A forte queda do risco brasileiro após o primeiro turno das eleições presidenciais criou condições para que empresas consigam financiamento mais acessível, potencialmente melhorando a qualidade dos recebíveis que alimentam os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios. Essa é a análise da Azumi Investimentos, gestora que administra mais de R$ 3,4 bilhões em ativos e opera 136 fundos diferentes.
Segundo Edgar Araujo, presidente da Azumi Investimentos, o efeito mais significativo de uma mudança na percepção de risco do país se manifesta diretamente no crédito corporativo. Quando uma companhia consegue captar recursos a um custo menor, ela diminui suas despesas financeiras, ganha mais flexibilidade no caixa e consegue honrar com maior facilidade os recebíveis que fazem parte das estruturas dos FIDCs. Com juros mais baixos, os investidores também passam a dar mais atenção ao spread e à qualidade de cada operação.
A avaliação surge após uma significativa reprecificação dos ativos nacionais, depois que Flavio Bolsonaro encerrou o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva, aumentando no mercado a expectativa de alternância de poder no segundo turno. O Ibovespa subiu mais de 9%, ultrapassando a marca de 209 mil pontos, enquanto o dólar recuou mais de 4%, ficando abaixo de R$ 5. Na curva de juros, alguns prazos fecharam com reduções próximas de 100 pontos-base, indicando menor prêmio exigido pelos investidores diante das novas perspectivas para a situação fiscal e econômica.
Açōes, câmbio e taxas de juros contam a mesma história segundo os analistas: o mercado passou a cobrar um prêmio menor para manter aplicações em ativos brasileiros. No entanto, para os FIDCs, é necessário verificar se essa percepção vai de fato se converter em menor custo de capital e melhoria nos resultados financeiros das empresas. É nesse ponto que o movimento nos mercados financeiros começa a impactar a economia real e as carteiras de crédito.
O efeito não será uniforme para todo o setor. Companhias com alto nível de endividamento ou que dependem fortemente de financiamento podem sentir com mais intensidade uma eventual redução no custo de capital. Por outro lado, empresas expostas a insumos importados ou com compromissos em moeda estrangeira também podem se beneficiar de um real mais forte.
Por isso, mais do que prever se uma eventual vitória de Flavio Bolsonaro será positiva ou negativa para os FIDCs, a Azumi Investimentos monitora como a mudança nas expectativas eleitorais afeta taxas de juros, câmbio, condições de financiamento e capacidade de pagamento das empresas. Se a atual redução dos prêmios de risco se mantiver após o segundo turno e vier acompanhada de mudanças efetivas na política fiscal e monetária, o impacto pode chegar gradualmente às carteiras, alterando tanto o custo do crédito quanto a relação entre risco e retorno dos fundos.
Fonte: Livecoins