A Heatbit, companhia sediada nos Estados Unidos, apresentou nesta quinta-feira o Bitwater, um dispositivo que promete revolucionar o conceito de aquecimento residencial ao combinar mineração de criptomoedas com a função de aquecer a água de residências. O equipamento utiliza o calor emitido pelos processadores de mineração para aquecer os reservatórios domésticos, oferecendo uma alternativa funcional ao aquecimento convencional.
Diferentemente de iniciativas anteriores, como a da Mara Holdings, que utiliza o calor residual de suas operações para climatizar residências na Finlândia, a proposta da Heatbit é destinada diretamente ao consumidor final. O Bitwater pode ser instalado diretamente nos tanques de água já existentes nas casas, substituindo as resistências elétricas tradicionais e integrando-se à infraestrutura já disponível.
Segundo dados apresentados pela empresa, as residências norte-americanas consomem anualmente cerca de 300 TWh exclusivamente para aquecer água, enquanto toda a rede de mineração de Bitcoin globalmente demanda aproximadamente 170 TWh por ano. Com isso, a companhia sugere que os usuários podem obter retorno financeiro com a mineração sem aumentar o consumo energético destinado ao aquecimento.
Em termos de especificações, o dispositivo conta com 20 chips modelo BM1370, os mesmos processadores empregues pela Bitmain em seus equipamentos Antminer S21 Pro e nas plataformas Bitaxe Gamma. A capacidade de processamento pode alcançar até 34 TH/s. Conforme cálculos da plataforma Whattomine, considerando um hashrate entre 20 e 34 TH/s, o equipamento poderia gerar entre 0,72 dólares e 1,22 dólares diários, equivalentes a aproximadamente 3,62 e 6,14 reais, desconsiderando os custos com eletricidade.
O principal obstáculo, contudo, permanece o valor de aquisição. Enquanto resistências elétricas convencionais para tanques podem ser encontradas por até 15 dólares no mercado norte-americano, o Bitwater está disponível em pré-venda por 899 dólares, aproximadamente 4.520 reais na conversão direta. Esse preço representa cerca de 60 vezes o custo de uma resistência padrão, podendo levar anos para que o investimento inicial seja recuperado por meio da mineração.
No aspecto técnico, o consumo energético do Bitwater é significativamente inferior ao das resistências tradicionais. Modelos convencionais tipicamente demandam 4.500 watts, enquanto o dispositivo da Heatbit opera com apenas 600 watts, resultando em um aquecimento mais gradual e contínuo. A empresa afirma ter realizado testes bem-sucedidos em residências com famílias de quatro e cinco pessoas durante o inverno em Nova York e na Flórida.
A solução também inclui recursos de conectividade, permitindo o controle remoto via aplicativo de smartphone. Os usuários podem ajustar a temperatura da água, definir rotinas de funcionamento e escolher entre minerar de forma isolada ou participar de pools de mineração coletivas. O anúncio oficial da empresa nas redes sociais já acumula mais de 1,2 milhão de visualizações, demonstrando o interesse da comunidade de criptomoedas pela inovação.
Fonte: Livecoins