da Mt. Gox puso em marcha um cronograma para Redistribuir os ativos digitais restantes em sua posse, tendo já entregado aproximadamente 107 mil unidades da moeda digital, equivalentes a cerca de 8,8 bilhões de dólares, aos seus antigos clientes.
Segundo informações levantadas pela plataforma de análise Arkham Intelligence, os cofres virtuais da Mt. Gox ainda preservam 34.388 bitcoins, que atualmente correspondem a um valor de mercado de aproximadamente 2,8 bilhões de dólares. A empresa oficializou em comunicado a alteração da data limite para a conclusão desses pagamentos, transferindo-a do dia 31 de outubro de 2026 para o dia 31 de outubro de 2027. O documento reconhece que numerous credores seguem sem receber seus recursos por não terem cumprido os procedimentos estabelecidos para tal.
No passado, a perspectiva de que os mais de 142 mil bitcoins originalmente retidos pudessem ser negociados de uma só vez preocupava os participantes do mercado, temendo uma avalanche de vendas. Em julho de 2024, movimentações dessas reservas contribuíram para quedas expressivas nos preços tanto do Bitcoin quanto de outras criptomoedas. Contudo, especialistas avaliam que os 34 mil bitcoins restantes representam uma quantia relativamente modesta diante da dimensão e da liquidez atual do mercado, reduzindo significativamente o risco de impactos relevantes nos cotacões.
Do outro lado da história, Mark Karpelès, que comandava a Mt. Gox quando do seu colapso, segue tentando reconstruir sua reputação no universo das finanças digitais. Após o implosão da corretora FTX em 2022, o executivo ressurgiu propondo que todas as plataformas adotassem sistemas de comprovação de reservas. Além disso, Karpelès abordou vulnerabilidades identificadas em carteiras Coldcard, demonstrando em suas contas pessoais procedimentos para modificar esses dispositivos. Recentemente, ele também criticou publicamente a empresa Ledger, cujos usuários registraram perdas calculadas em aproximadamente 87 milhões de dólares após adulterações em seus equipamentos de armazenamento. A resposta do dirigente da Ledger não foi branda: comentou que, dado o histórico da Mt. Gox, Karpelès não teria autoridade moral para julgar outros.
Fonte: Livecoins