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Pesquisa expõe que homens casados lideram ranking de vítimas de golpe financeiro com criptomoedas no país

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Um estudo pioneiro conduzido pelo escritório Raphael Souza Advocacia examinou 112 ações judiciais relacionadas a fraudes no mercado de criptomoedas no Brasil e descobriu 24 episódios do esquema conhecido como “abate de porcos”. Entre as vítimas que passaram pela chamada “engorda financeira” antes de terem os saldos bloqueados, 11 sofreram abordagens românticas, 3 foram alvos de falsas investidoras e 10 seguiram o mesmo método, porém sem manipulação emocional.

Na categoria classificada como amorosa, todos os engañados pelas organizações criminosas são do sexo masculino, com perdas estimadas em meio milhão de dólares, o que equivale a mais de 2,6 milhões de reais. Dos onze afetados, oito são homens casados, dois declararam ser solteiros e um informou ser divorciado nos documentos apresentados à Justiça. A análise das profissões revela que o esquema atinge diversas áreas: três trabalham como servidores públicos, dois atuam no transporte, além de representantes de engenharia, saúde, indústria, vendas, finanças e negócios.

Quanto aos valores perdidos, quatro vítimas tiveram prejuízos entre 10 mil e 30 mil dólares, enquanto outros quatro tiveram perdas entre 30 mil e 100 mil dólares. Um engenheiro casado, contudo, sofreu o maior dano financeiro, com montants subtraídos entre 100 mil e 500 mil dólares.

As apurações indicam que oito das onze investidas românticas se iniciaram por meio de conversas casuais na plataforma Telegram, acompanhadas por um contato via Instagram, um pelo WhatsApp e um sem rede social especificada. Cinco vítimas contaram que as golpistas transferiram a inúmeração para o WhatsApp após os primeiros dias de interação, a fim de evitar ferramentas onde os perfis podem ser denunciados.

Seis petitions apontam o uso de identidades femininas com características orientais ou procedência asiática, utilizando nomes fictícios como Amelia, Emilia, Clara, Daisy e Chun Kai, também chamada de Emily. Muitas dessas contas falsas exibiam um estilo de vida sofisticado em academias ou lojas de marcas renomadas e mantinham contato diário sobre a vida pessoal do alvo durante períodos que variaram de duas semanas a três meses.

Quando a relação de confiança estava consolidada, a inúmeração era direcionada para supostos ganhos com ativos digitais em plataformas indicadas pela própria interlocutora ou por parentes fictícios em quatro ocasiões. Tais mentores familiares eram apresentados às vítimas como um tio analysta de Wall Street com duas décadas de experiência no mercado financeiro ou um especialista respaldado por uma equipe de 28 colaboradores.

Guiados passo a passo pelas organizações criminosas, os brasileiros utilizaram o sistema Pix para adquirir a stablecoin USDT (e em situações específicas Ethereum) em corretoras autênticas antes de transferir os tokens para carteiras externas. Diversos sites fraudulentos mostravam lucros simulados na tela para induzir novos depósitos, o que levou dois homens casados dos setores de saúde e finanças a contraírem empréstimos bancários e esgotarem limites de crédito.

Assim que o investidor tentava retirar os valores acumulados nas painéis, o sistema bloqueava o saque e passava a exigir depósitos adicionais sob a alegação de taxas de liberação, validação de conta ou impostos internacionais. Os investigadores do escritório verificaram que duas carteiras de destino estavam vinculadas a contas na corretora HTX e identificaram que domínios como bitopbank.com, coinyd.com, brrcc.top, trx.art, cryptoapx.com, gtbitsbr1.com, gtreec.com e upagz.com foram criados poucos meses antes de saírem do ar.

Em um dos relatos mais graves de chantagem emocional e isolamento, uma golpista proibiu um empresário solteiro de conversar com amigos e o acusou de frustrar os planos do tio após se recusar a quitar uma suposta dívida interna. Diante desse padrão recorrente nas ações judiciais, o levantamento adverte que nenhuma plataforma legítima cobra tributos antecipados para liberar saques e recomenda desconfiar de desconhecidos que iniciam conversas nas redes sociais antes de propor negócios mirabolantes.

Fonte: Livecoins

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